velhinho de bagdá

Saí latindo e o velhinho de Bagdá não queria saber meu nome. Mesmo assim insisti, esperando que ele me retribuísse com uma história incrível de vida daquelas que faz a gente ficar arrepiado. Só que ele novamente se recusou a saber meu nome, como aqueles seres que não interagem na Viagem de Chihiro. Para acalmar minha própria cabeça, preferi acreditar que ele simplesmente não tinha uma história para me contar e pronto. O mundo é mais bonito quando acreditamos no que queremos acreditar. E quando desprezamos racionalmente a tal da atenção seletiva. Aprendi isso com um professor, o Clóvis, ele tinha um jeito debochado de ser. É todo mestre, doutor, pós, acadêmico-mor, mas simples que só. Conta as histórias da vida para exemplificar os teóricos, todos eles tão teóricos. Esse sim é um cara vestido de histórias interessantes. Ainda acho isso complicado, pois torna interessante uma história quem a conta. Melhor pensar que o velhinho de Bagdá era mudo. Assim não poderia me contar a sua grande história de vida enquanto eu latia meu nome para ele. Se bem que mudos podem contar ótimas histórias, tanto os mudos intencionais que-nem-mímico quanto os mudos mudos. É um olho que vem e vai piscando palavras que se enredam e se completam e se harmonizam. Mudos contam histórias sim. O velhinho de Bagdá não.

Talvez ele só estivesse apertado para ir ao banheiro.

Talvez ele não goste de pessoas que latem.

Talvez.

2 Responses to “velhinho de bagdá”

  1. Tato says:

    Sou teu fã, Mawá! Acho que já disse isso, né?

  2. Vilma says:

    Grande Clóvis. Consegue explicar de maneira simples coisas que os mortais precisam ler umas 10 vezes, cada uma com uma conclusão diferente.

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