A ideia era ir à Tailândia. Conhecer a terra dos sorrisos, da massagem e do budismo. Comer bichos estranhos, pimenta e um pouco mais de pimenta. Nadar em praias incríveis e conhecer lugares espiritualizados. No entanto, por motivos alheios mas nem tanto, resolvemos deixar a Tailândia para outro dia. A substituição? Turquia. Confesso que esse destino não estava na minha wishlist. Nada contra a Turquia, mas simplesmente era um país que ainda não havia me atraído. Esse fato, aliás, deve ter ajudado no meu encantamento pelo lugar. Conversando com um turco ainda no Brasil, antes de pegar o avião, ouvi que eu deveria reservar um tempo para curtir Istambul. E a palavra “curtir” é tão ampla que eu fiquei meio confusa. Só que, ao chegar la, você acaba sendo obrigado a curtir. Se tem uma coisa que esses turcos sabem fazer, é viver. Sofás nos chãos em bares obrigam que você recoste para tomar algo. Cobertores são utilizados sem a menor cerimônia em lugares públicos, já que ninguém é obrigado a sentir frio. Homens andam abraçados sem qualquer conotação gay. Eles apenas buscam conforto, carinho e uma espécie de relaxamento. Visitando lugares como o Topkapi, é fácil perceber essa adoração pela boa vida. Almofadas, ambientes extremamente decorados e tapetes compõem o aconchego do antigo palácio dos sultões. Azulejos e mais azulejos lindos decoram as paredes, formando um sem fim de texturas e cores. Impossível não gostar de estar lá.
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férias
17May10I’m at Constantinopla (Eminönü, 34126 Beyazıt). http://foursquare.com/venue/1074753
Beijo-não-me-liga.
da areia ao caos
08Mar10Havia sido um dia super glamuroso. Sábado de sol no Leblon, encontro no café da manhã com Moraes Moreira (ok, nem tão glamuroso assim), almocinho leve e compras em Ipanema. Bem mulherzinha, já que éramos em três. Deitamos ao sol, tomamos vários capotes mergulhamos no mar, bebemos mate para parecer carioca e cerveja para permanecer paulista, tudo completo. Na hora das compras então, um sucesso! Pelo volume de roupas compradas a gente poderia ser enquadrada no tráfico Rio-São Paulo. Eis que resolvemos ir ao supermercado para comprar algumas coisinhas para o jantar, já que o plano era comer algo, descansar, viver a vida e sair para algum lugar. Uma vez compradas as comidas, quando estávamos prontas para deixar o Zona Sul de Ipanema, começou a chover. Chover. Chover. E nada de qualquer sinal que nos deixasse um pouquinho menos molhadas. Começou a saga do táxi. Nenhum táxi parava pra gente. Nenhum. E aí vem aquela síndrome do paulista que, depois de elogiar e se esbaldar no Rio, começa a reclamar: cadê a infra dessa cidade? Como é que vocês querem receber as Olimpíadas? Isso é um absurdo. E blá blá blá. Como nada dessa conversa nos tiraria da chuva depois de 1h40 tentando pegar um táxi, resolvemos pegar um ônibus. Aliás, resolvemos pegar o primeiro ônibus que passasse pela rua e fosse em direção à Gávea. Era uma questão de honra chegar ao apartamento. A única coisa que não contávamos era que nosso destino estava reservado no ônibus da Rocinha. Sim, lá mesmo. Como o motorista disse que passava pela Gávea, lá estávamos nós, sentadinhas com sacola de praia, sacola do tráfico de roupas e sacola de supermercado, com sorvete, frango, alface, batata, vinho e por aí vai. O ônibus fluía tranqüilo a ponto de fazermos até amizade com uma senhora que desceria no mesmo ponto que nós. De repente, começou a entrar gente, entrar gente, entrar gente, óbvio, tava uma puta chuva. E ninguém saía. A decisão foi ficar em pé, no fundo do ônibus, para não perder a nossa descida. Lá estávamos nós, agora de pé, com sacola de praia, sacola do tráfico de roupas e sacola de supermercado, com sorvete, frango, alface, batata, vinho e por aí vai, aguardando os minutos em que estaríamos livres do momento contato-e-improvisação no ônibus da Rocinha. Só que o ônibus parou. O trânsito parou. O Rio de Janeiro parou. E como a gente não agüentava mais não chegar em casa, a gente resolveu andar. Resultado: chegamos que nem mosca tonta na sopa ao prédio que, aliás, havia inaugurado uma linda cachoeira só para dar mais emoção à nossa entrada. Mesmo depois daquele momento leptospirose, resolvemos tirar uma foto para registrar o momento:
Pena que a câmera do celular também tinha molhado. Ai que burras!
PS: história baseada em fatos reais. Qualquer semelhança com a realidade é a mais pura verdade.
new york
03Nov09Cheia de dicas da Flá, do Riq e da Mabe, percorri Nova Iorque, segundo o Fá, sob uma ótica perfeita: para visitar NY, basta escolher os restaurantes nos quais você deseja comer. O restante do tempo você ocupa caminhando entre cada um deles. Aqui vão algumas considerações:
Williamsburg
Quem é fanático por seriados americanos sente-se em casa quando vai a Williamsburg: lá estão todas as casinhas-cenário de cenas emblemáticas. Além disso, as pessoas que andam por ali são tão estilosas que parece que todas foram vestidas pelo mesmo figurinista. Vale a pena a visita se você tem uma pegada um pouco mais zen-pseudo-hippie e prefere algo mais badauê pacífico do que Manhattan.
Essa foto é do brechó Beacons Closet, mas eu sinceramente gostei mais do Recycle Vintage. Perca-se na loja de queijos Bedford Cheese Shop, após saborear um pouco da cerveja da Brooklin Brewery.
Estátua da Liberdade
Na panorama da Brooklin Bridge já é possível avistar a famosa Estátua da Liberdade, explorada tanto em filmes americanos quanto em decorações-bregas na Barra da Tijuca (pseudo Miami). Essa é uma vista de longe, mas se você preferir há barcos que te levam para mais perto da estátua.
Feiras, flea market and everything else
Andando em qualquer direção é possível achar alguma coisa para comprar. É incrível como lá as coisas mais inespecíficas tornam-se de necessidade urgente quando você as vê a menos de 50 centímetros de você. É quase que um poder mágico, algo como um reencontro de anos com algo que você nem sabia que existia. Apenas cuide das taxes: quanto você menos espera, o preço do produto aumenta por causa da maledita.
Gershwin Hotel
Super recomendo se você for que nem eu, que se importa mais com o conceito do que com a não-existência de carpete no quarto. O Gershwin Hotel é considerado um reduto de artistas e a cada passo você se depara com muita e muita arte. Mais vale uma exposição diferente em cada andar do hotel do que um lençol de 154.263 fios.
Pretzels and bagels
Não sei precisar quando e como a cultura judaica invadiu Nova Iorque, mas atribuo grande parte desta culpa ao Woody Allen. Independente de onde começou, só tenho a elogiar: as comidinhas típicas são maravilhosas e merecem um pouco de sua atenção. E lá está rolando a moda do integral, por isso aproveite e peça as opções “with everything”, vulgo sei-lá-quantos-grãos.
Times Square
Ver as luzes da Times Square pode parecer um tanto Tia Augusta, mas é algo tão surreal que merece ser feitos até pelos mais alternativos. Tudo aquilo brilha de tal modo que chega a doer a vista. Se você é chegado em um chorus line, recomendo a entrada em alguma peça da Broadway. Nesta visita, acabei aprendendo a cantar supercalifragilisticexpialidocious.
Cores do mundo
A última dica é para qualquer lugar que você for visitar. Já reparou nas cores da natureza de lugares com climas muito diferentes do da sua cidade? Essa foto foi tirada em Buffalo, cidade lindinha quase-Canadá com folhas vermelhas e céu azul.
inspiração
02Dec08Caía neve enquanto Paris caminhava por mim. Pela primeira vez a cidade me tocou de um jeito diferente. Mesmo com zero graus na espinha, eu era capaz de sorrir por dentro ao subir a Rue Moufettard. Tudo parecia belo, colorido e charmoso. Acho que o grau de cultura francesa em nosso sangue é diretamente proporcional ao nível de paixonite que atingimos. Paris é uma cidade de números pares. Como os pares que dançavam felizes ao lado da feira, comemorando a neve e cantando Jingle Bells em francês. Fazia muito frio, mas a música os acobertava mais do que suas roupas – parecidíssimas com o figurino de Les Miserables.
A mesma Paris de antes, gelada e cinzenta, dessa vez me acobertou. E me contou que lá é cheio de sonhos flutuantes e aconchegantes.
lógica portuguesa
28Nov08Eram três senhoras portuguesas. A primeira delas, de casaco preto e branco, foi feliz com o marido por 47 anos, até a morte dele. Ela nascera no Algarve, mas preferia morar em Guimarães.
- Algarve, só no verão.
- E o que a senhora costuma fazer aqui?
- Eu? Nada!
Seguia feliz ao lado da prima do seu marido falecido. Essa tinha a pele clara e o rosto manchado e me explicava que a terceira senhora estava afastada porque era a empregada, que sorria à distância interessada na conversa.
Me contavam que estavam a ir ao mercado para comprar algo para o almoço.
- Vamos comprar um peixe!
- Hummm, que delícia, assado?
- Não, cru. Vamos cozinhar depois.
Ai que burrrra (eu!). Era óbvio que mais dia menos eu cairia nessa lógica portuguesa que, a propósito, faz muito sentido. Acabei rindo sozinha depois, lembrando do diálogo e delas me contando sobre amores, Algarve, peixes e broas de milho da melhor qualidade.
garçom, pufavô…
27Nov08Babem. Em Portugal, esses foram os itens que formaram minha base alimentar.
Alheira (linguiça de farinha utilizada pelos judeus para disfarçarem a religião) acompanhada de bacon.
Polvo (grelhado, talvez) com cebola assada, servido sobre batatas ao murro. Sim, eu tenho tique de colocar fotos verticais aqui, por isso ele está deitado.
Leitão (alguns defendiam a tese de que era uma leitoa) com batatas assadas e laranjas.
Leite-crema de acordo com os portugueses, mas é o famoso crème brûlée.
Arroz de pato com paio e bacon (embora o paio deles seja diferente do nosso).
Flor de jamón com salada-linda e um molho que tinha azeite, vinagre, sal e molho inglês.
Peixe grelhado com molho de maracujá, espinafre e folha crocante de batata.
Sorvete de menta, chocolate com folha de menta in natura e mousse de chocolate sobre cookie de chocolate. Olha, todas as sobremesas portuguesas incluem ovo e são deliciosas, mas essa daí pegou nos meus pontos mais fracos: chocolate e menta.
Raviole de abobrinha recheado de ricota e espuma de canela.
Manteiga de leite de cabra. Genial. Quando perguntamos onde comprá-la, o garçom disse que havia um único produtor disto em Portugal e que a produção dele era consumida inteira pelo hotel. Ou seja, só dá pra comer lá mesmo.
Escalopes com um molho semi-doce, acompanhado de uma espécie de risoto de batata palha e shitake. Havia também uma geléia pra comer com a carne, mas isso eu nem curti.
Torta crocante de maçã, groselha em cima para enfeitar, abacaxi abaixo e creme de manga com espuma de côco e folha de agrião (eu nunca havia visto a groselha em fruta).
É claro que depois de toda essa comida, digamos, leve e saudável, a caganeira virose apareceu e me fez dedicar vários momentos aos banheiros portugueses. Mas foi, sem a menor dúvida, o piriri mais válido que eu já tive.
O jeito foi controlar um pouco a alimentação, com exceção apenas para o crepe de nutella com banana em Paris. Afinal, não é todo dia que se chega em Paris com a neve caindo dos céus. Mas isso vai ficar pra outro post, já que este já está concorrendo ao ‘post mais longo do mundo inteiro’.
pousadas de portugal
27Nov08As Pousadas são uma jogada interessantíssima em Portugal. O governo do país, frente a uma série de monumentos históricos e tombados, tinha dificuldade em manter os castelos e palácios que restaram dos inúmeros “Dom”. Dom Pedro, Dom Manuel, Dom Joaquim, a maioria construiu aquelas coisas gigantes que, na modernidade, não serviam mais para moradia ou casa de férias da realeza. Por isso, o governo decidiu instalar Pousadas – em sua maioria, de luxo – dentro desses monumentos, a fim de que eles próprios gerassem uma grana para se manter. O resultado de tudo isso, hoje dividido entre governo e o grupo Pestana, são as Pousadas de Portugal. E o ‘P’ maiúsculo não é à toa. Pousada lá é bem diferente do nosso conceito de hotel baratinho na beira da praia. Por uma sorte do tarô e da lua nascente em Gotham City, fui conhecer essas pousadas e desfrutar um pouco da vida de pessoas como Dona Maria, a louca – aquela que você aprendeu no colégio, lembra? Ou vai dizer que o único nome que você gravou das aulas de história foi pepino-o-breve? Aliás, voltando à Dona Maria, a Pousada de Queluz era um antigo domínio dela e dizem que, até hoje, é possível escutar os gritos da louca pela madrugada. Dizem que ficou insana quando chegou ao Brasil. Se naquela época ela já enlouqueceu, imagine se chegasse hoje no Rio pela linha vermelha?
Bom, como eu durmo tão leve quanto um hipopótamo grávido, é óbvio que não ouvi nenhum piu da moça. E ai dela se me acordasse.
















