Via @lidifaria
Category archives: Cozinha
perupatolinha
03Jan11O turducken é um prato típico de Thanksgiving – festa de Ação de Graças – e foi carinhosamente apelidado aqui como Perupatolinha. Basicamente temos um peru que é recheado com um pato que é recheado com uma galinha. Entre cada uma das aves, uma farofa diferente compõe o monstrinho final. É delicioso e bem trabalhoso de ser feito. Na primeira vez eu fiquei tão estarrecida que não consegui direito registrar o momento. Dessa vez, o processo foi mais tranquilo e teve direito até a um stopmotion. Senhoras e senhores, perus e peruas, com vocês…. @perupatolinha!!!
je love thai
20Oct10Depois de controlar a ansiedade por dias intermináveis, finalmente a aula de cozinha thai com o Hugo Antares na Escola Wilma Kovesi aconteceu (aquela que eu ganhei de presente do Cozinha Pequena). Lá estava eu, na minha segunda aula de culinária da vida, dessas que você vai a um lugar e fica com a eterna vontade de pegar todas aquelas panelas e sair correndo pela rua. O Hugo e a cozinha thai são igualmente simpáticos. Uma explosão de cheiros e sabores que devem ser sentidos de acordo com a ordem estabelecida, variando entre doce, salgado, azedo e pimenta. A cozinha thai tem uma complexidade de sabores que nós, herdeiros ortodoxos dos sabores europeus, não estamos acostumados. Além disso, pela própria localização, os ingredientes são bem estranhos (no sentido de “não conhecido”). Confesso que às vezes eu me perdia no curso porque nunca havia ouvido falar no negócio e ficava tentando adivinhar o que era e onde eu poderia comprá-lo, até a hora que eu desisti e lembrei que eu sempre posso perguntar isso pra Let, minha personal wikipedia culinária. Experimentei galanga, um tal de primo do gengibre (foto abaixo). Me convenci de que preciso de uma wok para ser totalmente feliz nessa vida. E lembrei o quão importante é fazer as coisas com paixão e sentir aos poucos todos os sabores que devem ser sentidos.
- Garçom, pufavô, me vê um curso eterno na Wilma Kovesi, de preferência com a Deh e com a Let?
Mais fotos no Flickr.
se joga no paad thai
04Oct10Daí que eu fui parar num concurso lá no Cozinha Pequena que resolveu dar uma aula de cozinha tailandesa. Para concorrer, era necessário responder “por que você seria o merecedor desta aula”. E logicamente meu cérebro começou a trabalhar para dar uma resposta brilhosa para cogitar ser a vencedora. E tchananananana… Escondam suas pimentas, caso contrário roubarei todas já que eu ganhei a tal da aula!
Atentem para o raciocínio da minha resposta ao concurso:
1. comida tailandesa = paad thai (não só, mas um dos meus preferidos)
2. sonho fofo = piscina de macarrão do Patch Adams
logo,
3. sonho de felicidade da MaWá = piscina de paad thai
Ok, eu parei mil vezes para pensar na sensação que seria mergulhar num treco apimentado. Mas a cena do Patch Adams é tão forte e tão singela que eu achei que valia o raciocínio. E você não entendeu a minha resposta, vai naquele link do começo do post e leia de uma vez.
E me aguardem, pois depois da aula na Escola Wilma Kovesi, eu dominarei o mundo dos paad thais da cidade de São Paulo. E tenho dito.
Observação: essa é a piscina dos sonhos na versão salgada. Na versão doce, é óbvio que seria uma de Nutella.
charuto de uva
08Aug10Eis que, após uma sugestão da Dadivosa, resolvi fazer uma aula de culinária na gringa, mais precisamente em Istambul. Para comprovar meus dotes culinários e não ficar só no papinho, fiz hoje a receita de charutinho de uva que aprendi lá. Modéstia a parte, o público atacou os pobrezinhos pareceu bem satisfeito aqui em casa. Vamos aos detalhes:
Ingredientes
25 a 30 folhas de uva
Recheio:
- 350g carne de cordeiro moída
- 2 cebolas
- 120g de arroz
- 1/2 xícara de molho de tomate
- 1 cc azeite de oliva
- Dill
- Hortelã
- Pimenta vermelha seca
- Açúcar, sal e pimenta do reino
Caldo:
- 1/2 xícara de molho de tomate
- 150ml de água
- 1 limão siciliano
- 2 cc azeite de oliva
Como fazer
Coloque as folhas de uva lavadas em água fervente. Quando a folha amolecer um pouco e ficar com a cor acima, tire da água e reserve. Mistures todos os ingredientes do recheio, sendo que a cebola deve ser processada. Nessa vez que eu fiz, eu esqueci de processar e coloquei apenas picada. Não ficou ruim, mas acho que do outro jeito é mais suave e mais fácil de enrolar o charutinho depois.
Prepare um lugar na cozinha para dar início à manufatura do charuto Em primeiro lugar, separe folha por folha da uva e corte o cabinho. É pequeno, mas faz toda a diferença na hora de enrolar. Feito isso, coloque a folha com as ranhuras para cima, para que a parte brilhante fique para fora e deixe o prato mais bonito. Coloque uma linha de recheio, dobre as laterais para dentro e enrole apertando o conteúdo.
Desde já deixe os charutinhos bem próximos uns dos outros, para evitar que a folha solte ou qualquer coisa do gênero. Disponha numa panela legumes cortados e temperinhos (usei abobrinha, cebola e alho), formando uma “caminha” para os charutos. Em seguida, faça uma camada de folhas de uva soltas e, por cima, coloque os charutinhos bem apertados. Cubra com mais uma camada de folhas de uva, disponha rodelas do limão siciliano e dill e, por cima disso tudo, jogue o caldo.
Para que os charutinhos não bóiem durante o cozimento, a dica é colocar pratos por cima.
Cozinhe por uns 40 a 50 minutos, com tampa, em fogo médio. Na verdade, eu sou meio avessa a quantidades e tempos pré-estabelecidos, mas o importante é que o caldo não seque. Se ele secar ou ficar abaixo do nível dos charutos, eles demorarão mais para cozinhar, além de ficarem ligeiramente secos.
A sugestão turca era servir os charutinhos com coalhada seca, mas o povo aqui em casa foi tão rápido no gatilho que eu até esqueci de pegar a coalhada na geladeira. É, coalhada, perrrdeu praybói. Vai ter que ficar pra próxima.
fluden
02Aug09O fluden é um doce de origem russa, comumente servido em festas e comemorações. Sou suspeita, mas o da minha avó é considerado um dos melhores do bairro.
Ingredientes
- 3 xícaras de nozes (já trituradas)
- 3 fatias de pão de forma (se já estiver triturado, é 1,5 xícara)
- 2 xícaras de uva passa
- açúcar a gosto (maomeno 3 xícaras)
- sal de limão
- raspas de limão
- 3 xícaras de farinha de trigo
- 3 colheres de óleo
- 2 ovos
- óleo
- canela
- 1 pote geléia de morango
Como fazer
Misture numa tigela as nozes, o pão de forma, a uva passa, o açúcar, o sal de limão, as raspas de limão e a canela. Não coloquei a quantidade de canela acima porque, segundo a Vó Clara, depende do paladar da casa. Reserve.
Momento massa: misture a farinha, o óleo e 1 ovo + 1 gema numa tigela (separe a clara que restou porque utilizaremos depois). Prepare a massa com o shiatsu básico de fazer massa. Adicione farinha se achar que a massa continua muito úmida, mas cuidado para não colocar farinha demais. Descanse um pouquinho e abra a massa.
Para preparar o fluden, minha avó revelou um segredo que ela aprendeu com uma tia, uma espécie de “falsificação de massa folhada”. Para fazer isso, você deve misturar a clara que restou do ovo com óleo. Vá adicionando óleo aos poucos e misturando, até que a mistura fique com a aparência abaixo. É isso que vai deixar a nossa massa com jeito de folhada.
Com a massa aberta (bem fininha), faça uma tira com a geléia de morango, algo com a grossura de uns 3 dedos. No restante da massa, espalhe a mistura de clara e óleo e, em seguida, adicione o recheio de nozes e cia.
Enrole tudo fechando as laterais com a própria massa. Passe mais um pouco da mistura de clara + óleo em cima, corte em pedaços e leve ao forno médio, por uns 30 minutos – ou até ficar corado.
Salivou? Mais delícias da Vó Clara.
nasce uma dadivosa
02Aug09Não posso negar que minha porção dadivosa foi definitivamente acordada e anda cheia de energia. Nessa onda, aproveitei para fazer sessões com a minha avó Clara, cozinheira de mão cheia (e ponha cheia nisso). Por isso, de agora em diante vocês encontrarão algumas receitinhas por aqui, que estarão compiladas naquela aba lá em cima denominada Vó Clara.
Aproveito ainda para explicar um detalhe das receitas. Ela é avó, é judia e é do interior. Ou seja, uma combinação bombástica para sabores e degustações. No entanto, essas três características resultam em receitas quase impossíveis de serem escritas, porque é um tal de “aí vai 1 ovo só, quer dizer, hummm, ficou claro, pode colocar mais um, hummm, quase, acho que só mais uma gema resolve”. É assim que a minha avó cozinha e assim que estou aprendendo, por isso as receitas serão sempre um pouquinho a mais, um pouquinho a menos. No começo, para pessoas zero-à-esquerda que nem eu, dá aflição. Depois vira costume.
Bom apetite!
macarrão de sábado à noite
24May09Ele disse que eu tinha que escrever a receita, só que eu não sei quanto eu coloquei de cada coisa. Resolvi aprender a cozinhar no modo old school, colocando um pouquinho disso, um pouquinho daquilo e experimentando. O que, de certa forma, me impede de descrever a receita ipsis literis aqui. Mas vamos lá. Comecei com o alho. Nunca quebrei dentes de ninguém, mas me parece que no mundo dos alhos isso é comum. Quebrei-lhe quatro dentes de uma vez só e achei que a dose de violência já era o suficiente. Passei então ao drama da cebola que, para não ser repetitiva, apenas indico o link do momento aqui. Foram pra panela, a cebola e os ex-dentes-agora-caquinhos de alho, junto com óleo e um pouco de azeite. A mistura de óleo e azeite não é nem um pouco cabalística, apenas uma sugestão do meu pai que, ao me ver usando óleo, mostrou-se partidário do sabor do azeite e em instantes me convenceu disto. Enquanto você deixa os alhos e as cebolas fritarem, observe como alguns deles têm vocação para pipoca – e saltam de repente. É engraçado. Em seguida, adicione cubinhos de carne na panela. Eu usei carne cortada para strogonoff, pelo simples motivo de estarem à disposição na geladeira. Nada impede que você use outro tipo de carne ou que você desista da receita e vá jogar boliche. Faça o que te deixa mais feliz. Se você não optou pelo boliche, mexa a carne na panela e assim que achar que ela já está quase cozida, adicione duas latas de tomates nus. Não se acanhe, eles estão nus porque são hippies mesmo, não há o menor problema em expô-los ao público. Nessa hora, você deverá encarnar o modo bruxa da floresta e salpicar os tempeiros como em contos infantis, de preferência com gargalhadas sinistras olhando pra panela. Várias pitadas de sal, algumas de pimenta do reino, um pouquinho de um tempero grego que eu não sei o que é, orégano, ervas finas e pronto. Na panela ao lado, cozinhe o macarrão cabelo de anjo que, ao meu estômago, fica ótimo com molhos pedaçudos. Disponha a comida diretamente nos pratos, decorando-os como nos cartazes de cantinas. Sirva com vinho a gosto.
a primeira cebola a gente nunca esquece
23May09Resolvi encará-la. Deu vontade de fazer uma receita e, por mais que meu inconsciente dissesse o contrário, coloquei logo a cebola na tábua. Cortei as pontas e me desesperei. Como sai aquela casca? Fui com a unha mesmo, puxando de pouco em pouco e pensando no quanto de hidratante de framboesa eu teria que passar para tirar o cheiro. Cortei ao meio já com os olhos semi-fechados. As duas metades se acomodaram na tábua. Nessa hora, lembrei que algumas pessoas haviam me dado dicas sobre como encarar a cebola. A Anitta havia dito algo sobre colocar a cebola na água. Só que eu fiquei confusa com a sugestão – que era esfregar que nem ponta de pepino – e achei que tinha que cortá-la embaixo d’água. Não consegui elaborar um método que fizesse com que ela não fugisse ralo abaixo ou que ela não se espalhasse pela pia inteira. Desisti. Resolvi apenas deixar a água correndo na esperança de que aquilo aliviaria meus olhos, mas a consciência ecológica foi mais rápida. Além da vontade de fazer xixi que aquela água estava me dando. Daí lembrei que a Marilda contou que eu poderia cortar a cebola perto de uma boca de fogão acesa, mas fui obrigada a abandonar a idéia ao perceber que a tábua que eu estava usando era de plástico. Se eu colocasse aquilo no fogão, derreteria a tábua e eu teria um fondue de plástico com bastante cebola. O jeito foi ir na raça mesmo, cortando de qualquer jeito e controlando o arrepio. Só consegui cortar numa direção com a faca, depois peguei um negócio cortante que parece uma meia-lua e terminei o trabalho.
Ufa! A luta valeu a pena. O macarrão ficou bem feliz com o molho de tomates nus, carne e um monte de ervas.









