Ainda de camisola eu sinto o cheiro do caldo. Caldo de sopa. É sinônimo de festa chegando, herança dos costumes europeus onde faz frio e uma sopa cai bem. Aqui também cai bem. Mas é possível ver os rostos quase úmidos enquanto o caldo desce perfeitamente pela goela. Pra ser bom, o caldo tem que ser claro. Aprendi com a minha avó. É cenoura, frango, batata, cebola, salsão e mais umas coisas verdes. Cozinha, cozinha, cozinha. Vai pescando a parte escura com uma colher. Cozinha, cozinha, cozinha. Pesca de novo. Cozinha, cozinha, cozinha. Pronto. Caldo claro, da melhor qualidade.
Mesmo sabendo a data da festa, todo ano eu me surpreendo sentindo o cheiro e a sensação de, ainda criança, saber porque essa noite é diferente das outras.