A conversa com ela é uma espécie de sonho lúcido. Em meio a tantos personagens que ela traz, surge a dúvida da veracidade daquilo. As histórias são ricas e contextualizadas. Os personagens têm nome, sobrenome, endereço e profissão. Quem escuta suas histórias, como disse a Pri, tende a se prender no mundo racional e achar a moça apenas uma louca. Mas há algo nela que puxa, que instiga, que faz com a gente escute que ela foi perseguida porque era loira e confundiram-na com uma americana, porque era fugitiva do regime de Cuba, porque diz suas verdades em papéis contando que o avião caiu por causa dos terroristas. Porque vão privatizar o Brasil inteiro, porque os gringos vêm aqui se apoderar de tudo, porque os nordestinos não param de vir para São Paulo, porque ela ficou apelidada de Xuxa quando morava na Barão de Tatuí. Porque torturaram-na pela mandíbula, porque ela passa hidratante mesmo sendo moradora de rua, porque ela vende um vídeo dela em CD por 10 reais mas se você não tiver dinheiro pode procurar no Google Video. Ela fala tudo isso com muita certeza. E vai continuar falando, aos berros e nos sulfites que espalha diariamente pelas árvores de Higienópolis.

Foto tirada para o projeto LomoInLomo.
One Response to “Marcia, Tereza, Xuxa”
Toda vez que a vejo aqui por perto, fico com um certo receio de ser ofendida por ela e, ao mesmo tempo, curiosa para saber o que se passa em sua cabeça. Ela parece ser uma daquelas pessoas loucascompletamentesã, ou sãcompletamenteloucas…
Gostei muito do post!
Beijos