É amiga, é talentosa bagarai e é parceira de um projeto que um dia sai.
Além de tudo isso, agora Carlotas está com exposição no Piola Jardins, chique que só. Bizóiem o convite:
Até lá!
É amiga, é talentosa bagarai e é parceira de um projeto que um dia sai.
Além de tudo isso, agora Carlotas está com exposição no Piola Jardins, chique que só. Bizóiem o convite:
Até lá!

O coração era seu desde o início, não adiantava mais eu negar. Foi de presente com fita e tudo. Mas quando a gente dá um presente, nem sempre a pessoa usa. Coração é igual. A diferença é que o cartão que acompanha o coração costuma incluir uma casa com sofá vermelho e calçada verde, onde beberíamos vinho à vontade.
“Depois que as crianças dormirem, vem ver o que eu preparei para você”. Essa é uma das declarações mais lindas que eu já li. Pense num movimento perfeito de formação de sorriso quando se recebe algo do gênero. Quer dizer, eu acho que a pessoa que ganhou ficou assim. Não sei. Só sei que não fui eu.
Você fez que gostou do presente, mas foi até a loja trocar. Aliás, você não deixou meu coração nem chegar perto do seu. É como se houvesse uma parede lá.
E desde então eu desenho corações em todas as paredes que vejo. Quem sabe um dia encontro a sua e você me convida para entrar, “depois que as crianças dormirem”.
Foto minha, desenho da Carlotas, do pseudo-projeto Lente com Lápis.

Quando seu corpo está na água, ele reverbera aquele estado líquido. Seus músculos parecem uma gelatina, as coisas penduradas no tronco não pesam mais, você ouve o som das algas acalmando a salva de palmas dos moluscos bípedes. O seu ouvido passa a ser mais importante do que seu olho para perceber o mundo, diferente do que acontece na vida com pó. Tudo parece vibrar de outro jeito, meio molenga, meio gingado.
Quando você está no ar, em cima da terra mas sem nenhum ponto de apoio, seu corpo também adota outro estado. É um estado de liberdade, passagem, adrenalina. Nada mais pesa até que você entre em contato com outra superfície. O que acontece na verdade é que um anjo vem até você e resolve te dar de presente para a massa de ar mais próxima. O único problema é que as massas de ar costumam ser desfocadas e te deixam cair rapidinho.
Mas nem por isso elas são grosseiras. São simplesmente desastradas. E ponto.
Foto minha, desenho da Carlotas, do pseudo-projeto Lente com Lápis.

(som ambiente alfa-efe-eme)
- Sabe, às vezes sinto que ele não tá lá quando eu quero falar de coisas que me incomodam, que nem a voz irritante daquela mulher que trabalha comigo. Ele não percebe como isso pode me me fazer mal, já que a mulher fica o dia inteiro ao meu lado, falando, falando, falando, me irritando, me irritando, me irritando.
- …
- Deve ser por isso também que minha auto-estima anda que nem bêbado no centro, caindo de um lado pro outro, só ficando bem no auge do álcool. Quando o efeito passa, adeus bem-estar. (respira, olha para o lado, mexe compulsivamente no colar de pérolas). Você se incomoda de me dar um cigarro? Sabe o que é, eu não fumo, mas nesses momentos um trago cairia bem.
- Sim, claro.
- E você, me conte algo da sua vida… O que faz, por que está aqui nessa sala de espera, sei lá, diga algo (que encubra minha solidão).
- Bonitos seus sapatos vermelhos.
(fim de cena, corte seco na imagem, continua apenas o som ambiente)
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Desenho da Carlota sobre foto minha, do pseudo-projeto Lente com Lápis.

Carlotas se inspirou nesse post e mandou a proposta: posso desenhar sobre as suas fotos? Mas é claro que sim, sem a menor sombra de dúvida. Não preciso nem dizer que amei o resultado, né?
Imagino que o pequeno esteja perguntando Patch Adams, você é médico ou palhaço? e Patch, categórico, responde Sou um palhaço que estudou medicina.
Ah, tá…
Esse é apenas o ‘prefácio’ do projeto. Aguardem.