Category archives: Ai que burra

barulhinho no carro

Daí que lá estava eu no mecânico por conta de um barulhinho no carro. Barulhinho no carro deve ser um dos jobs mais odiados pelos mecânicos, porque, sendo um barulhINHO, ele deve ser mais difícil de ser identificado. E, obviamente com a ajuda de Murphy, na hora que eu cheguei lá o barulhinho não queria se pronunciar, enquanto você tem que fazer cara de boa moça para não perder a credibilidade.

- Juro que ele está fazendo esse barulhinho, moço.
- E como é o barulhinho, é como se fosse de água?
- Não, parece um grilo.
- Ah, então é como se fosse um assobio.

Fiquei confusa. Os grilos por acaso assobiam? Que eu saiba não. Aí comecei a pensar em algum outro tipo de animal que fizesse um barulho semelhante. Nada. As cigarras fazem um barulho com “s”, os sapos fazem um barulho esquisito que sai da garganta. Cobra faz outro tipo de som. E aquelas aulas todas da escola começaram a vir à minha cabeça, como se eu fosse obrigada a lembrar dos verbos corretos para os sons dos bichos. Aquele lance de coachar, gralhar e tal. Resolvi mudar a referência.

- Moço, sabe quando tem aquelas cenas de laboratório de cientista maluco? Aí a câmera foca num vidrinho com uma água borbulhando?
- Sei,
disse ele me olhando com uma cara incrédula.
- Pois é, o barulho também lembra isso.
- …

Ele então resolveu mudar de tática. Me perguntou se o barulho sumia quando estava chovendo. Se o barulho era mais intenso quando eu enchia o tanque com álcool. Se o barulho aumentava na primeira marcha ou na quarta. Eu, mais uma vez, era incapaz de responder as questões com um grau mínimo de precisão. Cheguei a fazer cara de muita certeza ao responder, mas não sei se ele acreditou. A única conclusão que eu cheguei é que eu deveria assistir mais CSI para aumentar meu potencial investigativo de observação.

Mexe aqui, cutuca ali, coloca uma fita isolante ali e pronto, meu carro estava liberado. Não tenho a menor idéia se o barulhinho de grilo vai voltar, porque parece que ele foi levado pela última chuva (descanse em paz, pequeno grilo). Mas eu fiquei besta com os outros barulhos que o moço tirou do meu carro: um de borracha no volante quero-meu-WD40 e um outro no porta mala que parecia com um pica pau. Ou seria um sabiá?

mídia impressa

Daí que eu sempre tenho dificuldade com algumas nomenclaturas de mídia impressa, já que não estou acostumada a trabalhar com isso. No meio de uma reunião, aparece alguém para falar de mídia impressa e um cara rebate:

- Ah, não me venha com nove grávidas!

Nisso eu comecei a pensar o que seriam as grávidas em mídia impressa? Páginas duplas? Páginas com lombada? Páginas com enjôo ou algum desejo intenso?

Dias depois, pesquisando com as pessoas o que seriam as tais das grávidas, descobri: ele se referia ao ditado “Nove grávidas não vão fazer seu filho nascer em um mês”.

Ai que burraaa.

login bipolar

Cara dona mãe do login deste blog,

Seu filho não tem se comportado bem ultimamente. De mês em mês ele resolve não logar de jeito nenhum. Assim, de repente, ele fecha a cara e não quer mais saber de nada.

Gostaria de saber se ele está vivenciando algum problema em casa ou se você notou alguma diferença em seu comportamento. Ele não pode e nem deve apresentar essa mudança tão drástica. De certo modo, bipolar.

Por enquanto, o que tem funcionado com ele é remover a pasta de plugins, assim mesmo, sem choro nem vela. Só que isso custa a mim um aumento exagerado de e-mails que sugerem que eu aumente meu pênis, embora eu não tenha um. Nem pênis e nem saco pra aguentar piti dele cada vez que eu coloco um embed qualquer e acabo ficando sem o anti-spam.

Veja bem, essa solução de tirar a pasta de plugins me parece emergencial pois, com todo o meu saber tech-pedagógico, eu não entendo o que o ú tem a ver com as alças.

Quando você pode vir aqui para conversar? Faz-se mais do que necessário uma medida de reparo na educação de seu pimpolho.

Beijomeliga Aguardo seu retorno.

MaWá

PS: passarei as próximas horas limpando meus e-mails que sugerem moças mexicanas e quentes, tubos que melhoram minha ejaculação e vídeos feitos especialmente for you, baby (ainda mais porque eu acabei de escrever essas palavras aqui). Por isso, se quiser marcar a reunião via e-mail, use um título diferente destes aí.

foras x chefes

Tenho uma história engraçada com chefes. Eu não consigo conviver com nenhum deles sem dar um fora. Mas eu não tô falando de fora bonitinho, daqueles de errar o nome da esposa do cara. Eu tô falando do fora pesado, moral e, algumas vezes, cínico.

O primeiro deles rolou quando eu era estagiária numa agência – vou ocultar os nomes para que apenas o mundinho publicitário quem presenciou saiba. Nessa agência, a primeira que eu trabalhei, havia um outro estagiário bem estilinho surfista. E a gíria do momento era “velho, blá blá blá”, muitas vezes pronunciada “véio”. Eu, influenciável que sou, comecei a empregar a gíria em qualquer frase da minha vida. Eis que certo dia estávamos eu e meu diretor de arte preferido olhando as vitrines do shopping e enrolando pra voltar terminando o almoço quando o chefe liga, meio puto, querendo saber onde estávamos. E a minha reação brilhante foi dizer “Calma, velho…” com a mesma entonação de quem está ouvindo Bob Marley. De onde surgiu a embolorada idéia de dizer isso? Eu podia ter dito qualquer coisa, qualquer mesmo, mas o que me veio à cabeça – e à boca -  foi “Calma, velho…”. Além da posição estou-sussa, eu ainda chamei o cara de velho. Lamentável.

A segunda vez rolou na agência seguinte, na qual o chefe tinha um certo costume de ver os relatórios que eu mandava no horário em que eu já deveria estar em casa vendo novela na faculdade. E num desses dias eu estava lá, afundada na cadeira do computador e olhando pra tela com cara de acelga quando um outro moço que trabalhava com a gente me pergunta no msn: “por que você ainda está aqui?” Minha resposta, sem mover um músculo das costas para enxergar além da tela do computador, foi “tô esperando o PRÍNCIPE ver o relatório”. O que eu não percebi foi que o “príncipe” ao qual eu havia me referido estava logo atrás da janela de msn desse moço, lendo nossa conversa. O olhar fulminante dele em cima de mim foi o suficiente para eu entender que ele demoraria mais três horas até ver o relatório e me liberar. E nessas três horas eu fiquei pensando em jeitos de puní-lo por ser tão intrometido e ficar lendo a janelinha do msn dos outros agradá-lo novamente.

Já o terceiro fora (aqui listado, veja bem) rolou com meu chefe mais recente, que tem o maiorrrr sotaque carioquêxxxxx do mundo. Daí que no meio do brainstorm o meu diretor de arte preferido (sim, aquele mesmo do outro fora) começou a falar “quem nasce no Rio é carioca, quem nasce em São Paulo é paulista e quem nasce no Rio Grande do Sul é…” “Viado!”, completei eu prontamente. Quando vi, meu chefe tirou os olhos do laptop e disse: “Você sabe onde seu chefe é nascido, né?”. E eu lá vou saber que aquele sotaque carioca era uma espécie de camuflagem de um gaúcho enrustido? Pra completar o fora, eu ainda tive o maior ataque de riso do mundo e tive que sair da sala para me acalmar.

Ou seja, um eu chamei de velho, outro de mala príncipe e outro de viado. Tô ou não tô pronta para entrar no Guinness na categoria funcionário-que-vai-morrer?

- Garçom, pufavô, me vê uma startup pronta e lucrativa pra eu não ter mais chefe?

Ah, dedico este post ao meu diretor de arte preferido que, ano após ano, teve os mesmo chefes que eu e conseguiu, sentado na primeira fila, ver todos os meus foras sendo concretizados.

conversas a la brainstorm

Ela contou que teve vontade de tomar um cappuccino, esqueceu a panela no fogo ligado e acabou carbonizando-a.

(ele) Nossa, você e suas histórias…

(ela) É, põe na lista!

(eu, 5 minutos depois) Você é panelista?

(ele) Quê?? O que é panelista?

(eu) Panelista, aquilo que ela disse pra você agora há pouco.

(ele, rachando o bico) Analista, ela disse analista!

(ela, rachando o bico) Eu disse “põe na lista”… Nem analista, nem panelista.

(ele) E o que seria um panelista?

(eu) Ah, sei lá. Um cozinheiro. Ou alguém que queima panelas…

eu e ‘os mecânico’

O carro passou a não pegar durante alguns dias. Só que, desta vez, não havia mais a resposta automática de ‘carro flex não pega no frio’. Eu sei que tá um dezembro incomum, mas não ao ponto de o carro não pegar. E eu não aguentava mais a cara das pessoas ao pensarem putaquel-nem-ligar-o-carro-você-sabe. Recém saído da revisão, o jeito foi ligar pra concessionária. Lá veio o guincho até a minha casa. No alto do meu raciocínio mecânico, fiquei pensando como o guincho-que-não-cabe-na-garagem tiraria meu carro-que-não-liga-nunca-mais. Essa foi a mesma dúvida do motorista do guincho, perplexo ao constatar que ele não havia trazido o equipamento necessário para fazer aquela operação. Enquanto eu surtava com o atendente da concessionária no celular, o moço da garagem sugeriu uma gambiarra. Embicar o guincho na rampa da garagem e puxar o carro. Foi uma ótima idéia, a não ser pelos segundos de desespero quando o guincho começou a descer de ré, sem ninguém no volante, enquanto tentava puxar o carro. Nessa hora eu rezei pra tudo que é gente-que-eu-nem-sei-o-nome e o guincho parou. Como os pedreiros estavam todos alocados na operação resgate do meu carro, o jeito foi deixar um deles com o pé no freio de pé – resolvi chamar assim considerando o outro, o freio de mão. Feita a operação, dei tchau pro carro e alertei-o para que não aceitasse nada de estranhos.

Dias depois, o moço não tinha novidade nenhuma. Já comecei a pensar em trocar de carro, em fazer escândalo, em benzer a concessionária, sei lá. Me pediu mais alguns dias.

Em seguida veio a notícia de que meu carro precisava ser atualizado via satélite. Enquanto ainda imaginava meu carro vestido de Neil Armstrong, o moço explicou que era apenas uma atualização de software. Droga, a imagem do meu carro chegando à lua era bem mais legal.

Por fim, atualizado e com anti-vírus novo, o carro voltou a pegar. Esperei uma semana até escrever esse post, com medo de que em breve ele fique desatualizado. Mas, até o presente momento, agradeço à Nasa pela graça alcançada.

E eu lá ia saber que carro tem software?

lógica portuguesa

Eram três senhoras portuguesas. A primeira delas, de casaco preto e branco, foi feliz com o marido por 47 anos, até a morte dele. Ela nascera no Algarve, mas preferia morar em Guimarães.

- Algarve, só no verão.

- E o que a senhora costuma fazer aqui?

- Eu? Nada!

Seguia feliz ao lado da prima do seu marido falecido. Essa tinha a pele clara e o rosto manchado e me explicava que a terceira senhora estava afastada porque era a empregada, que sorria à distância interessada na conversa.

Me contavam que estavam a ir ao mercado para comprar algo para o almoço.

- Vamos comprar um peixe!

- Hummm, que delícia, assado?

- Não, cru. Vamos cozinhar depois.

Ai que burrrra (eu!). Era óbvio que mais dia menos eu cairia nessa lógica portuguesa que, a propósito, faz muito sentido. Acabei rindo sozinha depois, lembrando do diálogo e delas me contando sobre amores, Algarve, peixes e broas de milho da melhor qualidade.

ursinho-coca

Domingo, 23h30. Eu já no 27° sono quando meu irmão, com a sutileza do Shrek, entra no meu quarto e

você-trouxe-a-chave-do-carro-pra-cá-e-tá-bloqueando-um-carro-na-garagem-que-quer-sair!

Enquanto eu tentava me desvencilhar do meu sono perfeito com trilha da Clara Nunes, pensava no que eu tinha feito pra merecer aquilo poderia ter acontecido com a chave. Eis que resolvo descer na garagem de pijama mesmo sendo que, no caso, meu pijama consistia de uma calça felpuda de cor verde-água e um moletom vermelho no qual está escrito Coca-Cola em hebraico. Metade ursinho-carinhoso e metade-semprecocacola, fui rumo ao ocorrido. O moço bloqueado estava bravo – com razão – e entendeu que a chave não estava comigo. Vendo minha situação ursinho-semprecocacola e os cabelos desgrenhados, ele logo tentou me ajudar ‘Não tem uma chave reserva?’. Hummm, boa idéia. Subi, busquei, desci e liberei o ser humano da garagem.

Em seguida, após um diálogo, digamos, persuasivo, o zelador também veio amassado até a garagem e descobriu que o garagista do turno anterior levou minha chave pra passear na casa dele. Elementar, meu caro Watson.

E eu aposto que eles vão rir pra sempre do meu figurino noturno.

com meia ou sem?

Esse negócio de fazer mestrado é engraçado, porque eu não tenho a menor postura acadêmica e precisaria adquirir isso de algum jeito – alguém sabe se tem no Mercado Livre? Aí tava lá eu na cerimônia de abertura da Compós (vulgo ‘congresso’) esperando pelo início das solenidades. E tava um calor dos infernos, não sei se pesquisador é contra ar condicionado, mas o negócio estava trash. Minha única alternativa seria tirar a meia-calça, já que isso pra mim é que nem cachecol: esfriou-põe e esquentou-tira, tudo no meio da rua. Foi exatamente o que eu resolvi fazer, sem perder minha locação privilegiada no auditório. Como tinha muita informação rolando por lá, estava certa de que o fato de eu estar tirando a meia-calça discretamente não fosse chamar a atenção de ninguém. Comecei delicadamente, puxando a meia-calça, tudo por baixo da saia sem aparecer nada. Até que, exatamente na hora em que eu cheguei ao joelho, um moço mira a cadeira ao meu lado e pergunta:

- Posso me sentar aqui?

Engulo seco. Pode, claro. Só me diz onde enfiar a meia-calça agora, já que ela não subiria mais de maneira discreta. A partir daí, eu tinha duas opções: fingir que eu era da turma da dança contemporânea e começar uns alongamentos esquisitos fazendo com que a meia voltasse ao respectivo lugar ou simular uma dor de barriga com calafrios e continuar com minha missão de ser uma sem-meia. Respeitei meu termômetro interno e me livrei do treco, aproveitando que o moço estava realmente interessado na tese do moço ao lado. Ufa.

- Garçom, me vê uma fórmula acadêmica fast food, pufavô?

rainha dos caminhoneiros

Daí que me mandaram fazer umas fotos de caminhões lá na beira da marginal Tietê. Mas não me avisaram em qual dia isso seria feito e é lógico que caiu num dia que eu estava de saia, meia-calça fina daquelas que-desfia-mesmo e bota. Mas vamos lá, tudo na esportiva. Chegando lá, percebo que é praticamente impossível fotografar o ângulo que me pediram. Quer dizer, seria possível se eu não tivesse faltado nas aulas de vôo na faculdade (ou se eu tivesse aquela vassoura muito louca do Harry Potter). Como eu não tinha possibilidades de flutuação, a foto teria que ser feita de outra maneira. Sobe pé ali, joelho na roda, mão na caçamba e surpresa: lá estou eu trepada em cima de outro caminhão, pensando em quem seria avisado caso eu caísse daquele treco. Mas fotógrafo que se preza não se incomoda em fazer aquelas posições semi-sexuais alternativas, tudo em nome da arte. Só esqueci que a marginal estava logo atrás de mim, lotada de caminhoneiros empolgados berrando aeeeeee-gostosa-fiufiu-daí-pra-baixo.

- Garçom, me vê uma equipe de produção fotográfica ou a chance de fazer trabalhos autorais, pufavô?