É que as pessoas nervosas falam muito e, por estarem nervosas, abrem a boca mais do que necessário. Por isso, as borboletas confundem as bocas abertas com túneis mágicos do tempo e entram sem pedir licença, na esperança de voltar a ser criança larva. Descendo pelo corpo, acabam se debatendo com as paredes escuras e molhadas do estômago.

Assim surgiu a expressão butterflies in the stomach ou, em brazuca, borboletas no estômago.

O único caso que conseguiu liberar as borboletas novamente para a atmosfera foi o do moço do filme À espera de um milagre. Nos outros casos, as borboletas se acomodam nas dobras do estômago e acabam vivendo lá, domesticando mitocôndrias e brincando de seguir plaquetas.

Ilustração de Kate Endle.


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