Monthly archives: March 2008

reencontro

- A palhaça não reconheceu a gente, disse a mãe ao me encontrar no elevador do hospital.

Reconheci sim. Na última vez em que nos vimos, a família havia acabado de receber a notícia: o bebê iria para a UTI. Entramos no quarto enquanto a mãe chorava lágrimas esparsas. O pai falava no telefone preocupado e o bebê deitava na sua ignorância racional. Para ele, UTI poderia soar tão bonitinho quanto MIMIMI. Oferecemos nossos abraços para que a mãe descarregasse o rio de lágrimas enquanto segurávamos as nossas. Fomos embora.

- Lembro sim. Foi numa vez que vocês iam se mudar para um lugar menos legal.

A mãe abriu os olhos, desconfiada. As chances de eu lembrar deles eram tão instáveis quanto a situação do bebê na UTI. Ao menos parecia ser essa sua opinião.

Tenho uma dúvida recorrente sobre o que faço nos hospitais. O que é aquilo? Pra que serve aquilo? E a principal: pra quem serve aquilo? Me confortei nesse reencontro. Toda orgulhosa, aquela mãe cujo nome eu não tenho idéia, dividiu comigo: estamos de alta.

off topic

Se alguém estiver vendendo uma lombar em perfeito estado, eu compro.

manoteado

Bacana a concepção coreográfica das mãos que fazem sons:

[video]http://www.youtube.com/watch?v=C8jh4vgP9Ec[/video]

<comentário infame> E se sapateado é a percussão com os pés, isso poderia ser chamado de manoteado </ho ho ho>

Dica do Claudinho!

os batatas

Se você nasceu nos anos 80, entre os meses de março a junho e outubro a dezembro, esta novidade é pra você. Se você acredita que há uma relação entre pássaros que matam, arraias que entram de carrinho e pterodáctilos, essa novidade é pra você. Se você é fã das respostas do Luquinhas, essa novidade é pra você. Se você gosta de café, nozes e cheesecake, essa novidade é pra você. E, principalmente, se você é capaz de abstrair qualquer necessidade de explicação e viver no mundo nonsense apenas pelo perigo e sedução, essa novidade é pra você.

Com vocês, o mais novo e genial blog: Os Batatas!

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Um blog cheio de cultura, dicas, tendências e batatas. Assado, cozido e frito por eu-mesma e Fran-multilinks.

crença

Tem gente que não acredita em sinais. Imagine a cena: eu, na cama, com o computadô no colo selecionando fotos e cuidando pra não babar ou despencar de sono no teclado. De repente, aparece o seguinte recado:

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É ou não um sinal pra eu ceder aos prazeres do sono?

Beijo-boa-noite-me-liga.

de fases

O moço que senta na minha frente dispensou meio ovinho de Nhá Benta da Kopenhagen, alegando que era muito doce.

Má-má-má-como-assim??

Depois dizem que é difícil entender as mulheres.

tipo, hã?

O dia em que o G1 fingiu que era o Terra Quentinhas.

quem nasceu primeiro: o emo ou a lágrima?

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Boa Páscoa, disse o emo egg. Pensem em quem vocês amam, de preferência usando lápis nos olhos.

crianças e suas perguntas incômodas

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- Mas palhaça, você vai pra onde com essa mala?

Essa é a pergunta que não quer calar, Luquinhas. Se eu soubesse…

síntese é bom, mas tem limite

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Tô inscrevendo minhas fotos num concurso que pede um ‘release do trabalho (um breve texto com até 500 caracteres com espaço)’. Antes de contar qualquer caracter, saí escrevendo como qualquer-redator-sem-métodos. Até achei que 500 era um número alto e que, nessa quantidade, caberiam muitas e muitas palavras.

Escrever bem é saber vestir as palavras de acordo com a festa. É entender se é traje social completo e se sombra verde nos olhos cai bem. Quando você consegue fazer isso e deixar todo mundo bem à vontade no texto, bingo. A festa foi um sucesso.

Pois bem. Teoria feita, prática frustrada. A seguir, a epopéia literária.

Versão 1: E agora, Fidel?

Cuba é, sem a menor dúvida, um país revolucionário. O que aconteceu lá é admirável. A revolução ainda pulsa nos olhinhos brilhantes dos cubanos, sendo nítida a sensação de orgulho pela iniciativa dos barbudos. Os ideais da revolução estão em todos os planos, paredes e flagrantes. A revolução venceu. Mas Fidel renunciou.

A pergunta de todos é muito simples: e agora, Fidel? Raul segue no comando, mantendo poeticamente intacta a estrutura do país. País cujo povo pulsa, brilha, dança. É um povo que está pronto para saltar além mar, impossibilitado por questões maiores.

Estar em Cuba um mês antes da renúncia foi uma questão de sorte. Um caminho que me levou a ver como é possível gostar com ódio de um sistema político. Sentir na pele as mudanças da história antes que ela tenha acabado em um museu. Cuba, aos poucos, entende que é necessário voar. E enquanto alguns se acomodam com felicidade em seus charutos e doses de rum, outros preparam seus passaportes para serem carimbados pela primeira vez.

Versão 2: E agora, Fidel?

Cuba é, com certeza, um país revolucionário e admirável. A luta pulsa nos olhos brilhantes dos cubanos, legitimando a sensação de orgulho pelos barbudos. Os ideais estão em todos os lugares. A revolução venceu. Castro renunciou. E agora, Fidel? Estar lá um mês antes da renúncia foi questão de sorte. Algo que mostrou como é possível gostar com ódio de um sistema político. Fotografar a história antes mesmo dela virar livro. Cuba, aos poucos, entende que é necessário voar. E enquanto alguns se acomodam com felicidade em seus charutos-com-rum, outros preparam seus passaportes para serem carimbados pela primeira vez.

Considerando que a primeira tem 1017 caracteres e a segunda, 634, o jeito é apelar:

Versão 3: E agora, Fidel?

Cuba é irado, mas o sistema é complicado. O povo gosta mas sofre. E agora, Fidel? Vai ter jeito de controlar isso tudo ou Cuba vai lançar foguete? Espero que gostem das fotos. Bjo-me-liga.

- Garçom, pufavô, quais são as chances do projeto ser aprovado com essa última descrição?