Monthly archives: December 2007

inté mais vê

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férias

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Tô indo por aí. Aprender o que qualquer um tem pra me oferecer. Sugar os pedacinhos de mundo que existem para montar minha própria receita. Cada pessoa tem um gosto, cada país tem um cheiro, cada gesto tem um motivo. E deve ser em busca disso que eu costumo viajar. Tá, eu sei, praia, música e mojitos também me atraem. Mas tem algo em viagens que encanta, que faz o olho brilhar e a mente balançar.

Tô indo por aí. Falar outra língua, experimentar cada tipo de pimenta que existe no local e perguntar por que aqui você faz assim? Por que eu posso fazer isso? Por que eu não devo fazer aquilo? Obrigada, muito prazer e vamos lá.

Tô indo por aí. De férias. As palavras mais sagradas de um ser humano que troca 11 por 1.

Tô indo por aí. Sonhar.

essência

No hospital, Roberta-8-anos recebeu vários embrulhos de presente junto com a nossa visita. Eram presentes de Natal, embalados em papéis vermelho brilhante. Nos despedimos e Roberta recusou. Queria abrir os presentes conosco. Jamais ousaríamos desobedê-la. Essa é uma das principais idéias de um palhaço no hospital. Abriu o primeiro presente e a cara evidenciava todos seus momentos. A dificuldade de abrir o pacote, o pedido de ajuda para a mãe, o gostinho de tatear dentro do plástico, a felicidade ao retirar o presente, a negação por não ter percebido que havia mais coisa lá dentro e a nova surpresa ao se deparar com mais ítens. É difícil descrever a feição dela em cada uma das fases. Mas o surreal é que ela repetiu esse passo-a-passo muitas vezes. Havia uns cinco pacotes, inclusive com conteúdos iguais. E a sensação de novidade foi sempre a mesma, pura, simples e essência.

Difícil adotar isso racionalmente. Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

lá de dentro

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Se o coração fosse feito de osso, a osteoporose seria o equivalente à saudade.

bom apetite

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Ontem minha biblioteca engordou substancialmente. Ficou muito bem servida com fotografia, prosa, poesia, música, ilustração e letras, muitas letras.

Com licença, vou feliz ali petiscar algo e já volto.

a pica tá com o velhinho

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Pede pra sair, Papai Noel, pede pra sair!

bolsa da menina

Eu tenho, você não te-em.

O vídeo é daqueles freaks, mas a bolsa da Menina é uma graça.

poema old-school

‘Seu nome pode ser Rosita, porque é bonita. Tereza, pela beleza. E Rosa, por ser formosa.’ Seu Sílvio, 85 anos, sendo 55 deles junto de Maria.

Depois que dançamos forró e jogamos capoeira, ele proclamou o poema enquanto Maria ria ao fundo. Envelhecer bem é mesmo sagrado.

estacionamento de fantasias

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Foto tirada no Encontro de Lonas.

Coisas de circo são tão gostosas que anoitece e você nem vê.

quinhentos e noventa

- Pufavô, quanto custa essa bolsa de palha?
- Quinhentos-e-noventa-reais (sorriso no rosto)
- Ahá!

Ahá. Essa era a única coisa que eu conseguia dizer, enquanto o refrão pegadinha-do-malandro martelava na minha cabeça. Quinhentos-e-noventa-reais por uma bolsa de palha?

- É que é da Adriana Ribeiro.
- Ahã.

Ahã, a única coisa que eu conseguia dizer enquanto matutava quem é a Adriana Ribeiro?

- Acho que tá meio fora do que eu queria gastar…
- Você quer ver outra coisa?
- Acho que não, obrigada (sorriso post-it)

Quinhentos-e-noventa-reais (!). A Adriana Ribeiro deve morar no mundo da Lua mesmo. E como a palha só é produzida no mundo da Terra, ela tem um custo alto de transporte de matéria-prima, o que justifica o preço elevado do produto. Por que é que eu não pensei nisso antes?

Ai que burra…