Daí que me mandaram fazer umas fotos de caminhões lá na beira da marginal Tietê. Mas não me avisaram em qual dia isso seria feito e é lógico que caiu num dia que eu estava de saia, meia-calça fina daquelas que-desfia-mesmo e bota. Mas vamos lá, tudo na esportiva. Chegando lá, percebo que é praticamente impossível fotografar o ângulo que me pediram. Quer dizer, seria possível se eu não tivesse faltado nas aulas de vôo na faculdade (ou se eu tivesse aquela vassoura muito louca do Harry Potter). Como eu não tinha possibilidades de flutuação, a foto teria que ser feita de outra maneira. Sobe pé ali, joelho na roda, mão na caçamba e surpresa: lá estou eu trepada em cima de outro caminhão, pensando em quem seria avisado caso eu caísse daquele treco. Mas fotógrafo que se preza não se incomoda em fazer aquelas posições semi-sexuais alternativas, tudo em nome da arte. Só esqueci que a marginal estava logo atrás de mim, lotada de caminhoneiros empolgados berrando aeeeeee-gostosa-fiufiu-daí-pra-baixo.
- Garçom, me vê uma equipe de produção fotográfica ou a chance de fazer trabalhos autorais, pufavô?