heartbreak hotel

Cheguei tarde, ele já não estava mais lá. Fiquei imaginando como seria, já que é do ser humano tentar imaginar sempre o que não consegue ver. Mas é fato que eu nunca conseguiria tomá-lo da forma correta se é que isso existe. A gente tem que sempre fazer as coisas da forma correta, mesmo ela sendo errada. Isso é esquisito. Não dá pra fazer a coisa errada de forma errada porque aí ela se torna correta. Correta ou incorreta, a forma dele seguia os contornos de Heartbreak Hotel cantada ao vivo por Elvis. Era assim que eu o imaginava, surrupiado por pedaços de luz que, em contato com seu corpo, viravam rosas, azuis, amarelos e nulos. Ele dançava dois pra lá e três pra cá, sem perder o ritmo que havia aprendido com seus parentes de outrora. Tudo nele pertencia a outrora, como se nunca lhe fosse cabível sentir-se contemporâneo. Por não se adequar, foi embora. Deixou-me apenas seu retrato, para o qual cantei Heartbreak Hotel me sentindo o Elvis, sabendo que eu nunca seria o Elvis assim como ele nunca seria meu.

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