Category archives: Viagem

i just received a new name

Lena, an amazing lady

We’ve met this lady in Amsterdam, in a flea market. We were sharing a table with her and just had some lovely talking. At the end, when we were saying goodbye, she held my cold hand with her warm hand and I said:

“ow, i’m cold”

And then she replied:

“i’m lena, nice to meet you”

Since that day, my other name might be Cold.

igreja no pelourinho

Ouro é apelido. Fé também.

costurando conversas com taxistas de salvador

Taxista 1

Ele: Hoje é dia de comida de azeite.
Eu: Comida de azeite? O que é isso?
Ele: É comida que fica boa com azeite, que nem peixe, muqueca…
Eu: Ah, tá.

Taxista 2

Eu: Moço, onde é bom comer comida de azeite?
Ele: Ah, em qualquer restaurante. Mas você gosta mesmo de azeite?
Eu: Ah, até gosto. A verdade é o outro moço falou esse nome e eu achei que era o nome da comida daqui.
Ele: É, mas se eu fosse você, comeria sem azeite. Quando chegar no restaurante, peça à escabeche.

***

Taxista 3

Ele: Vai voltar quando?
Eu: No domingo, moço.
Ele: Ih, no dia da final do campeonato: Vitória X Bahia de Feira de Santana.
Eu: Nossa, moço, eu sei cantar o hino do Bahia. Mas não sei se é o de Feira de Santana. “Lálálá…”
Ele: Ah, esse aí é o daqui de Salvador mesmo.
Eu: Ah tá.

Taxista 4

Ele: Eu torço pra dois times. Pro Vitória e para aquele que jogar contra o Bahia.
Eu: Hahaha. Sabia que meu pai adorava o hino do Bahia e colocava para eu ouvir quando era criança?
Ele: Jura?
Eu: Juro. Sei de cor.
Ele: Moça, isso é bulliyng.

turquia e eu

A ideia era ir à Tailândia. Conhecer a terra dos sorrisos, da massagem e do budismo. Comer bichos estranhos, pimenta e um pouco mais de pimenta. Nadar em praias incríveis e conhecer lugares espiritualizados. No entanto, por motivos alheios mas nem tanto, resolvemos deixar a Tailândia para outro dia. A substituição? Turquia. Confesso que esse destino não estava na minha wishlist. Nada contra a Turquia, mas simplesmente era um país que ainda não havia me atraído. Esse fato, aliás, deve ter ajudado no meu encantamento pelo lugar. Conversando com um turco ainda no Brasil, antes de pegar o avião, ouvi que eu deveria reservar um tempo para curtir Istambul. E a palavra “curtir” é tão ampla que eu fiquei meio confusa. Só que, ao chegar la, você acaba sendo obrigado a curtir. Se tem uma coisa que esses turcos sabem fazer, é viver. Sofás nos chãos em bares obrigam que você recoste para tomar algo. Cobertores são utilizados sem a menor cerimônia em lugares públicos, já que ninguém é obrigado a sentir frio. Homens andam abraçados sem qualquer conotação gay. Eles apenas buscam conforto, carinho e uma espécie de relaxamento. Visitando lugares como o Topkapi, é fácil perceber essa adoração pela boa vida. Almofadas, ambientes extremamente decorados e tapetes compõem o aconchego do antigo palácio dos sultões. Azulejos e mais azulejos lindos decoram as paredes, formando um sem fim de texturas e cores. Impossível não gostar de estar lá.

brasil x turquia

férias

I’m at Constantinopla (Eminönü, 34126 Beyazıt). http://foursquare.com/venue/1074753

Beijo-não-me-liga.

da areia ao caos

Havia sido um dia super glamuroso. Sábado de sol no Leblon, encontro no café da manhã com Moraes Moreira (ok, nem tão glamuroso assim), almocinho leve e compras em Ipanema. Bem mulherzinha, já que éramos em três. Deitamos ao sol, tomamos vários capotes mergulhamos no mar, bebemos mate para parecer carioca e cerveja para permanecer paulista, tudo completo. Na hora das compras então, um sucesso! Pelo volume de roupas compradas a gente poderia ser enquadrada no tráfico Rio-São Paulo. Eis que resolvemos ir ao supermercado para comprar algumas coisinhas para o jantar, já que o plano era comer algo, descansar, viver a vida e sair para algum lugar. Uma vez compradas as comidas, quando estávamos prontas para deixar o Zona Sul de Ipanema, começou a chover. Chover. Chover. E nada de qualquer sinal que nos deixasse um pouquinho menos molhadas. Começou a saga do táxi. Nenhum táxi parava pra gente. Nenhum. E aí vem aquela síndrome do paulista que, depois de elogiar e se esbaldar no Rio, começa a reclamar: cadê a infra dessa cidade? Como é que vocês querem receber as Olimpíadas? Isso é um absurdo. E blá blá blá. Como nada dessa conversa nos tiraria da chuva depois de 1h40 tentando pegar um táxi, resolvemos pegar um ônibus. Aliás, resolvemos pegar o primeiro ônibus que passasse pela rua e fosse em direção à Gávea. Era uma questão de honra chegar ao apartamento. A única coisa que não contávamos era que nosso destino estava reservado no ônibus da Rocinha. Sim, lá mesmo. Como o motorista disse que passava pela Gávea, lá estávamos nós, sentadinhas com sacola de praia, sacola do tráfico de roupas e sacola de supermercado, com sorvete, frango, alface, batata, vinho e por aí vai. O ônibus fluía tranqüilo a ponto de fazermos até amizade com uma senhora que desceria no mesmo ponto que nós. De repente, começou a entrar gente, entrar gente, entrar gente, óbvio, tava uma puta chuva. E ninguém saía. A decisão foi ficar em pé, no fundo do ônibus, para não perder a nossa descida. Lá estávamos nós, agora de pé, com sacola de praia, sacola do tráfico de roupas e sacola de supermercado, com sorvete, frango, alface, batata, vinho e por aí vai, aguardando os minutos em que estaríamos livres do momento contato-e-improvisação no ônibus da Rocinha. Só que o ônibus parou. O trânsito parou. O Rio de Janeiro parou. E como a gente não agüentava mais não chegar em casa, a gente resolveu andar. Resultado: chegamos que nem mosca tonta na sopa ao prédio que, aliás, havia inaugurado uma linda cachoeira só para dar mais emoção à nossa entrada. Mesmo depois daquele momento leptospirose, resolvemos tirar uma foto para registrar o momento:

Pena que a câmera do celular também tinha molhado. Ai que burras!

PS: história baseada em fatos reais. Qualquer semelhança com a realidade é a mais pura verdade.

new york

Cheia de dicas da Flá, do Riq e da Mabe, percorri Nova Iorque, segundo o , sob uma ótica perfeita: para visitar NY, basta escolher os restaurantes nos quais você deseja comer. O restante do tempo você ocupa caminhando entre cada um deles. Aqui vão algumas considerações:

Williamsburg

Beacons Closet

Quem é fanático por seriados americanos sente-se em casa quando vai a Williamsburg: lá estão todas as casinhas-cenário de cenas emblemáticas. Além disso, as pessoas que andam por ali são tão estilosas que parece que todas foram vestidas pelo mesmo figurinista. Vale a pena a visita se você tem uma pegada um pouco mais zen-pseudo-hippie e prefere algo mais badauê pacífico do que Manhattan.

Essa foto é do brechó Beacons Closet, mas eu sinceramente gostei mais do Recycle Vintage. Perca-se na loja de queijos Bedford Cheese Shop, após saborear um pouco da cerveja da Brooklin Brewery.

Estátua da Liberdade

Estátua da Liberdade

Na panorama da Brooklin Bridge já é possível avistar a famosa Estátua da Liberdade, explorada tanto em filmes americanos quanto em decorações-bregas na Barra da Tijuca (pseudo Miami). Essa é uma vista de longe, mas se você preferir há barcos que te levam para mais perto da estátua.

Feiras, flea market and everything else

Feira

Andando em qualquer direção é possível achar alguma coisa para comprar. É incrível como lá as coisas mais inespecíficas tornam-se de necessidade urgente quando você as vê a menos de 50 centímetros de você. É quase que um poder mágico, algo como um reencontro de anos com algo que você nem sabia que existia. Apenas cuide das taxes: quanto você menos espera, o preço do produto aumenta por causa da maledita.

Gershwin Hotel

Gershwin Hotel

Super recomendo se você for que nem eu, que se importa mais com o conceito do que com a não-existência de carpete no quarto. O Gershwin Hotel é considerado um reduto de artistas e a cada passo você se depara com muita e muita arte. Mais vale uma exposição diferente em cada andar do hotel do que um lençol de 154.263 fios.

Pretzels and bagels

Pretzels

Não sei precisar quando e como a cultura judaica invadiu Nova Iorque, mas atribuo grande parte desta culpa ao Woody Allen. Independente de onde começou, só tenho a elogiar: as comidinhas típicas são maravilhosas e merecem um pouco de sua atenção. E lá está rolando a moda do integral, por isso aproveite e peça as opções “with everything”, vulgo sei-lá-quantos-grãos.

Times Square

Times Square

Ver as luzes da Times Square pode parecer um tanto Tia Augusta, mas é algo tão surreal que merece ser feitos até pelos mais alternativos. Tudo aquilo brilha de tal modo que chega a doer a vista. Se você é chegado em um chorus line, recomendo a entrada em alguma peça da Broadway. Nesta visita, acabei aprendendo a cantar supercalifragilisticexpialidocious.

Cores do mundo

Buffalo

A última dica é para qualquer lugar que você for visitar. Já reparou nas cores da natureza de lugares com climas muito diferentes do da sua cidade? Essa foto foi tirada em Buffalo, cidade lindinha quase-Canadá com folhas vermelhas e céu azul.

inspiração

Caía neve enquanto Paris caminhava por mim. Pela primeira vez a cidade me tocou de um jeito diferente. Mesmo com zero graus na espinha, eu era capaz de sorrir por dentro ao subir a Rue Moufettard. Tudo parecia belo, colorido e charmoso. Acho que o grau de cultura francesa em nosso sangue é diretamente proporcional ao nível de paixonite que atingimos. Paris é uma cidade de números pares. Como os pares que dançavam felizes ao lado da feira, comemorando a neve e cantando Jingle Bells em francês. Fazia muito frio, mas a música os acobertava mais do que suas roupas – parecidíssimas com o figurino de Les Miserables.

A mesma Paris de antes, gelada e cinzenta, dessa vez me acobertou. E me contou que lá é cheio de sonhos flutuantes e aconchegantes.

lógica portuguesa

Eram três senhoras portuguesas. A primeira delas, de casaco preto e branco, foi feliz com o marido por 47 anos, até a morte dele. Ela nascera no Algarve, mas preferia morar em Guimarães.

- Algarve, só no verão.

- E o que a senhora costuma fazer aqui?

- Eu? Nada!

Seguia feliz ao lado da prima do seu marido falecido. Essa tinha a pele clara e o rosto manchado e me explicava que a terceira senhora estava afastada porque era a empregada, que sorria à distância interessada na conversa.

Me contavam que estavam a ir ao mercado para comprar algo para o almoço.

- Vamos comprar um peixe!

- Hummm, que delícia, assado?

- Não, cru. Vamos cozinhar depois.

Ai que burrrra (eu!). Era óbvio que mais dia menos eu cairia nessa lógica portuguesa que, a propósito, faz muito sentido. Acabei rindo sozinha depois, lembrando do diálogo e delas me contando sobre amores, Algarve, peixes e broas de milho da melhor qualidade.