As Pousadas são uma jogada interessantíssima em Portugal. O governo do país, frente a uma série de monumentos históricos e tombados, tinha dificuldade em manter os castelos e palácios que restaram dos inúmeros “Dom”. Dom Pedro, Dom Manuel, Dom Joaquim, a maioria construiu aquelas coisas gigantes que, na modernidade, não serviam mais para moradia ou casa de férias da realeza. Por isso, o governo decidiu instalar Pousadas – em sua maioria, de luxo – dentro desses monumentos, a fim de que eles próprios gerassem uma grana para se manter. O resultado de tudo isso, hoje dividido entre governo e o grupo Pestana, são as Pousadas de Portugal. E o ‘P’ maiúsculo não é à toa. Pousada lá é bem diferente do nosso conceito de hotel baratinho na beira da praia. Por uma sorte do tarô e da lua nascente em Gotham City, fui conhecer essas pousadas e desfrutar um pouco da vida de pessoas como Dona Maria, a louca – aquela que você aprendeu no colégio, lembra? Ou vai dizer que o único nome que você gravou das aulas de história foi pepino-o-breve? Aliás, voltando à Dona Maria, a Pousada de Queluz era um antigo domínio dela e dizem que, até hoje, é possível escutar os gritos da louca pela madrugada. Dizem que ficou insana quando chegou ao Brasil. Se naquela época ela já enlouqueceu, imagine se chegasse hoje no Rio pela linha vermelha?
Bom, como eu durmo tão leve quanto um hipopótamo grávido, é óbvio que não ouvi nenhum piu da moça. E ai dela se me acordasse.