garçom, me vê um grande amor?

Na mostra de cinema de Estocolmo eu vi um filme que me deixou encucada. Matchmaking Mayor foi filmado em Zemplinska Hamre, uma vila mínima localizada na Eslovaquia. Ao ver que o povo tinha cada vez menos habilidades sociais para conhecer alguém e, consequentemente, reproduzir e salvar a vila da extinção, o prefeito resolve promover um baile. Detalhe: esse filme é um documentário de algo que realmente aconteceu. O filme é hilário e mostra aquele tipo de situação que todos nós já vivemos, o frio na barriga, o medo de não ser aceito, a felicidade de ver que a pessoa está correspondendo a algo, essas coisas de amor. O que é muito louco é que você vê um monte de adulto brincando de casamento chinês (ok, aqui está denunciada a minha idade, quem lembra dessa brincadeira?).

Lembro da primeira – e acho que única – vez que consegui conversar com suecos sobre amor. Saí com duas meninas suecas e fomos beber uma cerveja. Aliás, as duas estavam bebendo cerveja e eu, uma cidra. Papo vai, papo vem, fui ao banheiro. Quando voltei, as duas estavam lá, meio envergonhadas. “Estamos falando de amor”, disse uma delas. E a minha reação foi até engraçada: “oba, adoro falar de amor!”. Logo em seguida, elas me perguntaram porque eu bebia tão devagar. Tipo, oi? O que o álcool tem a ver com o amor? “Aqui na Suécia, tem bastante a ver”. Imediatamente o filme do prefeito casamenteiro me veio a cabeça.

- Como são os encontros aqui? Como vocês conhecem as pessoas?
- Você sai com alguém pra beber.
- Mas tem que ter bebida no meio?
- Sim, caso contrário não vai ter papo. Uma vez eu conheci um cara numa discoteca. Combinamos de nos ver no dia seguinte e, quando eu o chamei para um café, ele recusou. Disse que só sairia comigo se fosse a algum lugar que vendesse álcool.
- …

A conversa foi indo, as cervejas também. Eu continuei lá na minha única cidra, falando de amor com aquelas duas suecas, relembrando qualquer uma de minhas conversas com minhas amigas no Brasil. Podia ver o rosto de minhas melhores amigas nelas, falando de seus encontros e desencontros. A essência da conversa era a mesma, os problemas também. As soluções não.

Todo mundo quer um grande amor. Só falta entender o que é realmente necessário para chegar até ele.

PS: “amor” é a quinta palavra mais procurada no Google sueco, nas opções de busca com a expressão “o que é …”

de propósito

“O mais importante é ter certeza e não estar com a razão.” JT
“Não ligue para o passado. Ele pode atender.” JT

Sempre fui para-raio de maluco e isso não é novidade pra ninguém. Mas a coisa boa disso é que muitas vezes os malucos são ultra talentosos e acabam mostrando seu lado poeta-artista enquanto as obras estão ainda em andamento. E acompanhando os pensamentos de Patricia Chmielewski, aka JT, dando pitaco no que eu nem sabia ou era capaz de compreender, hoje anuncio com orgulho que as obras dela podem conviver comigo, com você e todos nós, em qualquer lugar de tempo e espaço. Sim, a partir de agora os pequenos pedaços de poesia que ela produz estão à venda na Endossa e 
também 

na 
loja 
do 
blog
 Follow
 the
 Colours.

“O
 projeto 
Palavra 
Viva 
nasceu 
da
 necessidade
 da 
artista
 plástica
 de
 procurar 
meios
 alternativos 
para
 a 
divulgação
 de 
textos, 
poemas,
 cartas 
e 
frases.

 Estudiosa 
de 
literatura
 e
 apaixonada 
por
 arte
 conceitual,
 Patricia
 vê
 nos 
objetos
 do
 dia 
a
 dia 
uma
 oportunidade
 de
 aproximar
 os
 mundos
 da
 arte,
 design
 e
 literatura,
 chamando 
atenção 
e 
sensibilizando 
o
 público 
para
 a
 mensagem.

”

Para ver mais algumas de suas frases, pode seguir o @minicontos ou acompanhar as obras no De Próposito.

*Esse foi um post pago. Pago com talento, cumplicidade e carinho.

paris por moi

Resolvi listar aqui as minhas preferências de Paris. São totalmente de acordo com o meu gosto e não significa que você vai concordar 100%, mas reúne grande parte do que eu gosto de fazer lá.

Museus

Louvre: Louvre é Louvre, no meu conceito tem que ir, ter paciência e não encanar em ver tudo, pois é praticamente impossível em um dia.
Musée d’Orsay: expressionismo e cia dentro de uma estação antiga de trem.
Centre Pompidou: arte contemporânea, está com a exposição Danser sa vie que mostra a dança sob o aspecto das artes plásticas. Sou suspeita para falar, mas amei.
Musée l’Orangerie: não fui, mas dizem ser muito legal e, se não me engano, tem uma exposição constante de Monet.
PS: o Paris Museum Pass é um ticket que te dá direito a uma série de museus por um preço fixo. Programe a sua agenda de museus e, se puder encaixar um em seguida do outro, vale a pena.

Ao ar livre (vulgo, cuidado se estiver chovendo)

Jardin du Luxembourg: delicioso para uma tarde de sol, principalmente se você levar framboesas, um vinho rosé e pain au chocolat para apreciar enquanto fica sentadinho nas cadeiras verdes.
Musée Rodin: jardim lindo com as obras do Rodin.
Marais: perder-se no Marais é uma das coisas mais gostosas a se fazer. Veja as pessoas, veja os brechós, veja qualquer coisa e aproveite.
Hotel de Ville: o prédio é lindo e dá pra ficar um tempo vendo a vida passar entre a fonte e o carrossel.
Chateau de Vaux-le-Vicomte: serviu de inspiração para a construção de Versailles e pode ser visitado a luz de velas com direito a champagne. Chique no úrtimo.

Comida

Au pied de fouet: nosso bistrô preferido de Paris, comida francesa, bem feita e honesta.
Paul: padaria das boas.
Marché des enfants rouges: é o mercado mais antigo de Paris e entrou numa polêmica há algum tempo atrás pois queriam destruí-lo. Ainda bem que isso não aconteceu e você ainda pode apreciar um crepe do moço do crepe. Indispensável!
Crepe Dentelle: dica do querido Coca, é realmente um outro crepe maravilhoso. Vale cada centavo.
Chez Jenny: se quiser viver um momento parisience-retrô um pouco mais caro, essa brasserie é deliciosa. Os escargots são incríveis e a especialidade da casa é chucrute com porco. Vá com o estômago disponível.
Angelina: doceria super antiga, vale experimentar o macaron acompanhado de um chocolate Vienois. Ah, comi um mil folhas de lamber folha por folha.
Le pain quotidien: boulangerie meio eco-hippie com comidinhas de altíssima qualidade.
Rue Mouffetard: rua gostosa cheia de fromageries, açougues e coisinhas para comer.

Atrações

Cirque d’Hiver: circo ultra tradicional do meu querido amigo Emilien. Inclui a polêmica do circo com animais, mas o augusto da temporada é o Fumagalli, um dos melhores e mais tradicionais palhaços do mundo. E vê-lo ao vivo é mais do que lindo.
Bataclan: casinha gostosa de shows, próxima ao circo. Tem que ver a agenda, mas dei sorte de pegar The Puppini Sisters e ver um show muito bom, numa casa pequena e com vinho rosé a 3 euros a taça.

Transporte

Velib: o sistema de aluguel de bicicletas é incrível e merece ser aproveitado. Cuidado com o trânsito de Paris para não se meter onde não deve.
Metrô: super bem servido, te leva praticamente à cidade inteira. Lembre-se que há tickets que servem somente em Paris e outros que levam ao banlieue (encare como uma periferia) e outros que levam ao aeroporto
RER: linha expressa do metrô

Bom, vale lembrar que existe um kit básico de fui-a-Paris que inclui Notre Dame, Torre Eiffel, Sacré Coeur, Arco do Triunfo, Champs Elysées, Versailles e Montmartre. Nestes é sempre bom, em momentos turísticos, dar uma checada em tickets online para não passar horas parisiences em filas gigantescas.

constatações do lar

É bem mais complicado comprar produtos de limpeza em sueco, pois eu mal sei os nomes certos em português e muito menos em inglês.

Luva é a melhor amiga do esmalte.

Madonna é uma trilha super digna para passar o aspirador.

Casa geek é chatinha de limpar por conta dos fios.

Deixar os sapatos na entrada de casa é bem mais higiênico. Ponto pros suecos.

O fogão daqui passaria em medicina na Fuvest, de tão inteligente que é o bichinho. Tô chocada.

longa vida a ciclo-rua

Em São Paulo eu sempre pertenci a categoria “ciclista de ciclofaixa”. Comecei a andar de bicicleta há uns 2 anos atrás, ainda bastante tímida e medrosa. Portanto, enfrentar o trânsito de São Paulo nunca me pareceu uma ideia saudável pra mim, que enrosco na bicicleta a cada movimento inesperado. A partir do momento que decidimos morar em Estocolmo, bicicleta passou a ser meio meio de transporte individual oficial. Feliz da vida, comprei minha Monark rosa fofa e saí pelas ruas suecas. E, para minha boa surpresa, basta um pouco de estrutura para você se sentir muito mais seguro e confortável sobre as duas rodas. A cidade é praticamente inteira permeada por uma via exclusiva para bicicletas, que ora percorre a rua dos carros e ora percorre parte da calçada de pedestres. Aliás, se você andar sem querer por esse trecho ciclístico da calçada, os suecos ficam bem chateados. Eu nos primeiros dias não havia me acostumado e nem notava onde estava andando. Agora já virou mais natural. Normalmente os trechos que não possuem a faixa desenhada não passam de uns 400 metros, ou seja, você logo chega em outra ciclovia bonitinha para andar. Como Estocolmo é um conjunto de ilhas, a ciclovia sempre que pode permeia a água e os parques com “praias”, o que acaba deixando o trajeto bem bonito.

Outra coisa que ainda preciso me acostumar é com as placas destinadas a bicicletas, pois tenho o vício de olhar para as placas de carro. Algumas áreas são bem sinalizadas com placas para os ciclistas, incluindo a distância que você precisa percorrer para chegar até o bairro/região indicados. Além disso, no Cykelreseplaneraren você pode ver os trajetos certos, onde existe estacionamento de bicicleta e até onde tem bomba para encher os pneus. Legal, né? E pra quem não tem bike, existe também o Stockholm City Bikes, aquele serviço de pegar a bicicleta em estações específicas e devolver em outras. Ou seja, não tem desculpa.

coisa linda de se ver

Daí que, no dia que embarquei para a Suécia, ganhei um presente incrível da Pat, que se juntou com a minha mãe e a Patinha para me dar… um blog!

Pra começar, o nome genial: mawacomweno

Em seguida, um monte de posts de gente querida que eu amo e que dedicou um tempo para escrever para nós. You are awesome, guys.

E, no meio de tudo isso, posts de gente de todo tipo, desde a família real sueca até o Patati e Patatá, passando por Norma e Tia Nenê. Ainda bem que deu tempo da Norma escrever as coisas antes de morrer, né?

turismo literário

Tenho uma mania em viagens: ler um livro de um autor local cujo assunto, de preferência, aconteça ou seja sobre a cidade/país que estou visitando.

Por enquanto, a lista está assim:

Cuba
O ninho da serpente, por Pedro Juan Gutiérrez

Turquia
Istanbul, por Orham Pamuk

França
Notre-Dame de Paris, por Victor Hugo

Alguém aí me dá uma dica de autor sueco?

vi ses

A vida é mesmo muito louca e cá estou eu, de mudança para a Suécia. Sim, é isso mesmo que você leu. Mal posso explicar os caminhos que me levaram a isso, mas acho que eles podem ser resumidos numa só palavra: vontade. Vontade de ficar perto do meu noivo – eu sei, a palavra é brega, mas o amor é brega mesmo e ponto. Vontade de começar uma vida a dois – sim, eu sou iniciante nisso. Vontade de abrir a cabeça. Vontade de experimentar novas realidades. Vontade de viver um inverno – contanto que seja só um. Vontade de entender a cabeça das pessoas do outro lado do mundo. Vontade de experimentar.

Alguns de vocês vivenciaram as coisas em real time, outros saberão por aqui. Mas o fato é que eu tô indo, cheia de saudade prévia e grata por tudo que acumulei no Brasil. É muito estranho como, em períodos de mudança, paramos para analisar o que aconteceu até então. Revivemos cada pedacinho organizando as coisas para partir, vendo cada papel, foto e lembrança na desordem do armário. Me livrei de tanta coisa que nem sei mais como juntei tudo. Pra deixar a situação ainda mais emocional, me inscrevi num curso de sueco que ensina a língua com um método terapêutico. Ou seja, entre os estudos de verbos e frases prontas, acabo lidando com perguntas como “com o que você é grato na sua vida”. E esse tipo de pergunta, ainda mais nesse período, faz a gente pensar que só. Ou seja, me meti num papo-cabeça eu comigo mesma e, ainda por cima, em sueco. Pra que facilitar, né?

A partir de agora vocês verão aqui muitas referências nórdicas, bastante salmão e, se tudo der certo, minhas aventuras com a minha futura bicicleta rosa. E se até agora você está na dúvida se é Suécia ou Suíça o meu próximo destino, lembre-se de duas informações:

  • não é a do chocolate
  • fica na altura da Rússia

Hej då!

momento curiosidade do dia

Estudando algumas línguas, comecei a reparar que a @ tem sempre um apelido engraçado. Resolvi pesquisar e descobri que o símbolo é, em sua origem, uma representação da preposição latina ad, que significa casa de. Ainda segundo o Dicionário Informal:

Em diversos idiomas, o símbolo “@” ficou com o nome de alguma coisa parecida com sua forma. Em italiano chiocciola (caracol), em sueco snabel (tromba de elefante), em holandês, apestaart (rabo de macaco). Em outros idiomas, tem o nome de um doce em forma circular: shtrudel, em Israel; strudel, na Áustria; pretzel, em vários países europeus.

Já pensou se os pernambucanos decidem adotar o método? O povo ia dizer fulano(bolo-de-rolo)gmail.com

côte d’azur

Azul. Roxa. Verde. Toda colorida essa costa.

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