patinha

A gente se conheceu por causa de um professor da faculdade. O trabalho final dele estava aberto a manifestações artísticas. Eu fiz um lance com sapateado. Ela imitou um nordestino em cima da mesa. Ele gostou tanto que fez a gente se apresentar em todas as classes. Ficamos amigas assim.

Admirávamos coisas parecidas. Começamos a frequentar teatros, cinemas, trabalhos em grupo. Começamos a nos frequentar. Percebemos como nossas famílias eram similares, assim como nós mesmas.

Passamos por crises com o trabalho e as escolhas da vida, mas sempre soubemos interpretar bem os papéis. Aliás, talvez foi isso que nos aproximou tanto. A familiaridade com o palco e o jeito como isso se convertia em nossas vidas. Sempre conseguimos ir da reunião de negócios ao surto absoluto pseudo-hippie. E nos dávamos bem em todas as situações.

Aprendemos juntas que o futuro podia ser amarelo. E que se ela pulasse nas minhas costas, eu conseguiria aguentá-la por horas. Entendemos o que era confiança quando ela topou engolir adoçante líquido por minha causa. E quanto nos amávamos por ter alguém que engolisse adoçante líquido por nós.

Conversamos horas e horas pelo telefone, nadamos peladas inúmeras vezes à noite no mar, dançamos como loucas mesmo com os olhares reprovadores. Porque estávamos juntas e  era apenas isso que nos interessava. Dormíamos na mesma cama por preguiça de arrumar a outra e tínhamos total liberdade de chutar a outra caso ela incomodasse à noite ou puxasse o cobertor.

Viajamos juntas, fotografamos milhões e milhões de cliques. Ela sempre soube posar e ceder os melhores lados dela. Tanto nas fotos como na vida.

Hoje ela está do outro lado do mundo, um pouco mais pra cima do que costumávamos nos encontrar. Mas é impressionante como ela está todos os dias no meu coração, um pouco mais fundo do que eu podia imaginar.

12 Responses to “patinha”

  1. Angelo Chaves says:

    Que fofo… ;-)

  2. maca says:

    saudade é a distância de nós mesmos. legitimo, sincero, claro, imenso.

  3. weno says:

    que lindo. respirei fundo pra não transbordar.

  4. Piti says:

    fiquei arrepiada…
    lindo, lindo, lindo.

  5. Mix says:

    sem palavras… no mundo da efemeridade vc sempre ganha espaços eternos em minha alma…

    o que fazer com alguem como vc?
    um beijo!

  6. Mi says:

    Lindo Má.

  7. Anette says:

    a filha número 2 estará sempre aqui conosco
    e a filha número 1 é a nossa paixão!
    beijoooooos, te amamos

  8. Vilma says:

    Eu tb controlei as lágrimas. Na realidade, as pessoas não vão embora de tudo. Elas sempre dão um jeito de ficar.

  9. Patinha says:

    Eu nao consegui segurar as lagrimas. Estou transbordando. Transbordando nao, acho que enchente seria a palavra mais adequada. E nao eh porque eu acho que vamos nos esquecer ou que nossa amizade vai se esmorecer. Choro porque nao tenho voce por por perto para me me pedir para tomar adocante ou para aparecer em casa para tomar banho, comer e ir para seu proximo compromisso que pode ou nao me incluir. Te amo.

  10. marcelinha says:

    maravilhoso. e ó….quando estamos juntas ela fica um pouquinho mais perto. e você (já) sabe que é uma personagem importante das nossas vidas. não some? eu juro que não sumo tb.

  11. weno says:

    chorei de novo lendo os comentários.

  12. Paula says:

    Que lindo!!! Só você poderia escrever algo que descrevesse tão bem e em tão poucas linhas exatamente quem são vocês duas e o que levou a essa amizade! Fiquei feliz de ler e com saudades das duas!!

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