Monthly archives: April 2009

não o fiz

O conheci há três anos atrás, sem saber quem ele era. Depois de sabê-lo, tive vontade de falar com ele novamente. Não o fiz.

Na semana passada, Otto Stupakoff faleceu em seu apartamento. Foi encontrado morto e sozinho, sendo este último o adjetivo que ele mais se encaixou nos últimos anos.

Por causa de sua morte, fui rever o texto que eu havia escrito há três anos atrás. E, para minha surpresa, havia um comentário – que eu não havia visto – de um dos filhos de Otto, concordando com o que eu havia dito e dizendo que ele ficaria feliz se eu o contatasse novamente. Mais uma vez, não o fiz.

Agora, revendo, penso que nossa conversa tenha sido completa em seu anonimato.  Sabendo quem ele era, eu poderia virar mais uma daquelas pessoas que o tratavam da maneira que ele menos gostava: feito estrela.

Otto, bons sonhos procê.

clowning around

Era uma vez…

como fazer um bebê

Ando nessa onda – do stopmotion, não da gravidez – e achei esse vídeo uma graça.

Dica do Daniel, via Baloo Blog.

não exigimos experiência (ainda)

É normal que qualquer sujeito fique nervoso antes de uma entrevista de emprego, afinal, provavelmente, o indivíduo está atrás daquela vaga. Esse nervoso pode triplicar no caso de estagiários, ainda mais se é a primeira vez deles. Por isso, resolvi juntar o que percebi nos últimos anos para ver se essa primeira vez dói menos – e garante o telefonema no dia seguinte.

Aqui quem fala é…
O contato inicial para uma entrevista pode ser por telefone ou por e-mail. Em primeiro lugar, explique o motivo de estar em contato com aquela pessoa. Algo simples, do tipo “Escrevo para me candidatar à vaga de estagiário publicada na Gazeta da Facu” já resolve o assunto. Quem recebe seu e-mail ou telefonema pode estar no meio de três ligações ou numa reunião de cinco horas e, assim, poderá logo identificá-lo e tratá-lo da melhor maneira. Outro detalhe importante é deixar seu telefone e e-mail numa posição de fácil leitura, como no corpo do e-mail. Não faça a pessoa ficar caçando seu currículo anexado e ter que abri-lo quando quiser entrar em contato contigo.

Portfolio
Se você é da área de propaganda ou de algo relacionado ao mundo artístico, sabe como é importante mostrar seu trabalho para impressionar o futuro chefe. Ao meu ver, a melhor opção é o portfolio online. Mostra o que tem que mostrar, em um clique se chega lá, não tem que baixar nada e, hoje em dia, lugar é o que não falta: Flickr, WordPress, Tumblr, escolha o seu e seja feliz. Se, por um desastre dos astros, não for possível hospedar suas obras em lugar nenhum, transforme-as em um pdf e envie anexado. Nesse momento, muito cuidado: entenda as diferenças entre as configurações de pdf – impressão ou tela. Ninguém merece fazer um download de 30 MB para ver 10 páginas A4. Ah, nunca, em hipótese alguma, envie peça por peça – anexadas uma a uma – no e-mail. Só de ver algo com mais de dois anexos já me dá preguiça. Se for levar portfolio impresso na entrevista, deixe-o bonitinho e cheirosinho.

Divã
Seu futuro chefe não precisa saber de todos os seus anseios, desejos, aflições e história de vida. Entrar em detalhes como “quando eu era criança minha professora escolheu minha poesia como a melhor da sala e, desde então, treino diariamente para ser o melhor redator do mundo” pode ser extremamente chato. Deixe isso para a entrevista, se lhe for perguntado.

Roupa ou figurino
Todo mundo sabe o que é a tal da primeira impressão. Quando eu ainda estava na faculdade, lembro de uma professora dizendo “eu demorei anos para conseguir trabalhar com a roupa que eu realmente queria”. Concordo totalmente. Mesmo trabalhando em uma área bastante informal, metida a tendências e vanguardas, não considero prudente aparecer de GNT Fashion na primeira entrevista. Também não acho que seja um fator decisivo mas, no menor sinal de dúvida na contratação, naquela conversinha entre os chefes, vai rolar um “ah, o emo não”. Por isso, pense bem em como você quer que as pessoas se lembrem de você.

With lasers
Olhar nos olhos da pessoa na entrevista indica uma certa segurança do candidato. Se para você for extremamente difícil fazer isso, tente fixar um ponto na testa da pessoa ou no meio dos olhos. Pode te ajudar a não parecer um avestruz com a cabeça enfiada na terra. Se a timidez for crônica, faça teatro tente intercalar os momentos de olhar para o lado com os momentos de olhar para baixo.

Sei que nada sei
A pessoa que está te entrevistando está, sem a menor dúvida, aplicando um teste. Não estou falando daquelas leituras específicas de saber a personalidade da pessoa pelo jeito como ela escreve num papel, mas de um teste mais amplo, que envolve conhecimento e personalidade. A palavra “não sei”, nessas horas, me parece um grande jeito de demonstrar fraqueza. Ninguém é obrigado a saber tudo, mas aproveite o gancho de uma pergunta cuja resposta você não tem a menor idéia e mostre curiosidade. Se o entrevistador perguntar o que você acha do rock da Islândia, procure qualquer referência na sua cabeça e revide “nossa, não conheço o rock da Islândia, a Bjork tem algo a ver com isso?”. Curiosidade pode valer mais do que conhecimento nessas horas.

Sei que nada sei 2
É mais do que pressuposto que o candidato tenha visitado o site da agência ou do local que almeja trabalhar. Conhecer os trabalhos do lugar também é bem interessante, além de serem cartas na manga para a eventual falta de assunto. Um terceiro detalhe que pode fazer diferença é ter certeza da pronúncia do nome da pessoa com quem vai falar. Às vezes é um nome gringo e você não é obrigado a saber como a mãe da pessoa idealizou a pronúncia. Ligue para o local e, despretensiosamente, pergunte para o atendente como se fala o nome do dito cujo.

Beijomeliga
Leve alguma coisa para deixar com o futuro chefe – pode ser desde o currículo impresso até uma cópia irada do seu portfolio estampada em um moleskine. A idéia é deixar algo físico que faça com que a pessoa se lembre de você.

Espero que minhas considerações sejam úteis para os futuros profissionais de mercado. E lembrem-se: são divagações da minha própria cabeça, de alguém que já entrevistou uma série de candidatos. Nada impede que outro contratante tenha critérios totalmente distintos e te contrate se você disser que seu sonho de vida é ser o Vampeta. Afinal, tem gente pra tudo nesse mundo.

inveja branca

Daí que a Fran veio me dizer que estava com um Tumblr cujo assunto é Pegaria e eu fiquei encucada com duas coisas. A primeira era pra que servia exatamente o Tumblr. Então resolvi montar o meu, chamado carinhosamente de Inveja Branca. É basicamente uma coletânea de fotos alheias que eu realmente gostaria de ter tirado. Sabe, para aquelas vezes em que rola um por que é que eu não pensei nisso antes? Pois é, tá tudo reunido no Inveja Branca.

A segunda coisa que me encucou é sobre esses nomes cheios de consoantes que a gente não consegue pronunciar direito sem antes ouvir de alguém (Tumblr, Flickr, etc). Será isso uma regra nova da gramática?

diferente das outras

Ainda de camisola eu sinto o cheiro do caldo. Caldo de sopa. É sinônimo de festa chegando, herança dos costumes europeus onde faz frio e uma sopa cai bem. Aqui também cai bem. Mas é possível ver os rostos quase úmidos enquanto o caldo desce perfeitamente pela goela. Pra ser bom, o caldo tem que ser claro. Aprendi com a minha avó. É cenoura, frango, batata, cebola, salsão e mais umas coisas verdes. Cozinha, cozinha, cozinha. Vai pescando a parte escura com uma colher. Cozinha, cozinha, cozinha. Pesca de novo. Cozinha, cozinha, cozinha. Pronto. Caldo claro, da melhor qualidade.

Mesmo sabendo a data da festa, todo ano eu me surpreendo sentindo o cheiro e a sensação de, ainda criança, saber porque essa noite é diferente das outras.