Daí que há três semanas atrás um moço bateu no meu carro e não quis pagar, com direito a grosseria e tudo. Resultado: tribunal de pequenas causas marcado e agendado.
Hoje de manhã outro moço bateu no carro que eu dirigia (que era o da minha mãe e não o meu). O moço gentilmente desceu do carro, pediu desculpas e disse que iria pagar. Passou seus dados enquanto o amigo dele olhava a situação com cara de saco cheio. Os dois vestiam crachás e tinham cara de firma – sim, eu tô falando do sentido pejorativo dessa palavra.
Mesmo brava, resolvi acreditar no bem da humanidade e confiar no moço. Afinal, deve haver gente no mundo que cumpre tranquilamente o que fala. Orcei o estrago e liguei pro dito cujo. Ele engoliu o valor e disse que já-já-me-ligava.
Liguei uma, liguei duas, liguei três. Nada. Liguei quatro. Na quinta vez, alguém atende. Entendo que quem atendeu foi o tal do amigo que estava com ele no carro.
- Sabe o que é, moça, o orçamento que você passou tá muito caro. Queria que você levasse no meu funileiro.
- Eu não quero levar no seu funileiro, eu quero arrumar isso perto de onde estou.
- Mas a gente pode fazer isso no sábado, eu vou com você.
- Moço, eu não quero fazer isso no sábado, bem no dia que eu tenho pra descansar…
- Então, mas eu tava pensando, a gente não precisa ir só à funilaria, queria que você fosse ao cinema comigo.
- … (nesse momento, instrumentos de tortura me parecem uma forma educativa de ver o mundo)
Putaquel. O que se passa na cabeça de um demente cara desses? Que eu curto arrumar o carro e, por que não, receber um convite pro cinema? Gostaria que ele queimasse virgem no inferno entendesse que a situação não é adequada. Dá até preguiça de fazer o vudu falar com ele de novo. Como assim, ir-ao-cinema? Ahhhhhhhhhhhhh.
Depois dessa, começo a ver uma certa classe nos pedreiros que lambem os beiços quando as mulheres passam. Ao menos, eles não tiram o crédito do restante da humanidade.
- Garçom, me vê a conta logo, pufavô, que eu até perdi a fome.