O conheci há três anos atrás, sem saber quem ele era. Depois de sabê-lo, tive vontade de falar com ele novamente. Não o fiz.
Na semana passada, Otto Stupakoff faleceu em seu apartamento. Foi encontrado morto e sozinho, sendo este último o adjetivo que ele mais se encaixou nos últimos anos.
Por causa de sua morte, fui rever o texto que eu havia escrito há três anos atrás. E, para minha surpresa, havia um comentário – que eu não havia visto – de um dos filhos de Otto, concordando com o que eu havia dito e dizendo que ele ficaria feliz se eu o contatasse novamente. Mais uma vez, não o fiz.
Agora, revendo, penso que nossa conversa tenha sido completa em seu anonimato. Sabendo quem ele era, eu poderia virar mais uma daquelas pessoas que o tratavam da maneira que ele menos gostava: feito estrela.
Otto, bons sonhos procê.
2 Responses to “não o fiz”
Eu acho que a conversa de vocês foi perfeita. Era o que ambos precisavam, naquele momento, e você deve se orgulhar de ter participado da vida dele daquela forma. O tempo é sábio, e a providência se faz vista nos pequenos detalhes.
Meniiiiiina,
Eu conheci o Otto, ele era um velhinho muito chato, mas fabuloso como fotografo!
Pena.
Beijos,