Monthly archives: April 2008

hipnose

Isso me lembrou que eu era muito feliz vendo a abertura do Rá-Tim-Bum. Ficava vidrada na movimentação das coisas e meu sonho era construir um daqueles na minha casa. Mas é óbvio que minhas incapacidades de engenheira não permitiram tal realização.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=KbJ1F7T0EvA[/video]

Ah, o primeiro link é dica da @baunilha.

a origem das coisas

É que as pessoas nervosas falam muito e, por estarem nervosas, abrem a boca mais do que necessário. Por isso, as borboletas confundem as bocas abertas com túneis mágicos do tempo e entram sem pedir licença, na esperança de voltar a ser criança larva. Descendo pelo corpo, acabam se debatendo com as paredes escuras e molhadas do estômago.

Assim surgiu a expressão butterflies in the stomach ou, em brazuca, borboletas no estômago.

O único caso que conseguiu liberar as borboletas novamente para a atmosfera foi o do moço do filme À espera de um milagre. Nos outros casos, as borboletas se acomodam nas dobras do estômago e acabam vivendo lá, domesticando mitocôndrias e brincando de seguir plaquetas.

Ilustração de Kate Endle.

edição :: invenção

Desenho inspirado no documentário Operátion Lune, de William Karel, no qual ele mostra que a ida do homem à Lua não passa de uma farsa bem articulada entre o governo americano e Stanley Kubrick.

Ah, o título em inglês é The dark side of the moon. Vale a pena assistir, principalmente pelo aula de edição que o cara faz para argumentar a farsa. Afinal, por que o homem nunca mais voltou à Lua?

clóvis

No hospital, costumamos atender somente as áreas infantis, já que adultos são muito grandes para nós. No entanto, ontem, o seu Clóvis encontrou conosco no corredor e seus olhos brilharam. Ele saía do quarto acompanhado da médica, fisioterapeuta provavelmente, com uma missão: andar um pouco pelo hospital, para exercitar as pernas. Não preciso nem dizer que nos incluímos na missão.

A feliz coincidência foi que esse hospital tem um vão redondo no meio. Nas extremidades, pessoas se afundam em cadeiras esperando visitas, resultados e opiniões.

Sugerimos ao seu Clóvis que cantássemos durante a caminhada. Ele tinha um sorriso maravilhoso e pulsava a cada sugestão que dávamos. É óbvio que nesses improvisos a gente sempre manda uma que não podia mandar, como cantar direita-esquerda-direita-esquerda-prum-lado-pro-outro… Hummm, ele não consegue andar prum lado ou pro outro.

- Garçom, me vê uma outra música, pufavô?

Foi quando começamos a cantar caminhando-contra-o-vento-sem-lenço-e-sem-documento… Seu Clóvis não escondia a surpresa graciosa essa música não é do tempo de vocês, nem do meu, que sou de antes dela! As pessoas afundadas das cadeiras passaram a ser a platéia de arena da caminhada musical: alguns palhaços ao lado de seu Clóvis e um outro na frente, interpretando o sol que se reparte em crinas. Dadas as duas voltas, cedemos ao desespero da fisioterapeuta que repetia seu Clóvis, calma, você não pode ir tão rápido.

Agradecemos. A platéia aplaudiu, talvez misturando a esperança e vontade de seu Clóvis com a própria dor que o levou a estar afundado na cadeira do hospital. É bom pensar que o seu familiar/amigo pode ser o próximo a cantar sorrindo eu vou, por que não, por que não…

caligrafia para adultos

Porque adulto esquece as coisas que aprendeu na infância.

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ser ou não?

Hippie. Indie. Mameluca. Mosca varejeira. Alma de anjo.

Me chamaram de tudo isso aí nessa semana. Tô confusa. Depois eu é que sou criativa…

- Garçom, pufavô, me vê uma identidade com gelo e limão?

música com garrafas

Já é manjado, qualquer um faz, mas I just can´t get enough.

mundo natural

Uma montanha é apenas uma espinha no mundo. E se o dono do mundo cutuca, vira vulcão.

como usar elevadores

Desde que os homens descobriram que poderiam aproveitar o espaço acima da própria cabeça para morar ou trabalhar, veio a dificuldade: como se locomover facilmente entre essas adições de altura?

Caixas de metal que nos levam para cima e para baixo vieram como a solução. Se é possível colocar roupas em quadrados de couro para melhor transportá-las, é possível colocar humanos em quadrados de metal para melhor transportá-los. Entendam quadrados como objetos com ângulos retos, mas não necessariamente os quadradamente quadrados, já que os elementos em questão – malas e elevadores – podem ser quadradamente retangulares. Pois bem, esse é um guia de como usar essas tais malas de metal que te levam verticalmente a qualquer lugar.

Procure uma dessas caixas de metal, comumente situadas na entrada de prédios ou coisas compridas. A maioria das caixas possui botões que acendem e apagam conforme a pressão exercida sobre elas. Pense bem antes de optar por um dos botões. Ele define se sua alma será elevada a um nível superior ou inferior. Repare que, nesse caso, excluí as pessoas que chamam o elevador para ficarem no mesmo lugar ou, na maioria dos casos, que só querem utilizar o espelho rapidamente. Tais pessoas serão desclassificadas por utilizarem o elevador para fins diferentes do transporte vertical.

Uma vez que a caixa de metal chega no mesmo plano astro-físico que o seu, as portas se abrem magicamente. Mistério esse revelado pelos pequenos seres que vivem no fosso do elevador, berrando abre-te-sésamo a cada momento que a caixa atinge seu destinador. Uma vez aberta, você pode entrar, um pé depois do outro e situar-se no espaço físico que quiser. Se esse espaço físico que você escolheu já tiver uma pessoa, você tem duas opções: ser educado e empurrá-la com pouca força ou não ser educado e empurrá-la com muita força. Respeite sempre o seu humor e aja naturalmente. Uma vez dentro da caixa, chega outro momento de escolha: subir ou descer. Mais uma vez, sugiro que respeite seu humor.

Calma, a missão está quase cumprida. Simplesmente ignore a voz que sai de dentro do elevador. Descobri que ela não passa de uma evasão de funcionárias do aeroporto que, devido à crise aérea, resolveram migrar para os elevadores, repetindo o mau-humor na frase Favor liberar a porta. Ora, se estou segurando, é porque preciso. Que nem xixi em viagem de carro. Se tem que segurar, é porque tem que segurar. Além dessa voz, é costumeiro encontrar uma tela com notícias e propagandas. Você pode ficar embaixo dessa tela e achar que todos estão olhando para você ou ser um dos outros que está olhando para a tela. Repare que, nessa última opção, outra pessoa achará que todos estão olhando para ela. Mas isso não é problema seu. E se alguém do lado de fora perguntar Sobe?, defina o livre-arbítrio para ela: sobe se você quiser.

Pronto, a lição está completa. Atente apenas para mais um fato: a tal caixa de metal se locomove para baixo e para cima, incondicionalmente. Caso você se encontre numa superfície que te locomove para a direita ou para a esquerda, desconfie. Você pode estar numa esteira.

Texto inspirado em Instruções para subir uma escada, de Julio Cortázar.

mil compassos

Coisa bonita que merece um naco precioso da sua vida. É tão fácil a gente esquecer de dar essa pausa que às vezes é até bom lembrar.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=AaRfGovkbfM[/video]

E se a vida é feito música, melhor calcular direitinho o tamanho das pausas, já que o som só é bonito por causa do silêncio.