Monthly archives: July 2008

hora do recreio

Vou lá na esquina praia benzer o corpo e volto já.

26 de julio

Em 26 de julho de 1953, Fidel, Raul e seus companheiros invadem o Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, numa tentativa fracassada de tomar o governo de Fulgêncio Batista. Usavam roupas do exército e foram descobertos porque alguém deles estava com a roupa incompleta. Mesmo com a falha na operação, a data é uma das mais comemoradas em Cuba, com bandeiras 26-de-julio por todos os lados enaltecendo o início da oposição à ditadura. Castro é julgado e condenado à prisão, mas se anistia no México em 1955. Volta à Cuba com Che Guevara, Raul Castro e Camilo Cienfuegos a bordo do Granma, em 1956, e dá início à guerrilha tomando a Sierra Maestra aos poucos.

Hoje o Quartel Moncada é uma instituição de ensino, onde pude conhecer Henrique (abaixo), pulando saltitante pelos arredores do prédio amarelo ainda com as marcas de tiros passados.

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Louca essa transposição de quartel para instituição de ensino como forma de valorizar a revolução. Quem tem exército tem poder. Quem tem ensino também.

velhinho de bagdá

Saí latindo e o velhinho de Bagdá não queria saber meu nome. Mesmo assim insisti, esperando que ele me retribuísse com uma história incrível de vida daquelas que faz a gente ficar arrepiado. Só que ele novamente se recusou a saber meu nome, como aqueles seres que não interagem na Viagem de Chihiro. Para acalmar minha própria cabeça, preferi acreditar que ele simplesmente não tinha uma história para me contar e pronto. O mundo é mais bonito quando acreditamos no que queremos acreditar. E quando desprezamos racionalmente a tal da atenção seletiva. Aprendi isso com um professor, o Clóvis, ele tinha um jeito debochado de ser. É todo mestre, doutor, pós, acadêmico-mor, mas simples que só. Conta as histórias da vida para exemplificar os teóricos, todos eles tão teóricos. Esse sim é um cara vestido de histórias interessantes. Ainda acho isso complicado, pois torna interessante uma história quem a conta. Melhor pensar que o velhinho de Bagdá era mudo. Assim não poderia me contar a sua grande história de vida enquanto eu latia meu nome para ele. Se bem que mudos podem contar ótimas histórias, tanto os mudos intencionais que-nem-mímico quanto os mudos mudos. É um olho que vem e vai piscando palavras que se enredam e se completam e se harmonizam. Mudos contam histórias sim. O velhinho de Bagdá não.

Talvez ele só estivesse apertado para ir ao banheiro.

Talvez ele não goste de pessoas que latem.

Talvez.

auto retrato granulado

Sou viciada em foto colorida e me considero mega mirim em foto preto e branco. Resolvi ceder aos medos e testar um filme que estava aqui me xavecando há alguns anos, cheio de asa e granulação pra me dar. O resultado tá aí, até que não ficou de todo mal.

Luz, sombra e não-luz, me aguardem. Momento experimentação tomando conta.

reparos

coração partido

Dá um aperto terrível que nem soluço preso na barriga. Só que ao invés de estar na barriga, ele sobe e entala nas amídalas. Nunca foi sabido exatamente como curar, essa coisa que interrompe suas cordas vocais que nem caminhão em ruazinha pequena. Vai empurrando enguiçado, esperando alguma ajuda dos céus ou dos mecânicos. Só que não tem mecânico que dê jeito nisso. Há quem ache ainda que garçons podem ajudar nessa questão. Eu não.

Se um dia eu descobrir, conto pra vocês.

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Outras fotos dessa coleção.

sobremesa?

Papai, eu quero um sorvete arigatô! Por Manu, 5 anos, pedindo ao pai uma sombremesa, também conhecida por petit gateau.

carona

Em tempos de Lei Seca, o melhor mesmo é pedir carona.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=yR1dVdIvIjE[/video]

cena noturna

Os carros se emparelharam no farol. Num deles, a moça vista de costas. No outro, o moço com olhos vivos. Pararam um ao lado do outro, de maneira que o dele ficou um pouquinho mais atrás, como que para privilegiar o ângulo de visão. Ele olhava num misto de compaixão e vontade de abraçar alguém que parecia merecer. Ela mexia a cabeça curiosa. Entre os segundos de eternidade que revelam o farol fechado, ele estendeu a mão. Ela aceitou pacificamente, como quem não lê os noticiários embriagados de psicopatas urbanos. Ainda com as mãos se tocando, ele sorriu. O farol abriu. E o mundo voltou a respirar.

Em segundos suspensos pelo trânsito, eles encontraram uma maneira mais orgânica de se falar entre casulos e máquinas.

steeeeeeeeela

Diálogo 1:

- Opa, então tá combinado! Nos veremos no show do João Donato no Ibira.

(2 horas depois)

- Putz, vou ter que desmarcar!

- Ahhhh, não acredito, por quê?

- Porque eu achei que tinha melhorado da caganeira dor de barriga. Mas rolou um acidente e eu ainda não sou capaz de ficar longe de um banheiro…

***

Diálogo 2:

- Olha, vou desmarcar nosso teatro hoje, mas você não quer jantar?

- Ih, acho que não.

- O que foi?

- É que a cadela do meu vizinho tá no cio e faz duas noites que eu não durmo porque meu cachorro tá louco com isso.

- …

- E agora eu dei tranquilizante pra ele e finalmente tô conseguindo dormir.

***

Às vezes eu tenho a impressão de que vivo num eterno episódio do Seinfeld.