Viajar em cinco mulheres é engraçado. Era praticamente impossível passarmos desapercebidas por qualquer lugar. No começo, isso é divertidíssimo. Todo mundo quer falar, conhecer, saber mais. Distribuímos sorrisos, falas e simpatia por todo canto. Mas tem hora que cansa responder que soy-de-brasil, ah-te-gusta-la-novela-brasileña, gracias-pero- no-quiero-un-novio-cubano. O pior é que os cubanos insistiam bastante no diálogo e não paravam enquanto você não saísse correndo ou atravessasse a rua. Por isso, acabamos desenvolvendo alguns métodos de anti-socialismo (ahá, pegou o trocadilho hein, Cuba, socialismo, ahá, ahá)
Primeiro pensamos em dizer que éramos da China e que não falávamos espanhol. Mas como nossas caras denunciavam a mentira, mudamos o discurso para Tailândia. Pena que a gente começava a rir e a técnica falhava. Em segundo lugar, apelamos para a língua alemã. De repente, as cinco discutiam Peirce na língua hauschtein-ahsh-viz com todos os argumentos possíveis. Isso funcionou regularmente para evitar conversas malas. A terceira técnica – e a mais radical – só era utilizada em casos extremos. Sem mais nem menos, limpávamos o salão. Sim, isso mesmo, assear as narinas utilizando o indicador, vulgo cutucar o nariz. Ainda bem que essa última opção só teve que ser utilizada em raríssimos casos, já que ela envolve um certo desprendimento.
Vejam bem, os cubanos são graciosos, super bacanas, mas têm que entender que às vezes tudo que queremos é beber uma cerveja com as amigas. Digo, com as quatro amigas. E só. O difícil é quando a gente entra numa balada, o garçom de mullets e colete rosa puxa papo, descobre o país, sobe no palco e pede uma salva de palmas para as brasileiras que chegaram. Aí não tem técnica que funcione.
One Response to “chicas”
hahhahahah era bem isso mesmo.