Category archives: Cultura

música bem boa

Bons momentos devem ser vividos, absorvidos, registrados e, quando possível, disseminados:

[video]http://www.youtube.com/watch?v=U6NoIqBpxkY[/video]

E só de ver esse vídeo já me sobre uma vontade imensa de dançar, sentindo as bolhas crescendo no pé descalço com areia até o sol dizer chega. Ô dilíça.

Outro flagrante bom desse show foi a virtuose engraçadinha dos moços no palco:

[video]http://www.youtube.com/watch?v=srhRs5zGtbU[/video]

Beijos pros amigos mais próximos Leo Rodrigues (pandeiro), Alexandre Ribeiro (clarinete) e Danilo Brito (bandolim) e para os futuros amigos Carlos Malta (flauta), Ricardo Herz (violino), Alessandro Penezzi (violão), Luizinho 7 Cordas e Milton Mori (cavaquinho).

perfil: fui tagueada

Eita, tagueada pelo Daniel! Então vamos lá (ô post comprido!):

Último livro comprado

  • :: Cuba por Korda, Alessandra Silvestri-Lévy e Christophe Loviny: fotos e textos do país de Fidel

Estou lendo agora

  • :: ando exatamente na entressafra. Acabei Dez mil, de Andrea Kerbaker e tô na dúvida se começo Adam, filho de cão, de Yoram Kaniuk, O Riso, de Henri Bergson ou The new rules of marketing and PR, de David Meerman Scott. Update: escrevi um pouco desse post ontem e deixei o restante pra hoje. Nesse meio tempo, já comecei um outro livro: Ex-libris, Anne Fadiman. Como vocês podem ver, a escolha do livro costuma ser bem impulsiva

Número de livros que eu tenho

  • :: 117. Mas se você me der um livro amanhã, ficarei com 118. Que tal?

Três livros que significam muito para mim

  • :: No one belongs here more than you do, Miranda July: singelezas que só a Miranda é capaz de colocar em letras
  • :: Charlie Chaplin, o próprio: autobiografia de um moço de muito valor e sensibilidade com o mundo
  • :: Meninos verdes, Cora Coralina: é o primeiro livro que me lembro de ter lido e viciado, ainda criança. Tenho até hoje a imagem dos meninos verdes na cabeça

Últimos filmes que vi

Filmes que significam muito para mim

Último “cd” que eu comprei

Música que está ouvindo agora

Três músicas que significaram muito pra mim

Bebida favorita

  • :: com sol, chá verde
  • :: com lua, cachaça

Entidade favorita

  • :: a que mistura o bom humor e a singeleza

Férias favoritas

  • :: a próxima, que inclui Cuba e Recife. Chato, né?

Vício favorito

  • :: pessoas (conversar, abraçar, fotografar, cheirar, conhecer)

Pronto, minha parte acabou. Agora eu queria saber tudo isso aí desse povo aqui:

Mas já aviso que esse post dá trabalho. E olha que eu nem falei de Metamorfose, Samba e amor, Cantando na Chuva, Sabiá, MAUS, Dream a little dream, Waking Life, eita mundão grande cheio de coisa boa… Essa lista é praticamente uma obra a la Merz.

círio de nazaré

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E de repente aquele monte de gente surge pela Presidente Vargas. Começa devagar, uma promessa aqui, uma cantoria ali, o que eu prometeria se estivesse no lugar deles? O Círio de Nazaré é sempre no segundo domingo de outubro e por algum elemento de sorte do universo eu caí em Belém do Pará exatamente nesse dia. Nesse dia que é mais importante que o Natal, nesse dia que recebi o convite amável de um moço no avião, oferecendo a casa do sogro. A gente reúne a família inteira, vê a procissão pela janela. É bem bonito, sabe, todo mundo em casa, eu, minha mulher, meus filhos, meu sogro, vendo a santa passar. Obrigada – agradeço o convite – é bom pensar que às vezes podemos confiar em estranhos. No que será que os 2,7 milhões de estranhos do Círio de Nazaré confiam? O que eles prometem? A dor e o sofrimento parecem ser o meio de demonstrar tudo, colocar em público a força que oferecem para que as promessas sejam cumpridas. Uns ajoelham, outros levam velas em forma de pé-cabeça-braço, outros levam miniaturas de casas e barcos, outros levam cruzes. Alguns levam somente o coração apertado e cheio de fé.

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No Les Éphémères a criança pergunta à avó o que é fé. A avó fica muda, entra a trilha, acaba a cena. Fé é o que eu vi lá. É a cena dantesca de corpos e mais corpos migrando num passeio brutal e quente. É ver na sua cara mais um Jesus da vida, carregando a cruz como se tivesse traído a nação inteira com o culto a mais de um santo. É a senhora que caminha aquilo tudo com o punho no coração e o olhar no horizonte. E pensar que ela deve fazer aquilo desde que se conhece por gente. Acho que a gente faz promessa para se conhecer como gente. Mas, afinal, é possível pagar de algum jeito? Martírio é um jeito de quitar dívida? O amor só é bom se doer?

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Círio tem origem na palavra latina Cereus, que significa vela grande. Velas grandes se confundem com macas durante a procissão. Corpos desistem desafiando o cérebro e desmaiam. As macas liberam o caminho para que as velas continuem seu rumo à basílica. Completar o caminho é o objetivo, seja segurando a corda, seja jogando água nas pessoas que seguram as cordas, seja com seu modo próprio de demonstrar o boleto da promessa pago e assinado embaixo, com registro em cartório.

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As cenas parecem dar tapas na cara, hey, o que você está fazendo aqui? Você acredita nisso ou não? Zero-um, vai pedir pra sair, zero-um? A procissão segue, a lente registra, a santa passa. Aprendo mais uma palavra – berlinda – a carruagem que leva a imagem da santa e, por isso, está no centro e chama atenção. É, faz sentido. Talvez uma das únicas coisas por lá que faz sentido de maneira racional. O restante, só sentindo mesmo.

vale encantado mesmo

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Em 2003, Deto Montenegro, diretor da Oficina dos Menestréis, se propôs a direcionar seu treinamento, em um curso específico e experimental, a um grupo de 20 cadeirantes (pessoas que usam cadeiras de roda), adaptando seus exercícios e criando uma nova visão do que é ser menestrel.

O resultado está aí nessa imagem que me deixa arrepiada até agora. A cadeirante abandona a cadeira e sobe na lira, voando livre, leve e solta. Algo que, preconceituosamente, a gente costuma pensar que é impossível.

É claro que isso é só um pedacinho da peça Vale Encantado, que conta com cadeirantes e deficientes visuais, mas já dá para sentir qual a vibe do negócio. Parabéns ao grupo inteiro, aos que só andam, aos que só enxergam, aos que mexem só um pedaço e aos que mexem tudo. Principalmente, aos que sentem e demonstram.

Detalhe: eu praticamente afoguei a máquina para fazer essa foto, já que estava aos prantos com a cena. Mais fotos, molhadas ou não, no meu Flickr.

religião + profissão

Yom Kipur é o seu deadline para provar para o cliente que o job foi bem feito.

E garantir o fee do ano que vem.

desapego, porém divulgação

Desde janeiro deste ano, a artista plástica Tanya Serra ‘perde’ esculturas por Barcelona. Ela as deixa em algum lugar da cidade e, em seguida, usa cartazes bem simples para divulgar:

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Os cartazes direcionam ao site Cera Perdida, que explica um pouco mais do projeto. O que mais me intrigou foi que qualquer um pode levar a estátua para onde quiser: pode ganhar um presente pra casa, pode vender na esquina ou pode simplesmente utilizá-la para prender a bicicleta. Só em Barcelona mesmo.

Eu sempre fui simpatizante da idéia de fazer da cidade uma exposição a céu aberto. Mas não se pode negar que essa é uma maneira interessante – e cara – de divulgar o próprio trabalho.

os percursores

Nos meus tempos de cabelo comprido, rolou uma banda de um dia só. ‘Um dia só’ porque fizemos coisas unitárias: um show só e um clipe só. Mesmo sendo rápido, foi uma época bem bacana. Achei o clipe que gravamos no Teatro Philip Kotler, lá na ESPM.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=PVFN6elZbuI[/video]

Percursores – A banda de um dia só 

Voz e violão: Lucas Mayer (mais algumas coisas que ele faz)

Cajón: Pithy (é ‘o cara’ do cajón aqui no Brasil)

Bongô: Barba

Sapateado: eu mesma

sensibilidade e treino

Uma das cenas mais lindas que já vi ao vivo.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=wx2iL0lY2GM[/video]

Slava Snowshow.

a bagaceira de val pinheiro

Alucinógeno. Eu não consigo encontrar outra palavra para o espetáculo Bagaceira – A dança dos Ancestrais. Feito por Val Pinheiro e Cia Vatá, o show envolve sapateado, corpos brincantes e desafiadores, música ao vivo, cultura popular brasileira e mais algumas coisas que eu não sei nem explicar.

Estão em turnê nacional e a passagem por Sampa foi bem breve. Mas pelo menos deu para matar as saudades de Val e ter o prazer de conhecer toda a galera do Ceará. E para vocês, deixo o gostinho do espetáculo virtualmente (para os sapateadores-leitores, reparem no passo ‘segredo’ da Val):

[video]http://www.youtube.com/watch?v=GGFPNtbIaLI[/video]

Outra coisa bacana que a Val faz é publicar os work-in-progress dos espetáculos dela. Para quem se interessa por construção, criação e evolução, é um prato cheio.

dia do sapateado

Muita gente não sabe, mas há 14 anos atrás eu comecei a sapatear. Desde então, nunca mais parei. É fato que a intensidade oscilou, mas a vida é assim. Não é para sempre que você vai poder ver Chaves depois do almoço e dormir até a hora de ir para a aula de dança. De qualquer jeito, o fascínio pelo movimento dos pés ainda é forte. Quando vejo sapateado parece que sobe um negócio, um brilho, um arrepio. Aquela frase na cabeça que fica repetindo: que irado.

Hoje, 25 de maio, é dia do sapateado. Mais precisamente, dia do nascimento do Bojangles, o Bill Robinson. Bojangles começou a dançar com 6 anos e marcou a história com seus pés negros. Aliás, a famosa cena que Shirley Temple protagoniza ainda criança é na companhia de nada mais nada menos que Bojangles.

Bojangles e Temple

Bojangles e Shirley Temple eram adeptos do sapateado americano, a mesma linha que eu sigo. Na verdade, a linha mais famosa, a que todo mundo identifica como sapateado. Mas o sapateado possui variações. O sapateado americano tem como origem um mix de tamancos holandeses com a percussão africana e utiliza sapatos de madeira com chapinhas de metal. Já o irlandês usa sapatos de madeira sem chapinha e possui uma postura marcante e bem rígida. O flamenco é um sapateado espanhol, com sapatos de madeira sem chapinhas também (com exceção de dançarinos que utilizam um metal só no calcanhar). São técnicas bem distintas. Se me jogarem numa aula de irlandês ou de flamenco, tenho certeza que o choque vai ser grande.

Outros tipos de sapateado são o boot dance e as danças circulares brasileiras. O boot dance é uma técnica que surgiu na África, feita com botas de borracha – que nem aquelas galochas que você usava quando era criança. As danças circulares brasileiras também são influenciadas pelo sapateado, seja em ritmo de coco, baião, maracatu, cavalo marinho, jongo e por aí vai. Normalmente são feitas com os pés descalços ou com sapatinhos leves. Acho que conflitam mais com as três técnicas que apresentei acima por serem feitas em direção ao chão, enquando as outras podem ser feitas ‘pensando para cima’. Lembro de ter visto uma farra do boi na Paraíba com um belo sapateado. Eu estava sentada no chão, maravilhada com aqueles pés todos juntos fazendo som e empoeirando as faixas coloridas das roupas.

Bom, já falei escrevi demais. Agora, como comemoração, deixo uma cena de duelo que eu adoro entre negros do sapateado americano e brancos do sapateado irlandês. Sou suspeita para falar, mas tirem suas próprias conclusões sobre cada técnica:

[video]http://www.youtube.com/watch?v=ShgAXNHIEbs[/video]

Para quem ainda não overdosou, essa compilação de cenas é linda. Vale a pena curtir cada passinho e performance. E para quem não overdosou e, ao contrário, se empolgou muito, deixo uma dica preciosa. A Cia Vatá, comandada pela cearense Val Pinheiro, fará shows em São Paulo de 12 a 14 de junho. Pense numa mulher que sapateia muito bem do tipo que dá-aula-em-Nova-Iorque. Agora pense que essa mesma mulher é filha de mestre de reizado, ou seja, praticamente o símbolo da cultura de raiz brasileira. Junte a essas duas características um tiquinho de insanidade e muita paixão. Pronto, essa é a Val Pinheiro. Já tive aulas com ela, mas nunca vi o espetáculo ao vivo. Ou seja, sigam me os bons.