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resoluções de ano


Os morangos foram pular as sete ondinhas mas, o calor era tanto, que eles viraram calda.

guia mawá recomenda

Salada de folhas verdes com presunto cru, brie, nozes, bacon e batatas com ervas acompanhada de uma taça de Uxmal no L’aperô.

Magret de pato ao vinho porto, purê de mandioquinha, cebolinhas ao caramelo de capim santo e banana ouro do Sal.

Quiche de queijo de cabra com salada no La Tartine.

Macarrão ao vivo – qualquer uma das combinações – no Rong He.

Mexido ao Ponto Chic: presunto picado frito na manteiga, ovos, mistura de queijos fundidos no pergaminho.

Risoto de cordeiro no De La Paix.

antes e depois

Antes

Depois

Da série “comidas geniais”.

ceviche de salmão

Ceviche

Receita da Cozinha da Matilde, sugestão da Gabi.

macarrão de sábado à noite

Ele disse que eu tinha que escrever a receita, só que eu não sei quanto eu coloquei de cada coisa. Resolvi aprender a cozinhar no modo old school, colocando um pouquinho disso, um pouquinho daquilo e experimentando. O que, de certa forma, me impede de descrever a receita ipsis literis aqui. Mas vamos lá. Comecei com o alho. Nunca quebrei dentes de ninguém, mas me parece que no mundo dos alhos isso é comum. Quebrei-lhe quatro dentes de uma vez só e achei que a dose de violência já era o suficiente. Passei então ao drama da cebola que, para não ser repetitiva, apenas indico o link do momento aqui. Foram pra panela, a cebola e os ex-dentes-agora-caquinhos de alho, junto com óleo e um pouco de azeite. A mistura de óleo e azeite não é nem um pouco cabalística, apenas uma sugestão do meu pai que, ao me ver usando óleo, mostrou-se partidário do sabor do azeite e em instantes me convenceu disto. Enquanto você deixa os alhos e as cebolas fritarem, observe como alguns deles têm vocação para pipoca – e saltam de repente. É engraçado. Em seguida, adicione cubinhos de carne na panela. Eu usei carne cortada para strogonoff, pelo simples motivo de estarem à disposição na geladeira. Nada impede que você use outro tipo de carne ou que você desista da receita e vá jogar boliche. Faça o que te deixa mais feliz. Se você não optou pelo boliche, mexa a carne na panela e assim que achar que ela já está quase cozida, adicione duas latas de tomates nus. Não se acanhe, eles estão nus porque são hippies mesmo, não há o menor problema em expô-los ao público. Nessa hora, você deverá encarnar o modo bruxa da floresta e salpicar os tempeiros como em contos infantis, de preferência com gargalhadas sinistras olhando pra panela. Várias pitadas de sal, algumas de pimenta do reino, um pouquinho de um tempero grego que eu não sei o que é, orégano, ervas finas e pronto. Na panela ao lado, cozinhe o macarrão cabelo de anjo que, ao meu estômago, fica ótimo com molhos pedaçudos. Disponha a comida diretamente nos pratos, decorando-os como nos cartazes de cantinas. Sirva com vinho a gosto.

a primeira cebola a gente nunca esquece

Resolvi encará-la. Deu vontade de fazer uma receita e, por mais que meu inconsciente dissesse o contrário, coloquei logo a cebola na tábua. Cortei as pontas e me desesperei. Como sai aquela casca? Fui com a unha mesmo, puxando de pouco em pouco e pensando no quanto de hidratante de framboesa eu teria que passar para tirar o cheiro. Cortei ao meio já com os olhos semi-fechados. As duas metades se acomodaram na tábua. Nessa hora, lembrei que algumas pessoas haviam me dado dicas sobre como encarar a cebola. A Anitta havia dito algo sobre colocar a cebola na água. Só que eu fiquei confusa com a sugestão – que era esfregar que nem ponta de pepino – e achei que tinha que cortá-la embaixo d’água. Não consegui elaborar um método que fizesse com que ela não fugisse ralo abaixo ou que ela não se espalhasse pela pia inteira. Desisti. Resolvi apenas deixar a água correndo na esperança de que aquilo aliviaria meus olhos, mas a consciência ecológica foi mais rápida. Além da vontade de fazer xixi que aquela água estava me dando. Daí lembrei que a Marilda contou que eu poderia cortar a cebola perto de uma boca de fogão acesa, mas fui obrigada a abandonar a idéia ao perceber que a tábua que eu estava usando era de plástico. Se eu colocasse aquilo no fogão, derreteria a tábua e eu teria um fondue de plástico com bastante cebola. O jeito foi ir na raça mesmo, cortando de qualquer jeito e controlando o arrepio. Só consegui cortar numa direção com a faca, depois peguei um negócio cortante que parece uma meia-lua e terminei o trabalho.

Ufa! A luta valeu a pena. O macarrão ficou bem feliz com o molho de tomates nus, carne e um monte de ervas.

yes, we can

Eu já contei por aqui o desastre que eu sou na cozinha, queimando de pipoca de microondas até muqueca largada no fogão em troca de uma piscina. No entanto, minha gente, o mundo mudou. Desde que o Obama disse yes-we-can, eu me convenci de que poderia haver uma relação harmônica da minha pessoa com o fogão.

É claro que tive ótimas influências externas, mas agora posso dizer que começo a engatinhar na cozinha. O engraçado é que eu continuo lesada para certos detalhes e acabo aprendendo na raça mesmo. Nada de muito radical, mas algo como pensar em fazer filé de frango em tiras e, após um momento de reflexão, perceber que é mais fácil fazer isso grelhando o bife primeiro e cortando as tiras depois, ao invés de fatiá-lo cru. Isso pode parecer babaca, mas é uma bela diferença no momento crucial de montar o macarrão com páprica, tomate, fatias de frango e castanha de caju salpicada.

Outra coisa que eu venci – hoje, pra ser sincera – foi a panela de pressão. Eu sempre escuto umas histórias de cozinhas que foram destruídas pela panela, coifas arrasadas, feijão em todos os cantos do azulejo e, por isso, cultivava um certo pavor. Resolvi preparar uma sopa de abóbora com gengibre e usei a tal da panela. Durante o processo, continuei com a idéia de que seria ejetada da cozinha coberta com abóbora e salsinha, mas tudo deu certo. A receita? Abóbora, gengibre, alho, salsinha e caldo de frango. Coloque tudo na panela de pressão, espere fazer barulho, aguente mais uns 15 minutos em fogo baixo, olhe pra panela soltando a pressão e prepare-se para morrer, abra-a, agradeça a quem quiser por não ter sido morto pela panela, bata tudo no liquidificador e sirva, com frango desfiado a gosto.

Volto a dizer: esse mundo é totalmente novo pra mim. Ainda peno um monte para fazer as coisas sem lesar e ficar horrível. E tenho consciência de um problema futuro: cebola. O treco vai em tudo que é receita e eu sou péssima em lidar com estes seres que te fazem chorar. Um dia, quem sabe, quando o Obama erradicar a fome no mundo e disser yes-we-fucking-can, talvez eu me convença de que posso lidar com elas.

dança comigo?

Vocês não têm idéia de como eu ando dadivosa ultimamente. Nem eu tenho essa idéia porque, quando vejo, já estou lá cheia de farinha, colher e panela na mão. Só que eu também não consigo largar a máquina fotográfica nesses momentos e, no meio da confecção do Perupatolinha, fui obrigada a convidar os perus (temperados) para uma dança.

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Ah, em breve, muitos detalhes e fotos de minhas aventuras dadivosas por aí. Sim, isso soou que nem chamada de filme da sessão da tarde.

era pra vinte, dava pra trinta

Oito mãos, dez horas, cinco quilos de arroz, sei-lá-quantos de peixe e várias risadas.

Era um jantar de vinte pessoas, mas como foi feito numa casa judaica, era óbvio que dava pra trinta.

garçom, pufavô…

Babem. Em Portugal, esses foram os itens que formaram minha base alimentar.

Alheira (linguiça de farinha utilizada pelos judeus para disfarçarem a religião) acompanhada de bacon.

Polvo (grelhado, talvez) com cebola assada, servido sobre batatas ao murro. Sim, eu tenho tique de colocar fotos verticais aqui, por isso ele está deitado.

Leitão (alguns defendiam a tese de que era uma leitoa) com batatas assadas e laranjas.

Leite-crema de acordo com os portugueses, mas é o famoso crème brûlée.

Arroz de pato com paio e bacon (embora o paio deles seja diferente do nosso).

Flor de jamón com salada-linda e um molho que tinha azeite, vinagre, sal e molho inglês.

Peixe grelhado com molho de maracujá, espinafre e folha crocante de batata.

Sorvete de menta, chocolate com folha de menta in natura e mousse de chocolate sobre cookie de chocolate. Olha, todas as sobremesas portuguesas incluem ovo e são deliciosas, mas essa daí pegou nos meus pontos mais fracos: chocolate e menta.

Raviole de abobrinha recheado de ricota e espuma de canela.

Manteiga de leite de cabra. Genial. Quando perguntamos onde comprá-la, o garçom disse que havia um único produtor disto em Portugal e que a produção dele era consumida inteira pelo hotel. Ou seja, só dá pra comer lá mesmo.

Escalopes com um molho semi-doce, acompanhado de uma espécie de risoto de batata palha e shitake. Havia também uma geléia pra comer com a carne, mas isso eu nem curti.

Torta crocante de maçã, groselha em cima para enfeitar, abacaxi abaixo e creme de manga com espuma de côco e folha de agrião (eu nunca havia visto a groselha em fruta).

É claro que depois de toda essa comida, digamos, leve e saudável, a caganeira virose apareceu e me fez dedicar vários momentos aos banheiros portugueses. Mas foi, sem a menor dúvida, o piriri mais válido que eu já tive.

O jeito foi controlar um pouco a alimentação, com exceção apenas para o crepe de nutella com banana em Paris. Afinal, não é todo dia que se chega em Paris com a neve caindo dos céus. Mas isso vai ficar pra outro post, já que este já está concorrendo ao ‘post mais longo do mundo inteiro’.