baile dos desmascarados

Dia desses eu estava pensando em como havia perdido o pouco de senso estético que me restava. Passar um tempo na Suécia foi uma das coisas mais acertadas que eu fiz para entender uma série de coisas sobre mim mesma. E a questão estética foi essencial nisso.

Comecei a estudar palhaço há 6 anos e confesso que achava um exagero quando alguém dizia que isso poderia ser uma filosofia de vida. Hoje já posso concordar e dizer que é a mais pura verdade. Antigamente eu tinha um canto no armário com as roupas que usava com o nariz vermelho. Aquelas roupas sambando em exagero, cores e formas. Aos poucos, essas peças foram saindo do cantinho delas e invadindo outros cantos do armário. Aquela meia ia bem com aquele casaco, aquela blusa dava um toque naquele sapato e por aí vai. Quando dei por mim, as roupas já estavam totalmente misturadas, assim como a ideia do palhaço enquanto filosofia de vida. Afinal, roupa é apenas mais um tipo de máscara.

Zel e escreveram essa semana textos bem bacanas sobre auto-estima, estética e aceitação. Acabei lembrando de um fato que aconteceu há tempos atrás. Eu chegava no trabalho e a recepcionista, tímida, sussurrou embaixo do balcão “eu queria ter coragem para me vestir assim”.

– Assim como?
– Assim, com estilo!
– Ué, mas é só vestir e pronto.
– Ah, mas tem que ter algo dentro de você que sustente isso.

Aquela frase da recepcionista tímida ficou na minha cabeça por anos e foi na Suécia que eu encontrei uma resposta. O sueco é o sujeito mais poker-face que existe na face da terra. Ele possui exatamente a mesma cara quando está recebendo a melhor notícia do mundo e quando está comendo pão amanhecido. É super ultra difícil entender o que está se passando pela cabeça dele. Por isso, você pode sair na rua de training Miami-Florida, bota de inverno e maquiagem de Mara Maravilha que ele vai continuar te olhando com a mesma cara de whatever. Esse tipo de (não) reação só reforçou o pouco que me restava de limites estéticos. Eu vestia as coisas mais absurdas do mundo e elas simplesmente não eram notadas como absurdas. Ao menos não na minha cabeça.

O mais bacana disso é que uma amiga de infância foi morar em Paris na mesma época em que fui morar em Estocolmo. Nos encontramos nas Oropa e ela, ao me ver, levou um susto com a minha roupa. Eu devia estar com uma meia de 5 cores diferentes, um sapato que parece de ajudante de papai noel (e eu amo), um casaco sobretudo que as chatas-de-estilo diriam que não é bom pro meu corpo (oi?), um cachecol de alguma cor que não estava na meia e um gorro roxo no formato do gorrinho dos smurfs. Ela estava mega elegante, toda trabalhada somente em tons de azul marinho e, no máximo, um cinza-claro para contrastar. Nós, que aos 15 anos nos vestíamos quase iguais, hoje em dia nos vestíamos totalmente diferentes. E da melhor maneira possível para cada uma.

Estilo é máscara. É só entender qual você quer mostrar.

One Comment

  1. Patinha

    oi? adoro, quer dizer odeio as chatas de estilo.

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