A gente passava a infância lá, eu, meu irmão e meus dois primos. Era uma casa gigante, pelo menos pra mim que não tinha nem 10 anos. Engraçado que eu lembro dos cantos baixos da casa, talvez porque era esse o alcance da minha visão. Na entrada já podíamos sentir o cheiro das flores. Na sala, um longo tapete com bastante espaço para correr. A casa tinha um aspecto marrom, cor de terra. E um grande aquário, da minha altura, no qual eu podia praticamente nadar com os peixes. Lembro de ficar acompanhando o vôo daqueles peixes por horas e horas. Principalmente quando eu cansava das brincadeiras de meninos, afinal, ser a única menina entre três meninos às vezes cansava. E o aquário era meu refúgio, nos dias de churrasco, quando meu irmão e primos optavam pelo futebol ou pela corrida de motoquinhas. Eu gostava mesmo quando eles tiravam de um armário um robô, todo construído de sucata. Se não me engano foram meus primos mesmo que montaram, e eu achava aquilo fascinante. Tinha os braços azuis de mola e o corpo quadrado. Me pegava pensando se um dia eu seria capaz de construir um daqueles.
Esses dias me perguntaram se eu lembrava dessa casa. E tem como esquecer?