Domingo, 23h30. Eu já no 27° sono quando meu irmão, com a sutileza do Shrek, entra no meu quarto e
você-trouxe-a-chave-do-carro-pra-cá-e-tá-bloqueando-um-carro-na-garagem-que-quer-sair!
Enquanto eu tentava me desvencilhar do meu sono perfeito com trilha da Clara Nunes, pensava no que eu tinha feito pra merecer aquilo poderia ter acontecido com a chave. Eis que resolvo descer na garagem de pijama mesmo sendo que, no caso, meu pijama consistia de uma calça felpuda de cor verde-água e um moletom vermelho no qual está escrito Coca-Cola em hebraico. Metade ursinho-carinhoso e metade-semprecocacola, fui rumo ao ocorrido. O moço bloqueado estava bravo – com razão – e entendeu que a chave não estava comigo. Vendo minha situação ursinho-semprecocacola e os cabelos desgrenhados, ele logo tentou me ajudar ‘Não tem uma chave reserva?’. Hummm, boa idéia. Subi, busquei, desci e liberei o ser humano da garagem.
Em seguida, após um diálogo, digamos, persuasivo, o zelador também veio amassado até a garagem e descobriu que o garagista do turno anterior levou minha chave pra passear na casa dele. Elementar, meu caro Watson.
E eu aposto que eles vão rir pra sempre do meu figurino noturno.


