Foto: Manjoca e Sofia
Raí tinha poucos anos e já estava careca. A máscara de hospital só nos deixava perceber suas reações por meio dos olhos, que ora franziam de sorriso e ora dispersavam em outro canto. Viu uma outra criança pelo vidro e nos chamou para vê-la. Quando chegamos, a outra criança já havia saído, mas ele continou com olha-a-criança, olha-a-criança.
Logo em seguida, Raí perguntou o que havia na mala de Manjoca. Sem hesitar, ela respondeu uma criança! Contou-lhe que se chamava Sofia e que em breve eles iriam se conhecer. Raí ficou cabreiro enquanto Manjoca caminhava até a mala. Como poderia haver uma criança lá? Em sua expressão era possível ver a desconfiança e, antes que ele se perdesse em seu próprio olhar, reforcei sua indagação é mesmo, como é possível haver uma criança aí?
De repente, por trás da mala, vimos uma mãozinha surgindo. A mão deu tchau e toda a dúvida de Raí foi embora. Ele sorriu por trás da máscara e retribuiu o tchau de Sofia. Tornaram-se amigos. Abraçou-a, beijou-a e pediu para pegá-la no colo.
Manjoca: Ih, não dá, por causa da mão. (no caso, a dela, que sustentava Sofia)
Eis que Raí responde:
Raí: Que mão?
Para Raí, Sofia era realmente uma criança dentro da mala e – por que não – sua mais nova amiga.