cores de cuba

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Cuba não é tão colorida quanto o Brasil, disse Rafael, taxista cubano 

A primeira – e inevitável – pergunta que me fazem sobre o país de Fidel é e aí, qual a situação de lá?

Nem de longe eu proponho uma análise sócio-econômica do país, mas eu diria que o regime tem pontos muito fortes e pontos fracos. Enfatizo o ‘muito’ no positivo, já que não dá para negar a qualidade de certos pontos de lá. Todo mundo tem escola. Maria, mãe de Merlene e Sérgio e tia de Lizandra, nos disse em uma caminhada no Malecón: só sou o que sou graças à revolução. Sou negra e, se não fosse cubana, provavelmente não teria estudado e muito menos chegaria a ser professora. Merlene, de uns 10 anos, diz que ama a escola. Lizandra, de 9, enumerou orgulhosa todas as suas matérias: matemática, espanhol, inglês, computação, ciências e ‘el mundo en que vivimos’. Sérgio era mais quieto. Finalizando o papo, Maria disse que adoraria fazer uma espécie de intercâmbio em outro país, melhor-se-fosse-o-Brasil, mas que só faria com uma condição: poder voltar pra Cuba depois.

Andávamos em direção ao Hotel Nacional, em Vedado, e Maria apontou um outro lado da história. Se eu quisesse entrar lá com vocês, não poderia. Ao mesmo tempo em que ela não deveria passar muito tempo conversando conosco-leia-se-turistas, ao mesmo tempo em que a quantidade de comida barata à qual tem acesso é muito pouca, ao mesmo tempo que não há dinheiro para fazer qualquer coisa mais legal, ao mesmo tempo que o governo sabe quantas vezes por dia ela pisca os olhos.

É bonito não ver miséria, ver hospital e escola fucionando. Ainda mais para nós que estamos acostumados com esse Brasilzão. Mas depois de conversas como a que tivemos com Maria foi que eu entendi o que era o tal colorido ao qual o taxista se referia.

One Comment

  1. Marilia Fleury

    Que foto linda! Que exatidão de luz e sombra (assim como no texto).

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