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charuto de uva

Eis que, após uma sugestão da Dadivosa, resolvi fazer uma aula de culinária na gringa, mais precisamente em Istambul. Para comprovar meus dotes culinários e não ficar só no papinho, fiz hoje a receita de charutinho de uva que aprendi lá. Modéstia a parte, o público atacou os pobrezinhos pareceu bem satisfeito aqui em casa. Vamos aos detalhes:

Ingredientes

25 a 30 folhas de uva

Recheio:

  • 350g carne de cordeiro moída
  • 2 cebolas
  • 120g de arroz
  • 1/2 xícara de molho de tomate
  • 1 cc azeite de oliva
  • Dill
  • Hortelã
  • Pimenta vermelha seca
  • Açúcar, sal e pimenta do reino

Caldo:

  • 1/2 xícara de molho de tomate
  • 150ml de água
  • 1 limão siciliano
  • 2 cc azeite de oliva

Como fazer

Coloque as folhas de uva lavadas em água fervente. Quando a folha amolecer um pouco e ficar com a cor acima, tire da água e reserve. Mistures todos os ingredientes do recheio, sendo que a cebola deve ser processada. Nessa vez que eu fiz, eu esqueci de processar e coloquei apenas picada. Não ficou ruim, mas acho que do outro jeito é mais suave e mais fácil de enrolar o charutinho depois.

Prepare um lugar na cozinha para dar início à manufatura do charuto Em primeiro lugar, separe folha por folha da uva e corte o cabinho. É pequeno, mas faz toda a diferença na hora de enrolar. Feito isso, coloque a folha com as ranhuras para cima, para que a parte brilhante fique para fora e deixe o prato mais bonito. Coloque uma linha de recheio, dobre as laterais para dentro e enrole apertando o conteúdo.

Desde já deixe os charutinhos bem próximos uns dos outros, para evitar que a folha solte ou qualquer coisa do gênero. Disponha numa panela legumes cortados e temperinhos (usei abobrinha, cebola e alho), formando uma “caminha” para os charutos. Em seguida, faça uma camada de folhas de uva soltas e, por cima, coloque os charutinhos bem apertados. Cubra com mais uma camada de folhas de uva, disponha rodelas do limão siciliano e dill e, por cima disso tudo, jogue o caldo.

Para que os charutinhos não bóiem durante o cozimento, a dica é colocar pratos por cima.

Cozinhe por uns 40 a 50 minutos, com tampa, em fogo médio. Na verdade, eu sou meio avessa a quantidades e tempos pré-estabelecidos, mas o importante é que o caldo não seque. Se ele secar ou ficar abaixo do nível dos charutos, eles demorarão mais para cozinhar, além de ficarem ligeiramente secos.

A sugestão turca era servir os charutinhos com coalhada seca, mas o povo aqui em casa foi tão rápido no gatilho que eu até esqueci de pegar a coalhada na geladeira. É, coalhada, perrrdeu praybói. Vai ter que ficar pra próxima.

jantar feito à mão (no caso, a minha)

Esse lance de saber um pouco mais de cozinha deixa a vida mais saborosa.

Pimenta cambuci recheada com cream cheese, mergulhada em molho de tomate, cebola e alho e acompanhada de ovo com gema mole.

marmita dos céus

Marmita fofa de brigadeiro de limão siciliano que eu comprei hoje na Maria Brigadeiro.

Coisas lindinhas dão gosto de ver, né?

elzale (alheira)

Elzale, originalmente, é a pele do pescoço da galinha recheada com farinha. Segundo a minha avó, como a família dela era muito grande, a mãe dela resolveu usar a pele do frango inteiro – não somente a do pescoço – para preparar o elzale. Assim nasceu a receita abaixo que não deixa de ser uma “espécie de alheira”, se considerarmos que é um monte de farinha envolvida em pele.

Ingredientes

  • Pele de 1 frango inteiro
  • 3 ½ xícaras de farinha de trigo
  • 5 colheres de sopa de cebola processada
  • 2 dedos de óleo
  • Cenoura
  • Salsão
  • Sal a gosto

Como fazer

Retirar a pele de um frango inteiro com uma faquinha. Costurar a lateral para ele virar uma espécie de “saco”.

Misturar os ingredientes do recheio – farinha, cebola e óleo – e colocar dentro da pele. Costurar novamente de cabo a rabo, para que o recheio não saia pelas laterais. Preparar numa panela um caldo com água, salsão, sal e cenoura (yuch). Quando estiver fervendo, colocar o elzale dentro para cozinhar.

Dica: aqui em casa, faça enchente chuva ou faça sol, tem caldo pronto para tomar a qualquer hora. Por isso, depois de tirar o elzale de lá, aproveite para congelá-lo.

Depois de cozido, é só servir direto ou dourá-lo um pouco no forno para ficar mais bonito.

língua

Eu não sei dizer por que a língua é uma comida “judaica”, mas é fato que essa carne faz parte da maioria das famílias ashkenazis. Posso dizer que seu sabor é inversamente proporcional à reação – comum – de nojinho da peça de carne. Como vocês podem ver, sou fã confessa. Vamos à receita:

Ingredientes

  • 2 línguas
  • 1 pimentão
  • 4 colheres de sopa de cebola processada
  • ½ colher de sopa de alho processado
  • 4 colheres de sopa de farinha de trigo
  • Folhas de salsão
  • Temperos (o que tiver em casa)

    Como fazer

    Preparo da língua

    Se a língua estiver no modo “material bruto”, tirar tudo o que você achar estranho nela. Em seguida, cozinhar a língua na pressão por 30 minutos com água, louro, pimenta da Jamaica e “temperos” para tirar o cheiro. Esperar esfriar no próprio caldo e colocar na geladeira para que a gordura suba. Retirar a gordura e limpar o restante. Reservar.

    PS: Quando você é begginer ou faz compras depois das 22h, é comum que você encontre apenas a língua tal qual ela saiu do boi. Por isso, você tem que encarnar o limpador de limo humano e preparar a carne. Eu mesma não passei por essa experiência – não que eu não seja begginer – mas porque alguém fez por mim. Quando você resolve perguntar para quem conhece o assunto, um novo mundo se apresenta: línguas limpas são vendidas na feira, a um preço gente-fina e “tira-stress-limpa-limo”. Fica a dica.

    Processar o pimentão, a cebola, o alho e o salsão. Colocar essa mistura com a língua na panela de pressão, cobrir a com água e levar ao fogo por quarenta minutos.

    Retirar a língua da panela e fatiá-la, colocando numa travessa. Diluir 4 colheres de farinha de trigo no molho que restou da panela para engrossá-lo um pouco.

    Em seguida, jogar o molho em cima e servir. Fica incrível e extremamente macia.

    knishkale

    O knishkale é um carinho em forma de comida, mais uma das invenções do leste europeu que magicamente transforma farinha, batata, ovo e óleo em coisinhas maravilhosas, cobertas com gergelim.

    Ingredientes

    Recheio:

    • 6 batatas
    • 4 cebolas

    Massa:

    • 3 xícaras de farinha
    • 1 ovo e 1 gema
    • 3 colheres de sopa de óleo

    Como fazer

    Recheio:


    Cozinhar as batatas, retirá-las rapidamente da água e processá-las. Reserve. Processar a cebola (sem que ela fique muito pequena) e fritar. Cada vez que a cebola ficar marronzinha, adicionar água para hidratá-la e esperar secar novamente. Repetir esse processo de 3 a 4 vezes. Misturar a batata à cebola e temperar com sal e pimenta do reino. Deixar esfriar.

    Massa:

    Misturar a farinha, o ovo + a gema e o óleo. Enquanto mistura, adicionar água morna com sal aos poucos, até que a massa tenha liga (aproximadamente 250ml de água). Deixar a massa descansando.


    Abrir a massa em forma redonda e deixar bem fino. Colocar duas colunas de batata e enrolar as laterais. Eu sei, a explicação é meio esquisita, mas tem que ficar assim:

    Cortar a massa ao meio, de modo que sobre um rolinho e uma “língua”de massa, para que você corte em retângulos.

    Agora vem a parte “craftswoman”. Com essa parte é uma das mais ninjas, preste muita atenção no passo a passo:
    1- Pegue um retângulo e concentre-se;
    2- Puxe a linguinha da massa para cima, já cobrindo uma das laterais por onde se vê a batata escapando;
    3- Use a língua de massa para circundar o knishkale e, com serenidade, empurre a massa no topo;
    4- Feche o knishcale apertando delicadamente e trate de deixá-lo redondo, caso contrário a Vó Clara vai te dar uma bronca.

    Umedeça a parte de cima com uma mistura de óleo e clara (quase com textura de maionese) e passe no gergelim. Regar com um pouco de óleo e assar até dourar.

    arroz com macarrãozinho

    Arroz com macarrãozinho é o nome que dávamos quando o prato era servido na infância. De influência árabe, sempre foi uma das especialidades da minha avó. É bem fácil de fazer e bem gostoso de comer.

    Ingredientes

    • 5 “gomos” de macarrão cabelo de anjo
    • 2 ½ xícaras de arroz

    Como fazer

    Fritar o macarrão cru no óleo até que ele fique bem moreno. Não, não vai cebola nesse aqui.

    Acrescentar o arroz e dois “cabrechinho” (caldo) de galinha. Misturar tudo, colocar água e pronto.

    repolho agridoce


    Comidas do leste europeu são normalmente comidas de baixo custo, por motivos óbvios. O repolho abaixo é bem interessante, quebrando as receitas salgadas e dando um toque agridoce ao prato. O uso de ameixa já traz uma influência sefaradi, na receita que minha avó aprendeu com sua sogra. Ingredientes

    • ½ repolho verde ou roxo
    • 250 g de ameixa preta sem caroço
    • 200 g de uva passa preta
    • Sal comum
    • Sal de limão
    • Açúcar

    Como fazer

    Refogar 6 colheres de sopa de cebola processada. Adicionar o repolho picado, a ameixa, a uva passa e sal comum e, com a panela coberta, deixe cozinhar em fogo médio. Colocar, alternadamente, sal de limão e açúcar até chegar ao paladar agridoce ideal.

    resoluções de ano


    Os morangos foram pular as sete ondinhas mas, o calor era tanto, que eles viraram calda.

    guia mawá recomenda

    Salada de folhas verdes com presunto cru, brie, nozes, bacon e batatas com ervas acompanhada de uma taça de Uxmal no L’aperô.

    Magret de pato ao vinho porto, purê de mandioquinha, cebolinhas ao caramelo de capim santo e banana ouro do Sal.

    Quiche de queijo de cabra com salada no La Tartine.

    Macarrão ao vivo – qualquer uma das combinações – no Rong He.

    Mexido ao Ponto Chic: presunto picado frito na manteiga, ovos, mistura de queijos fundidos no pergaminho.

    Risoto de cordeiro no De La Paix.