
Tô inscrevendo minhas fotos num concurso que pede um ‘release do trabalho (um breve texto com até 500 caracteres com espaço)’. Antes de contar qualquer caracter, saí escrevendo como qualquer-redator-sem-métodos. Até achei que 500 era um número alto e que, nessa quantidade, caberiam muitas e muitas palavras.
Escrever bem é saber vestir as palavras de acordo com a festa. É entender se é traje social completo e se sombra verde nos olhos cai bem. Quando você consegue fazer isso e deixar todo mundo bem à vontade no texto, bingo. A festa foi um sucesso.
Pois bem. Teoria feita, prática frustrada. A seguir, a epopéia literária.
Versão 1: E agora, Fidel?
Cuba é, sem a menor dúvida, um país revolucionário. O que aconteceu lá é admirável. A revolução ainda pulsa nos olhinhos brilhantes dos cubanos, sendo nítida a sensação de orgulho pela iniciativa dos barbudos. Os ideais da revolução estão em todos os planos, paredes e flagrantes. A revolução venceu. Mas Fidel renunciou.
A pergunta de todos é muito simples: e agora, Fidel? Raul segue no comando, mantendo poeticamente intacta a estrutura do país. País cujo povo pulsa, brilha, dança. É um povo que está pronto para saltar além mar, impossibilitado por questões maiores.
Estar em Cuba um mês antes da renúncia foi uma questão de sorte. Um caminho que me levou a ver como é possível gostar com ódio de um sistema político. Sentir na pele as mudanças da história antes que ela tenha acabado em um museu. Cuba, aos poucos, entende que é necessário voar. E enquanto alguns se acomodam com felicidade em seus charutos e doses de rum, outros preparam seus passaportes para serem carimbados pela primeira vez.
Versão 2: E agora, Fidel?
Cuba é, com certeza, um país revolucionário e admirável. A luta pulsa nos olhos brilhantes dos cubanos, legitimando a sensação de orgulho pelos barbudos. Os ideais estão em todos os lugares. A revolução venceu. Castro renunciou. E agora, Fidel? Estar lá um mês antes da renúncia foi questão de sorte. Algo que mostrou como é possível gostar com ódio de um sistema político. Fotografar a história antes mesmo dela virar livro. Cuba, aos poucos, entende que é necessário voar. E enquanto alguns se acomodam com felicidade em seus charutos-com-rum, outros preparam seus passaportes para serem carimbados pela primeira vez.
Considerando que a primeira tem 1017 caracteres e a segunda, 634, o jeito é apelar:
Versão 3: E agora, Fidel?
Cuba é irado, mas o sistema é complicado. O povo gosta mas sofre. E agora, Fidel? Vai ter jeito de controlar isso tudo ou Cuba vai lançar foguete? Espero que gostem das fotos. Bjo-me-liga.
- Garçom, pufavô, quais são as chances do projeto ser aprovado com essa última descrição?