Vocês já conheceram por aqui o meu avô materno, Milek. Já o meu avô paterno não costuma estar tanto em minha memória, não por qualquer tipo de preferência, mas porque ele se foi enquanto eu ainda era bem pequena. Ou seja, minhas memórias dele costumam estar ligadas à epoca em que eu enxergava o mundo pela altura de uma mesa. Tudo era visto por aquela perspectiva de uma criança de 8 anos.
Essa noite encontrei com meu avô Jacó. Sonhei que ele estava aqui, após uma dúvida súbita e coletiva sobre o fato de ele poder estar vivo após o período que passou em coma antes de morrer. Eis que ele surge novamente no hospital, envelhecido assim como a gente desde o ano de sua morte (1991). Meu irmão, já grande e médico, passou a visitá-lo diariamente. Cuidava de sua saúde e de sua memória, já que meu avô não sabia ao certo quem era e quem eram as pessoas de sua família. Em um determinado dia, ainda no sonho, ele e meu irmão foram empinar pipa, num gesto de lembrança de toda aquela infância já distante.
Em seguida, a cena cortou para o quarto. 15 pessoas aproximadamente olhavam para ele que, confuso, continuava observando e tentando encontrar algum rosto conhecido.
Ele então olhou pra mim e disse:
- Marina!
Todos se surpreenderam. Ele enfim reconheceu alguém.
- Oi vô!
- Como você está?
- Estou bem. Estou terminando um mestrado, acredita?
O sonho termina. Acordo com a memória viva e confusa. Não me lembro de ter sonhado antes com esse avô. Tampouco consigo recordar o timbre de sua voz. Segundo a minha avó, viúva dele, provavelmente ele veio, uma semana antes da defesa do mestrado, apenas mostrar que está sabendo de tudo.
7 Responses to “jacó”
Flor, que lindo! Estamos todos olhando pra ti, aqui e n´outro mundo!
Muita sorte, serenidade e afinco para a defesa!!
chorei…
com essa companhia, pode ter certeza de que sua defesa de mestrado vai com tudo…
;.)
Lindo sonho, bonequinha! Fiquei com lágrimas nos olhos.
Eu nunca sonhei com um de meus avôs. Eu não o conheci. Quando ele vivia, eu não existia. Apesar disso, e mesmo sabendo pouco sobre ele – Ele é o pai de meu pai, e meu pai não costuma falar muito de sentimentos – mesmo assim, baseado apenas em fatos da vida dele eu fiz uma caracterização sua na minha cabeça e as vezes imagino o que ele pensa sobre cada acontecimento da minha vida, se ele olha com orgulho, se ele identifica coisas do meu pai em mim, etc.
Meu outro avô é fechado, hoje eu perguntei para minha irmã, que estava na casa dele: “Como está o vô?” Ela repetiu a pergunta em voz alta e pude ouví-lo respondendo do outro lado da linha: “Eu estou bem! Estou bem!” Eu me senti feliz em ouvir a voz dele e ri.
Lindo, Má!
Tenho certeza que você vai arrasar no mestrado, como em tudo o que você faz. Se eu não conseguir prestigiá-la pessoalmente, pode ter certeza de que estarei com você, mandando muitas energias positivas.
beijos
É Má, o vovô gosta dessas coisas, pergunta para Michelle ela já teve alguns sonhos desses. Quando eu passei na faculdade, antes de saber o resultado eu também senti a sua presença. Boa sorte na sua tese.
Má,
texto lindo. Ele veio mesmo prá te dar uma força.
Boa sorte, estou torcendo por você.
Beijos,
querrida.