Monthly archives: December 2007

sala de espera

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(som ambiente alfa-efe-eme)

- Sabe, às vezes sinto que ele não tá lá quando eu quero falar de coisas que me incomodam, que nem a voz irritante daquela mulher que trabalha comigo. Ele não percebe como isso pode me me fazer mal, já que a mulher fica o dia inteiro ao meu lado, falando, falando, falando, me irritando, me irritando, me irritando.

- …

- Deve ser por isso também que minha auto-estima anda que nem bêbado no centro, caindo de um lado pro outro, só ficando bem no auge do álcool. Quando o efeito passa, adeus bem-estar. (respira, olha para o lado, mexe compulsivamente no colar de pérolas). Você se incomoda de me dar um cigarro? Sabe o que é, eu não fumo, mas nesses momentos um trago cairia bem.

- Sim, claro.

- E você, me conte algo da sua vida… O que faz, por que está aqui nessa sala de espera, sei lá, diga algo (que encubra minha solidão).

- Bonitos seus sapatos vermelhos.

(fim de cena, corte seco na imagem, continua apenas o som ambiente)

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Desenho da Carlota sobre foto minha, do pseudo-projeto Lente com Lápis.

frutare gingado

Adorei a versão remix-novo-de-novo do palito premiado da Kibon.

Ao invés de um “achou, ganhou” com palitos, a promoção congelou 10 mil iPods no exato formato e peso de um picolé. (copy+paste do Merigo que detalhou a campanha da Bullet)

Sensacional. Só fiquei na dúvida do que pedir ao sorveteiro. Um iPod de maracujá ou um picolé de 4GB?

- Garçom, me vê um refresco musical, pufavô?

dia do palhaço

Hoje é dia do palhaço, em homenagem ao Piolim (Abelardo Pinto), que nasceu nessa data no ano de 1897, em Ribeirão Preto (SP) e morreu em 1973.

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Eba!

Auto-retrato da Cremilda, chão da Santa Casa, sapato ganhado de presente, meias esclarecedoras e saia nascida do encontro do sol com a chuva.

o que faz uma pessoa parar de chorar?

O palhaço sabe que pode fazer tudo que quiser. Mas quando está dentro de um hospital, o palhaço também sabe que o médico costuma ter a prioridade. A maioria dos médicos curte a presença de narizes vermelhos por lá – cada um respeitando o trabalho do outro.

Cena de ontem: entrávamos num quarto. Estabelecíamos contato com os presentes. Três médicos entravam atrás e cortavam o que acontecia. Na primeira vez, tudo bem. Mudamos de quarto, afinal, eles precisam atender os pacientes. No segundo quarto, a mesma coisa. Narizes entram, se identificam, estetoscópios entram, cortam o barato, narizes saem. Vamos para o próximo, fugir finalmente desse trio. Tensão não é a palavra correta para descrever o que o ocorria, mas dá uma preguiça de ver seu momento cortado pela superioridade branca. Próximo quarto!

Dois pacientes, um acompanhante, uma enfermeira. Enfermeira segura um nenê pequeno, zero-anos-de-idade, chorando. Chorando não, se esgoelando. Vamos até o segundo paciente. Cantamos, dançamos, olhamos. O outro segue chorando. Cantamos mais, dançamos mais, olhamos mais. O outro chora mais. Terminamos o atendimento do primeiro e seguimos para o das lágrimas. O que faz uma pessoa parar de chorar? Tentamos, olhamos, testamos. Começo a percussão corporal. Ele dá uma arregalada num dos olhos, curioso com o som. Minha dupla começa a fazer uns sons e mexer a cabeça. Ele olha fixo e as lágrimas cessam. Ele fixa nela com o olhar. Eu fixo nele com o som. A enfermeira respira aliviada e um pouco incrédula. O que faz uma pessoa parar de chorar? O instante dura e é sereno. Ele parou de se esgoelar e deu lugar para a música.

Saga: os três médicos chegam. De novo. Passam pelo pacientezinho que está envolvido pelos narizes vermelhos. Não vamos parar – conversamos eu e minha dupla somente com os olhos. Médicos dizem em voz alta e pomposa – Olha só, o bebê tranquilo, quase bom para ir embora. Que beleza! Vamos examinar o outro – e seguem o caminho.

Rio por dentro.

holga

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A Holga chegou e trouxe uma série de amigos junto. Diversão garantida.

Foto tirada com Arnesto, meu celular, que logo flertou com uma das lentes da Holga. Danadinho.

rodamoinho

[video]http://www.youtube.com/watch?v=icryGVLeeEg[/video]

Quem tá na sua roda gigante?

Animação do ótimo Arthur de Pins.

pequeno pergunta

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Carlotas se inspirou nesse post e mandou a proposta: posso desenhar sobre as suas fotos? Mas é claro que sim, sem a menor sombra de dúvida. Não preciso nem dizer que amei o resultado, né?

Imagino que o pequeno esteja perguntando Patch Adams, você é médico ou palhaço? e Patch, categórico, responde Sou um palhaço que estudou medicina.

Ah, tá… 

Esse é apenas o ‘prefácio’ do projeto. Aguardem.

bzz x zzz

O zumbido na orelha é inconfundível. Lá está ele e seu significado maior: perderei essa noite de sono. Não tem algo que me incomode mais do que pernilongo à noite. Eu, símbolo-mor do sono pesado, capaz de dormir alucinadamente até em sofás de balada-tuntitum, não consigo conviver com pernilongos. Em primeiro lugar porque meu sangue deve ser bem temperado para eles. Alguém deve ter perguntado se eles preferiam mal passado, ao ponto ou bem passado – acompanha Coca Light? – e feito na medida para os bichinhos. Em segundo lugar, porque o zumbido deles é muito chato. Essa noite foi uma saga. Ele se aproximava da minha orelha, eu esperava silenciosa, como um gavião que observa a presa de longe e paf! – dava um tapa no meu rosto. Inútil, obviamente. O bicho continuava rondando. Se aproximava de novo, eu podia quase ouví-lo dizendo vem me pegar, vem… E, novamente, tentava pegá-lo de surpresa. Mudava de posição e deixava minha mão próxima ao interruptor de modo que, assim que ele chegasse perto, eu pudesse agilmente acender a luz e enxergá-lo prevendo seu leito de morte. Fracasso. Quando eu acendia a luz, meu olho levava um susto e demorava para focar as coisas. Ou seja, o bicho já estava seguro novamente. Então eu desistia da minha sede de vingança e resolvia apenas ligar o ventilador, que me garantia meia hora de sono, já que, depois disso, eu acordava com sede e a garganta raspando. Desligava o ventilador e já me angustiava com o zumbido que estava por vir. Após mais algumas tentativas de assassinato, de orelhas vermelhas, piercings inchados e o pernilongo ainda vivo, desisti. Levantei a bandeira branca, ou melhor, meu lençol, agarrei o travesseiro e me dirigi ao quarto ao lado. Não sei o que era pior, às três e meia da madrugada: ter que me mudar de recinto por causa de um bicho que é do tamanho do meu cílio ou ficar matutando se pernilongos possuem alguma espécie de capa da invisibilidade, do Harry Potter, para sumir assim, sem mais nem menos.

sinal verde para todos

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Eu nunca tirei uma foto assim, olhando para trás!

Foi nessa frase de Wade, sub-prefeito de Aparecida, que a ficha caiu pra mim. Estava lá, fotografando a passeata do Movimento Superação, clicando uma série de cenas que ‘eu nunca tinha visto’. Coisas corriqueiras na vida de qualquer pessoa que tem alguma parte do corpo privada de movimento.

Eu nunca tinha visto um cadeirante arrumando o pé do outro, sem a menor cerimônia, já que o pé-sem-movimento escapara do suporte da cadeira. Eu nunca tinha visto a ginga de dois cadeirantes ao se cumprimentarem com um abraço. Eu nunca tinha visto a naturalidade com que se pergunta ele fala direito? Eu nunca tinha visto tantas crianças em cadeiras com um puxador que lembra aqueles de mala de aeromoça. Eu nunca tinha visto que a Av. Paulista estava sendo reformada para melhorar a acessibilidade das pessoas. Eu nunca tinha visto o fabricante dos cabos de aço de elevador falar com tanto orgulho que ele contribui para a causa e que nunca nenhum cabo seu cedeu.

Tem tanta coisa importante que a gente não vê por aí, né?

Aqui estão alguns trechos do que eu vi por lá.

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narizes me fazem bem

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É isso que acontece quando palhaços visitam teu trampo. O lugar fica mais cheio de cor, vida e movimento. Tá bom, a cor é uma questão relativa por lá. Mas confesso que é estranho ver um mundo que eu vivo voluntariamente em hospital acontecendo na agência-nossa-de-todo-dia. Dá uma certa confusão, o nariz contamina e, internamente, eu mudo de lado.

Agradeço aos queridos Dra. Canaleta e Dr. Zorinho – Doutores da Alegria – pelos momentos, pela aula que me deram (mesmo sem saberem disto) e, óbvio, por protagonizarem cenas como essa abaixo:

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Bolhas de sabão me encantam, ainda mais quando incluem palhaços. Talvez porque elas unem um ser que pode tudo com a leveza de ser conduzido pelo vento e a incerteza atraente de ser extremamente frágil.

Uma coisa é certa: poderia passar dias inteiros brincando com as duas bolas. A vermelha e a transparente.

Mais fotos que eu tirei, aqui.