30Jun08
Daí que, numa visita lindíssima à casa de Estevão, artista que mora em Paraisópolis e construiu sua casa bem parecida com a arte de Gaudi, encontrei o Henrique. Henrique, com uns 6, 7 anos, é o filho de Estevão e serelepemente andava pela casa enquanto eu, desconhecida do ambiente, ia atravessando com cuidado os corredores estreitos da casa. Eis que me deparo com Henrique bloqueando um corredor.
eu - Henrique, posso passar?
ele - Passar o quê?
eu (embarcando na viagem) - Sua roupa!
ele - Ah tá, pode. Olha o ferro aí.
No teto, em cima de mim, havia um ferro pendurado.
Conversas imprevisíveis me encantam, ainda mais quando elas mostram que existem vários caminhos para se chegar ao mesmo lugar. E outras várias soluções que você nem imaginava e que podem estar em cima da sua cabeça.
Mais perto do que você imagina.
26Jun08
Em tempos de provação, frases como essa são terrivelmente bonitas:
Imagine que depois disso tudo a gente vai se encantar lá no sesc. Passa rápido…
- Garçom, obrigada por trocas como essas no meio do caminho.
24Jun08
Gotas de iluminação via YouTube: Bobby Mcferrin e Barbatuques juntos.
[video]http://www.youtube.com/watch?v=sGIjlvE6le8[/video]
Da esquerda pra direita: Flávia Maia, Renato Epstein, Heloiza Ribeiro, João Simão, André Venegas, Fernando Barba, Mauricio Maas, Bruno Buarque, Dani Zulu, Mairah Rocha, André Hosoi, Giba Alves, Lu Horta.
Vagando pelo espaço: Bobby Mcferrin.
20Jun08

Funcionário novo aqui no trampo. Seu nome é Edson e posso dizer que, orgulhosamente, salvei-o da prostituição. Ele estava à venda numa esquina da Augusta, a míseros 10 reais. Resgatei-o, dei comida e estudo e agora tá aí, na cadeira do chefe.
Tem até laptop. E se der um beijinho, vira príncipe.
- Garçom, é sexta. Chega né, pufavô?
19Jun08
Daí que eu fui ao oftalmo apenas para atualizar minhas lentes de óculos e ele inventa que eu tenho um negocinho no olho. Por que que, quando médico diz que encontrou um ‘negocinho no olho’, nunca é algo como ‘você é imune a kriptonita’ ou ‘que cor de olhos exuberante e rara’?
Enfim, sem muitas delongas, fiz ontem a cirurgia para reparar o tal do negocinho, cujo nome no universo médico corresponde a ruptura na retina.
Por isso, senhoras e senhores, seres humanos e seres humanas, apresento-lhes, com muito orgulho, a nova versão: MaWá with Lasers.
Chuck Norris que se cuide.
16Jun08

Essa placa faz parte das minhas manhãs há aproximadamente 3 anos. E há 3 anos eu me pergunto: de onde viriam os veados da marginal? Vejo a placa e fico pensando se eles sairiam do Rio Pinheiros imitando a dancinha das mulheres do Fantástico ou se eles viriam diretamente dos prédios do outro lado da marginal, como seres mutantes que conseguem se adaptar a moradias verticais e cinzas da selva de pedra.
Tamanha minha fixação por essa placa que até já sonhei com esse fato. Mas no sonho os veados pareciam mais aquelas renas do Papai Noel que ficam expostas no Iguatemi, de peito estufado e saúde invejável. Ah, no sonho, eles voavam sobre os carros enquanto eu, surpresa, rezava para que eles não fossem como os pássaros de Hitchcock.
Adoraria ver um veado passeando na marginal, a imprensa toda alvoroçada, os biólogos explicando que eles são apenas uma mutação das famosas pacas que aparecem no Rio Pinheiros e tal. Seria, no mínimo, engraçado.
13Jun08

Capa do CD que será lançado nas Filipinas. Segundo o release, a artista utilizou técnicas de percussão corporal para compor as faixas tranquilizantes do CD novo. A idéia, segundo a artista, seria mesclar sensações sonoras a motivações decorrentes do estímulo a cores. O uso das cores vem da base fotográfica da artista, que há alguns anos vem brincando de alterar cores nas fotos analogicamente.
Era uma vez uma vontade de lançar um CD.
ou
Pra quem reclama que eu nunca coloco foto da minha pessoa por aqui, tá aí.
12Jun08
No palco, uma jovem contracena com seres humanos e outros nem tanto, criando uma seqüência de acontecimentos que surpreende a expectativa do público. L’Oratorio d’Aurélia, dirigido por Victoria Thierré Chaplin.

Fui ver o espetáculo da neta do Chaplin sabendo apenas que era ela a neta do Chaplin. Não vi nenhuma outra informação além de saber que ela misturava ilusionismo com inversões da rotina.
Depois de ver o espetáculo, entendi porque a informação mais palpável é justamente ela ser neta do Chaplin. Porque o espetáculo é inenarrável e, sim, Aurélia faz jus ao sobrenome que tem.
[video]http://www.youtube.com/watch?v=ijOv5QoTfLY[/video]
Não é a toa que essa família é conhecida na França como ‘família de encantadores’.
11Jun08

Lindíssimo trabalho de Kate Simons.
09Jun08
Um bichinho doido que estava dentro do corpo. Era assim que eu concebia a leucemia do meu pai. Foi essa a explicação que eu recebi e que inclusive eu passei para todos os meus amigos da escola.
- Meu pai tá morando em outra cidade pra tirar o bichinho doido que está dentro dele.
Nunca poderia imaginar a gravidade do que estava acontecendo. E criança é engraçado porque não difere as coisas ruins das boas. Eu, por exemplo, era capaz de comentar com o mesmo fascínio o bichinho doido do meu pai e o iogurte que a moça de Curitiba fazia. Ela fazia o iogurte e o deixava descansando por dias enrolado num cobertor. Sim, um cobertor. E eu não escondia minha admiração por aquilo. Não há julgamento moral perante a novidade. Um adulto não pararia para ver quão legal é colocar cobertor na roupa, simplesmente porque ele se condena a ‘só pensar na tristeza até que ela acabe’. Parece que não há o direito de ver coisas boas. Ou que a cegueira da preocupação toma conta de qualquer poro de percepção.
Ben’s game é um caso muito bacana. Ben, um menino de 8 anos, foi ao médico para receber a notícia. Ele tinha leucemia e precisaria passar por uma quimioterapia. O médico explicou que as células boas lutariam contra as células más e disse que seria importante ele visualizar modos de cura para ele. Preocupados com o filho, os pais perguntaram, após a consulta, se ele havia entendido o que estava acontecendo com ele.
- Sim, há um game dentro de mim.
Respostas singelas mostram o mundo de um jeito mais calmo. Parece até que não pesa. A partir disso, Ben quis fazer um game que explicasse a leucemia para outras crianças e, com a ajuda do desenvolvedor Eric Johnston, o game ficou pronto e está disponível para download aqui. Hoje é utilizado para que as crianças entendam o que está acontecendo com elas e passem o tempo mais alegre no hospital.
Ah, já tem 15 anos que eu conheci o iogurte feito com cobertor. Nunca mais comi o tal, mas me contento em ver meu pai todas as noites tomando seu iogurte antes de dormir.