foras x chefes

Tenho uma história engraçada com chefes. Eu não consigo conviver com nenhum deles sem dar um fora. Mas eu não tô falando de fora bonitinho, daqueles de errar o nome da esposa do cara. Eu tô falando do fora pesado, moral e, algumas vezes, cínico.

O primeiro deles rolou quando eu era estagiária numa agência – vou ocultar os nomes para que apenas o mundinho publicitário quem presenciou saiba. Nessa agência, a primeira que eu trabalhei, havia um outro estagiário bem estilinho surfista. E a gíria do momento era “velho, blá blá blá”, muitas vezes pronunciada “véio”. Eu, influenciável que sou, comecei a empregar a gíria em qualquer frase da minha vida. Eis que certo dia estávamos eu e meu diretor de arte preferido olhando as vitrines do shopping e enrolando pra voltar terminando o almoço quando o chefe liga, meio puto, querendo saber onde estávamos. E a minha reação brilhante foi dizer “Calma, velho…” com a mesma entonação de quem está ouvindo Bob Marley. De onde surgiu a embolorada idéia de dizer isso? Eu podia ter dito qualquer coisa, qualquer mesmo, mas o que me veio à cabeça – e à boca –  foi “Calma, velho…”. Além da posição estou-sussa, eu ainda chamei o cara de velho. Lamentável.

A segunda vez rolou na agência seguinte, na qual o chefe tinha um certo costume de ver os relatórios que eu mandava no horário em que eu já deveria estar em casa vendo novela na faculdade. E num desses dias eu estava lá, afundada na cadeira do computador e olhando pra tela com cara de acelga quando um outro moço que trabalhava com a gente me pergunta no msn: “por que você ainda está aqui?” Minha resposta, sem mover um músculo das costas para enxergar além da tela do computador, foi “tô esperando o PRÍNCIPE ver o relatório”. O que eu não percebi foi que o “príncipe” ao qual eu havia me referido estava logo atrás da janela de msn desse moço, lendo nossa conversa. O olhar fulminante dele em cima de mim foi o suficiente para eu entender que ele demoraria mais três horas até ver o relatório e me liberar. E nessas três horas eu fiquei pensando em jeitos de puní-lo por ser tão intrometido e ficar lendo a janelinha do msn dos outros agradá-lo novamente.

Já o terceiro fora (aqui listado, veja bem) rolou com meu chefe mais recente, que tem o maiorrrr sotaque carioquêxxxxx do mundo. Daí que no meio do brainstorm o meu diretor de arte preferido (sim, aquele mesmo do outro fora) começou a falar “quem nasce no Rio é carioca, quem nasce em São Paulo é paulista e quem nasce no Rio Grande do Sul é…” “Viado!”, completei eu prontamente. Quando vi, meu chefe tirou os olhos do laptop e disse: “Você sabe onde seu chefe é nascido, né?”. E eu lá vou saber que aquele sotaque carioca era uma espécie de camuflagem de um gaúcho enrustido? Pra completar o fora, eu ainda tive o maior ataque de riso do mundo e tive que sair da sala para me acalmar.

Ou seja, um eu chamei de velho, outro de mala príncipe e outro de viado. Tô ou não tô pronta para entrar no Guinness na categoria funcionário-que-vai-morrer?

– Garçom, pufavô, me vê uma startup pronta e lucrativa pra eu não ter mais chefe?

Ah, dedico este post ao meu diretor de arte preferido que, ano após ano, teve os mesmo chefes que eu e conseguiu, sentado na primeira fila, ver todos os meus foras sendo concretizados.

4 Comments

  1. O mus… digo, seu terceiro chefe, nasceu em RS? Ou estamos falando de pessoas diferentes?
    PS: Ri alto com o Príncipe. Espero q seja quem eu tenha pensado, pra não ter me enganado com a piada.
    PS2: Tem selo pra vc. Veja lá.

  2. abelardo

    hehehehehehe
    sensacional!
    misto de emoção e diversão!
    ótimo relembrar todos esses momentos!
    beijos, você sempre será minha redatora preferida com ou sem os mesmos chefes.

  3. Flor

    Mawa!!! Feliz 2009 primeiramente…Eu tenho alguns foras bem bons também…
    Vamos combinar algo com a Sasá?

    Beijos
    Ana Flor

  4. Se fosse uma chefe do meio publicitário procurando por uma funcionária para a agência e tivesse a tela do teu blog aberta neste post, te contrataria de qualquer maneira. Não iria dar a menor bola para os foras e sim para a bela redação. Tu é phoda, véia!
    Já eu, em se tratando de redação, não sei nem se me fiz entender com este meu comentário… socorro!
    Beijomeliga.

Leave a Reply