Monthly archives: October 2008
bolhas estagiárias
29Oct08A bolha de sabão nasce de um sopro leve. Sem metáforas, por favor . Às vezes um sopro é apenas um sopro, daqueles que sai do duo pulmão-língua, passa pelos lábios e chega ao mundo. E faz a bolha percorrer o trajeto indefinido, como uma dança com fluência mas sem saber onde termina o palco. Só que o que ninguém sabe é que, antes desse sopro de vida, a bolha tem que fazer um cursinho nas garrafas de água com gás. Já repararam que na bula dessas águas não estão descritos os ingredientes? Eu nunca vi um contém água e gás-seiláoquê-ol. E isso acontece justamente porque as pessoas não iriam gostar de saber que estão tomando água com bolha de sabão. Por isso os gerentes de produto deixaram esse detalhe oculto. Enquanto estão na garrafa, elas aprendem, por exemplo, a controlar a velocidade de vôo. As mais novinhas sobem muito rápidas e, por consequência, em linha reta. Elas não são capazes de controlar o peso do próprio corpo para fazer dança com ele. Depois que aprendem a controlar isso, começam a brincar com as rotas. Quase que nem gota de chuva que cai no vidro do carro e vai passeando nos olhos das crianças do banco de trás. Eu até pensei em inventar que esse seria o próximo estágio da bolha de sabão – ser gota de chuva no vidro – mas pensei: meu leitor não é burro. Nunca poderia subestimá-lo ou tentar enganá-lo com tamanha estapafúrdia. Até porque, se isso ocorresse, as nuvens que se formassem após essa chuva flutuariam pra sempre e pra cima, sem mais nos molhar. E isso desestabilizaria tudo aquilo que a gente aprendeu na escola de ciclo da vida-água-luz. Mas voltemos à escola da bolha de sabão. O próximo passo é simples. Ela deve subir mais vagarosamente procurando ocupar todos os cantos da garrafa (técnica comumente utilizada em aulas de teatro). Tal exercício amplia a espacialidade da bolha para que ela possa voar livre, leve e solta. Para terminar, as bolhas passam por um salão de beleza além-tampinha para adquirir aquela cor azul-furta-cor típica das bolhas de sabão. Depois disso, é só torcer para ser assoprada com carinho.
Foto tirada pelo Matt.
globalización
24Oct08Tanto teórico tentando explicar o que é globalização… É simples: um cruzamento da Família Lima com os Hanson convidou algunas membros da família Adams para a gravação de um clipe de mbpb (música bem popular brasileira) na capital do Brasil, Buenos Aires.
Pra finalizar, legendas em grego em homenagem ao berço de tantos filósofos importantes.
Dica do figura.
frases
24Oct08“Beija a minha broa ???” surpreendeu-se a Tati ao não entender que eu me referia à padaria Benjamin Abrahão.
vitrine 18 anos // tv cultura
22Oct08Ontem fui fazer a cobertura da gravação do programa Vitrine 18 anos, comemoração merecida da TV Cultura e seus formatos memoráveis. Na fotografia estávamos eu e HelenaN e no twitter, Daniel e Tiago. Tudo sendo postado, comentado, registrado, discutido ao vivo no site do Vitrine.
Como o Daniel disse, o clima estava ótimo entre todos os ex-apresentadores do Vitrine. A idéia era fazer uma grande confraternização com todo mundo, revivendo histórias e passagens do programa. Estavam presentes: Nelson Araújo e Maria Antônia Demasi (1990); Cassia Mello (1990 a 1991); Leonor Corrêa (1991 a 1992); Renata Ceribelli (1992 a 1994); Maria Cristina Poli (1994 a 1998); e Marcelo Tas (1998 a 2004); além de Rodrigo Rodrigues e Sabrina Parlatore (desde 2005).
A discussão sobre a evolução de formatos da mídia e a inclusão de mídias-sociais-interativas-realtime-etc foi bem bacana também. Um ponto que, confesso, não havia passado pela minha cabeça é que na TV antiga, com os programas ao vivo, o público tinha muito mais acesso aos erros dos apresentadores ou de quem quer que estivesse atrás das telas. Era como se aquilo fosse mais vivo, mais real, mais pulsante. E a constatação de que a internet e sua infinidade de meios e modos de publicação retomou isso. Afinal, onde mais você encontraria essa célebre foto do Marcelo Tas?
Veja se tiver paciência o meu set completo de fotos do Vitrine 18 anos. E se não gostar dessas, tem as da HelenaN!
À TV Cultura, meus agradecimentos. Pela participação no programa, pela festinha depois e pelo VT da Renata Ceribelli de cabelo anos 80. Era divertidíssimo.
Leia mais no Tiago Dória.
revolta
17Oct08“Tudo é possível [de acontecer]. Temos o rapaz, que está comandando o episódio, então ele é o “herói’ da história. No psiquismo dele, ela é a ‘amada’ da história. Ele é o “Dom Quixote’ e ela a “Dulcinéia’”, afirmou Palomba. “Quando há passionalidade você põe igual a irracionalidade. E quando você põe irracionalidade, tudo pode acontecer.” Psiquiatra em entrevista à Folha, referindo-se a Lindemberg.
Que amar é esse que envolve tanto desamor? Que inventa uma fantasia perigosa de dominação e humilhação? Covardia de não tirar a própria vida, mas anular outras. Não é apenas a menina que morre. É a família, a amiga, o quarto dela, a esperança em seres humanos que cedem aos seus instintos maníaco-depressivos.
O verbo amar deveria ser reconsiderado no alfabeto das pessoas. Assim como o desprezo.
inventando horas
17Oct08Era um dia com cara de noite, assim, sem muita definição de hora. E isso lhe dava aflição, esse adjetivo do tempo de correr independente de qualquer outra coisa. Ele não poderia jamais controlar aquilo. Mas podia controlar seus próprios tempos e esquecia disso. Simplesmente não lembrava de reparar se luz forte de manhã lhe incomodava muito a vista. Se o banho é mais pro quente ou mais pro frio. Se é certo comer vegetais no café da manhã. Se é muito errado não fechar todos os trincos de casa. E sem perceber essas coisas já considerava o tempo insuficiente para acolher todos os seus tempos.
Mal sabia ele que havia muito mais a se fazer. Inclusive abandonar a mania de achar que o tempo não cabia nele.
fritos de terça
14Oct08É noise brincando com o lado de fora do MAM, lá no Ibirapuera.
Sim, o nome do conjunto é Fritos de Terça.







