gráfica fidalga

Tenho convivido muito com o mundo da ilustração e, mais recentemente, com o mundo da tipografia. Calma, não pensem que comecei a me aventurar por essas artes, afinal tudo tem limite. Mas é fato que ando sociabilizada com as serifas. Eis que o povo resolveu marcar uma visita à uma gráfica de lambe lambe. Ok, lambe lambe está na modinha hype street art, mas fiquei pensando com meus botões o-que-eu-vou-fazer-numa-gráfica??? Aliás, pra mim, a palavra gráfica costuma estar associada a dor de cabeça porque não sei que raios a gráfica sempre quer o arquivo em corel e o diretor de arte se recusa a fazer isso, explica que EPS abre em qualquer lugar e que a gráfica é uma incompetente. E o mundo sempre segue na discussão Corel ou não Corel, eis a questão.

Uma vez feito meu desabafo do vetor, voltamos à gráfica do lambe lambe. Continuava sem entender porque iríamos fazer uma visita à gráfica, assim, sem qualquer motivo. Aliás, aparentemente eu era a única fora de moda que não sabia que a tal da gráfica havia sido retratada num documentário super cool e que era legal ir até lá #mawa-out-que-só. De qualquer jeito, resolvi obedecer os amigos das tintas, peguei minha câmera e lá fomos nós à Gráfica Fidalga.

Seu Maurício nos recebeu gentilmente e pediu que esperássemos Carlinhos chegar. Enquanto isso, contou que a gráfica era antigamente na Vila Madalena, mas teve que mudar para Taboão da Serra. Ao ver a máquina, um modelo alemão de 1929, fiquei impressionada. Transportar as 9 toneladas de cá para lá não deve ter sido um job simples.

Enquanto nos mostrava os tipos (vulgo, letras), Carlinhos explicava exatamente o método para a elaboração de um lambe lambe. Eu jamais poderia imaginar o processo criativo-matemático pelo qual passa um lambe lambe. Primeiro Carlinhos monta o layout na mão, juntando letrinha por letrinha. Depois, com a ajuda de Seu Maurício, ele monta as letrinhas na chapa, calculando milimetricamente os espaços entre as letras. Aquilo tudo que o Word magicamente nos proporciona tem que ser feito manualmente. Depois vai tudo pra máquina, aquela de 9 toneladas, e começa o processo colorido. Bonito que só de se ver.

Além de entender o processo e ver a gigante alemã funcionando, posso dizer que a conversa com Carlinhos e Seu Maurício foi incrível. Trabalhando há anos juntos, dá para notar a harmonia bacana na composição da dupla. Realmente, conhecer a gráfica foi bem legal. E nem precisamos levar as frases em curva para o serviço sair lindinho #piada-diretor-de-arte.

Mais fotos no meu Flickr.

6 Responses to “gráfica fidalga”

  1. maca says:

    passeio perfeito: tipografia, amigos e frases de impacto! :-)

  2. fernanda says:

    AMO que eu compartilhava secretamente da sensação de não saber porque a gente tava indo – mas também compartilho ter achado o passeio top incrível. e suas fotos tão TÃO legais! <3

  3. andrea says:

    Também visitei a Gráfica Fidalga e fiz um cartaz lá, aliás nem sabia que tinha este nome, eu chamava de ” a grafica do lambe-lambe”. O Seu Maurício é uma simpatia e ver a máquina em funcionamente é emocionante. Fizemos um video, vamos soltar em breve :)

  4. Pietro says:

    qual o endereço de lá??

  5. siusi says:

    ts a pagina vibra

  6. Frederico says:

    Mawá, fui hj na gráfica, incrível como essa arte é preservada por estes dois guerreiros, Sr. Maurício e Carlinhos!
    Bj

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