reencontro

- A palhaça não reconheceu a gente, disse a mãe ao me encontrar no elevador do hospital.

Reconheci sim. Na última vez em que nos vimos, a família havia acabado de receber a notícia: o bebê iria para a UTI. Entramos no quarto enquanto a mãe chorava lágrimas esparsas. O pai falava no telefone preocupado e o bebê deitava na sua ignorância racional. Para ele, UTI poderia soar tão bonitinho quanto MIMIMI. Oferecemos nossos abraços para que a mãe descarregasse o rio de lágrimas enquanto segurávamos as nossas. Fomos embora.

- Lembro sim. Foi numa vez que vocês iam se mudar para um lugar menos legal.

A mãe abriu os olhos, desconfiada. As chances de eu lembrar deles eram tão instáveis quanto a situação do bebê na UTI. Ao menos parecia ser essa sua opinião.

Tenho uma dúvida recorrente sobre o que faço nos hospitais. O que é aquilo? Pra que serve aquilo? E a principal: pra quem serve aquilo? Me confortei nesse reencontro. Toda orgulhosa, aquela mãe cujo nome eu não tenho idéia, dividiu comigo: estamos de alta.

4 Comments

  1. Mawa,
    acho o que você faz admirável. Se é bom pros outros, também pode ser bom pra você. Desencana.

  2. own.
    Mawá, você é voluntária num hospital? Que lindo..

    e sim, eu estava lá domingo mas sabe o que é? Eu vim aqui ver suas fotos pra ver se eu via você em alguma delas, pra gravar seu rostinho e te encontrar lá.. mas a unica coisa que eu vi foi crianças e guloseimas delicias :) aí não deu pra ir dar um Oi!

    mas foi tão lindo né? eu adorei..

  3. sempre que leio seus textos de Clown fico arrepiada… SEMPRE!

    lindo!

  4. Ai que saudade dos meus tempos de hospital…
    Siga em frente, my dear. De coração aberto para dar e receber!
    Beijo d’eu no coração da Cremilda.

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