saí do armário

Daí que eu tô arrumando 100% da minha vida no quesito armário, lembranças e tralhas de uma vida inteira. Primeiro comecei com o armário de roupa. Tive que estabelecer sérios critérios de desapego como:

– não usou no último ano? Tchau!
– não tirou a etiqueta? Tchau!
– não usaria nem numa festa a fantasia? Tchau!
– não usa mais mas tem valor sentimental? Tira foto e tchau!

Seguindo as regras e evitando momentos de fraqueza, consegui eliminar 5 sacolas bem grandes de vestimentas e sapatos. Fiquei mega feliz, chorei escondido no banheiro e doei tudo.

Depois veio a fase dos extratos bancários, contas e todos os papéis com números. Juntei tudo, comprei uma pasta organizadora (vermelha, linda!) e fiquei lá, com a ajuda do meu pai, etiquetando tudo metodicamente com cores e divisórias mil. Já posso ser o orgulho do pessoal do financeiro da agência.

E aí, finalmente, entrei na fase das gavetas. É incrível como minhas gavetas se resumem a:

Filme fotográfico: nem eu sei de onde saiu tanta coisa, mas a verdade é que, para cada centímetro quadrado da gaveta, mais da metade é de filme. Tem 35mm, 120mm, negativo, positivo, neutro. Juro, tem tirinha em tudo que é canto.

Palhaço: textos, referências, diplomas. Palavras e mais palavras sobre a menor máscara do mundo.

Semiótica: estudos, teorias e várias versões da minha dissertação. Muitas coisas que eu escrevi e nem mesmo reconheci. Tudo super chique e sério.

Diplomas cauda longa: esses são mais engraçados ever. Ô pessoa pra ter gosto estranho… Curso de marketing turístico. Curso de comida tailandesa. Curso de sapateado irlandês. Curso de bufão. Curso de poesia. Curso de como fazer pipoca doce em forma de cupcake – ok, só esse último eu (ainda) não fiz.

Tem muita vida nesses armários aqui. E muita tralha também. E a maior diferença entre essas duas coisas é o nível de distanciamento que você consegue ter de cada coisinha guardada.

One Comment

  1. Been there. Done that.
    Um monte de vezes.

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