Admito: esses dentinhos na foto são um charme. E essa foto é parte da minha primeira experiência com filmes pequenos em uma máquina que admite filmes maiores. Curti.
Ah, a foto foi tirada na apaixonante Oficina do Francisco Brennand, lá no Recife.
Admito: esses dentinhos na foto são um charme. E essa foto é parte da minha primeira experiência com filmes pequenos em uma máquina que admite filmes maiores. Curti.
Ah, a foto foi tirada na apaixonante Oficina do Francisco Brennand, lá no Recife.

Quando seu corpo está na água, ele reverbera aquele estado líquido. Seus músculos parecem uma gelatina, as coisas penduradas no tronco não pesam mais, você ouve o som das algas acalmando a salva de palmas dos moluscos bípedes. O seu ouvido passa a ser mais importante do que seu olho para perceber o mundo, diferente do que acontece na vida com pó. Tudo parece vibrar de outro jeito, meio molenga, meio gingado.
Quando você está no ar, em cima da terra mas sem nenhum ponto de apoio, seu corpo também adota outro estado. É um estado de liberdade, passagem, adrenalina. Nada mais pesa até que você entre em contato com outra superfície. O que acontece na verdade é que um anjo vem até você e resolve te dar de presente para a massa de ar mais próxima. O único problema é que as massas de ar costumam ser desfocadas e te deixam cair rapidinho.
Mas nem por isso elas são grosseiras. São simplesmente desastradas. E ponto.
Foto minha, desenho da Carlotas, do pseudo-projeto Lente com Lápis.

Ahá! Diz aí se eu não ganhei o toyart mais fofo – e exclusivo – do mundo?
A arte é da Moda Supimpa e quem me deu o presente foi a querida Fran, que também responde por aqui, por ali e por acolá. Recomendo a leitura de tudo isso aí que eu linkei, não só porque deu trabalho para colocar os links, mas porque a moça é bem talentosa.
E se você não tem a mesma sorte que eu de ganhar um desses de presente, é só fazer a sua encomenda e esperar ansiosamente no sofá da sala, com os pezinhos balançando. A coleção é bem bacana e quem faz também.
Você percebe que ama alguém quando escuta, pacientemente, a explicação dessa pessoa-já-meio-bêbada para o clipe Romeo and Juliet, do Dire Straits. Não só escuta, como reflete junto e dá novas idéias de interpretação.
[video]http://www.youtube.com/watch?v=Gz4TDrE67mI[/video]
Você também percebe que ama a pessoa quando ela resolve se mudar de cidade e, ao se despedirem, você abraça forte-que-dói, olha pra baixo, diz tchau logo e libera as lágrimas quando estiver sozinha no carro, da maneira mais compulsiva do mundo.
Amigo com síndrome de War é complicado. Ô mania de querer conquistar o mundo e deixar a gente de coração apertadinho que só…

Em quase toda esquina de Cuba tem um grupo de músicos, mas esses eram especiais.
Detalhe: para atrair turistas, o repertório oficial de qualquer cubano inclui Guantanamera, Besame mucho e Quizás.
Pausando o momento Cuba, apresento-lhes o momento revival de sapateado em pleno Recife. Explico: Bianca, grande amiga, sapateadora, coreógrafa, professora e do-bem, pegou uma turma do Ballet Magê Molê para ensinar sapateado. O Magê Molê é um grupo nascido há 10 anos na comunidade de Peixinhos e seu nome significa ‘crianças que brilham’. O trabalho realizado com as crianças é lindíssimo, além de ter transformado o antigo matadouro inutilizado de Peixinhos em um ‘nascedouro’ – como eles gostam de chamar. Lá, as drogas e a violência deram lugar à arte e à educação.
Na sexta passada, o Tap Magê participou do Janeiro de Grandes Espetáculos e lá fui eu pro palco com Bianca.
[video]http://www.youtube.com/watch?v=aiL8XsV74yc[/video]
Cena: cinco brasileiras perdidas dirigindo um carro em Cuba. Avistam dois caras do exército e páram para pedir orientações. O cara chega perto e elas percebem que ele é maravilhoso, de pele queimada e olhos verdes.
- Hola, por favor, como llegamos a sei-lá-onde?
- Humm, sí, bla-bla-bla derecho, bla-bla-bla izquierda, bla-bla-bla casa del correo, bla-bla-bla…
As cincos meninas olham fixamente para ele, que encerra a explicação:
- … derecha, bla-bla-bla y pronto.
- Ahhh, tá, muchas gracias.
Motorista engata a primeira e, assim que o deus moço sai, pergunta:
- O que eu tenho que fazer mesmo?
Nenhuma das cinco sabe responder. Impossível prestar atenção na fala do cara. Seguem o caminho rindo e procurando outra pessoa para perguntar.
Viajar em cinco mulheres é engraçado. Era praticamente impossível passarmos desapercebidas por qualquer lugar. No começo, isso é divertidíssimo. Todo mundo quer falar, conhecer, saber mais. Distribuímos sorrisos, falas e simpatia por todo canto. Mas tem hora que cansa responder que soy-de-brasil, ah-te-gusta-la-novela-brasileña, gracias-pero- no-quiero-un-novio-cubano. O pior é que os cubanos insistiam bastante no diálogo e não paravam enquanto você não saísse correndo ou atravessasse a rua. Por isso, acabamos desenvolvendo alguns métodos de anti-socialismo (ahá, pegou o trocadilho hein, Cuba, socialismo, ahá, ahá)
Primeiro pensamos em dizer que éramos da China e que não falávamos espanhol. Mas como nossas caras denunciavam a mentira, mudamos o discurso para Tailândia. Pena que a gente começava a rir e a técnica falhava. Em segundo lugar, apelamos para a língua alemã. De repente, as cinco discutiam Peirce na língua hauschtein-ahsh-viz com todos os argumentos possíveis. Isso funcionou regularmente para evitar conversas malas. A terceira técnica – e a mais radical – só era utilizada em casos extremos. Sem mais nem menos, limpávamos o salão. Sim, isso mesmo, assear as narinas utilizando o indicador, vulgo cutucar o nariz. Ainda bem que essa última opção só teve que ser utilizada em raríssimos casos, já que ela envolve um certo desprendimento.
Vejam bem, os cubanos são graciosos, super bacanas, mas têm que entender que às vezes tudo que queremos é beber uma cerveja com as amigas. Digo, com as quatro amigas. E só. O difícil é quando a gente entra numa balada, o garçom de mullets e colete rosa puxa papo, descobre o país, sobe no palco e pede uma salva de palmas para as brasileiras que chegaram. Aí não tem técnica que funcione.