Era um dia com cara de noite, assim, sem muita definição de hora. E isso lhe dava aflição, esse adjetivo do tempo de correr independente de qualquer outra coisa. Ele não poderia jamais controlar aquilo. Mas podia controlar seus próprios tempos e esquecia disso. Simplesmente não lembrava de reparar se luz forte de manhã lhe incomodava muito a vista. Se o banho é mais pro quente ou mais pro frio. Se é certo comer vegetais no café da manhã. Se é muito errado não fechar todos os trincos de casa. E sem perceber essas coisas já considerava o tempo insuficiente para acolher todos os seus tempos.
Mal sabia ele que havia muito mais a se fazer. Inclusive abandonar a mania de achar que o tempo não cabia nele.