Já toquei violão com Jesus no Peru. Já levei uma garrafada no nariz dos moços maus da FGV. Já fiquei ilhada em uma pedra cheia de ouriços. Já fui picada por um escorpião no interior da Paraíba. Já conversei com estranhos na rua. E na internet. Já abracei alguém por exatos 27 minutos. Já torci para que o dia acabasse. E para que começasse também. Já fui expulsa da casa do Manoel Carlos. Já subi no WTC. Já desci cachoeira na unha. Já plantei uma árvore. Já dancei no McDia Feliz, no Sesc e no meio das mesas de um restaurante. Já vi criança brilhar os olhos. E parar de chorar. Já briguei no trânsito. Já sapateei dentro de uma igreja. Já fugi do banho. Já chorei em Machu Picchu. Já comi até ficar sem lugar no mundo. Já ri do nada. Já pensei em morar na praia. Continuo pensando nisso. Já comi rã empanada e broto de samambaia. Já girei até ficar tonta na chuva. Já dormi no ombro de alguém. E babei. Já me fantasiei de polvo amarelo. Já passei a noite acordada só para ver o sol nascer desde o comecinho. Já fui ao Macapá. Já vi a mesma peça de teatro três vezes. Me arrepiei as três. Já pulei o mais alto que eu consegui. Já voei.

E se eu tivesse que ser fiel ao 1 de abril, teria que dizer: tudo isso é mentira.


One Response to “ensaio do avesso”  

  1. 1 Careca

    Mawa,
    então foi você que babou no meu ombro, naquele ônibus pra Mangaratiba!
    Pra variar, um texto superbacana. É verdade!
    :)

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