sarará: modo de usar
Mãe de cabelo liso com filha de cabelo enrolado é uma catástrofe.
Primeiro vem a fase bebê, na qual a mãe não sabe ao certo como lidar com aquilo. O cabelo dela sempre cresceu aspirando o chão. O de sua filha, não. É um cabelo sem opinião formada, cheio de vontade de agarrar o mundo, não importa a direção. No meu caso, os limites eram impostos pela tesoura que, sei-lá-porque, permitia a existência de dois tufos de cabelo próximos às orelhas. Lembrava, a seu modo, o estilo princesa Léa de ser.
Em seguida, quando eu comecei a me dar por gente, decidi que queria o cabelo comprido. Eu quero-quero-quero. Então vamos lá. O cabelo foi crescendo aos poucos, mas o problema dos tufos persistia. Hoje em dia desconfio que o culpado por aquilo tudo era Dionísio. Calma, eu não era bêbada (até era, mas isso é história pra outro post). Dionísio era o cara que cortava meu cabelo, lá no Piazito. Ele - ou minha mãe - resolvia o problema da franja-tufo de uma maneira tosca simples: mulets a la Chitãozinho e Xororó. Lá estava eu na fase mulets da minha vida, cheia de estilo no Corcel do meu pai.
Quando percebi o que estava acontecendo, exigi que a parte superior da minha cabeça também tivesse fios longos. O único problema era que, até então, minha mãe tinha mania de pentear meu cabelo. Tá, eu até ia na onda dela, afinal, a Capricho da minha época não considerava a diversidade sexual racial e não me contava que eu deveria pentear os cachos apenas quando molhados. Todas deveriam ter cabelo liso e pronto. Entrei na fase Bethânia cheia de nós, cabelo estufado e muito banho de babosa milagroso sossega (juba de) leão.
Depois disso, cresci e virei mulher, como a Sandy. Insisti no cabelo comprido-no-meio-das-costas, mas dessa vez ao meu modo. Um grampo ali, um elástico aqui, uma faixa acolá. Era um inferno fazê-lo parar quieto. E só depois que eu virei mulher que nem a Wanessa Camargo foi que eu entrei em paz comigo mesma. Cortei as madeixas acima do pescoço e aprendi que meu cabelo tem identidade própria. A diferença é que enquanto cabelo comprido e desarrumado é desleixo, cabelo curto e desarrumado é estilo.
Ah, encarem esse post como um serviço solidário destinado a futuras crianças sararás que surgirem de ventres-chapinha. Quando elas crescerem e tiverem blogs atualizáveis via bluetooth do botão da roupa (ou da mais nova tecnologia que surgir), elas me agradecerão linkando esse post ‘das antigas’.



Tá vendo? Tudo tem uma razão de ser…
O corte à la Chitão virou tema de blog, hehehe…
Não venha me cobrar terapia, vc já desencanou total
Beijos
Mto bom! Eu também sou uma das poucas na família a ter cabelos originalmente crespos (e muitos, muitos cabelos). Minha mãe também nunca soube o que fazer com meus tufinhos. Eu também quis ter cabelos compridos por causa disso. Mas ainda preciso de técnicas à base de amônia para domá-los.