quietinha e despedaçada
Zuleika é a lagartixa que mora nas margens do meu computador. No início do ano, ela caiu no chão e ficou lá, tranquila. Até a hora que alguém passou com a cadeira em cima dela. Foi um acidente horrível, mas meu chefe bacana levou pra casa e colou. Ela voltou ao normal, firme e forte ao seu lugar de origem.
Só que a Zuleika tem ventosas e eu descobri que ventosa é que nem plástico-bolha: as pessoas não podem ver um na frente que já saem interagindo. Esse é um problema de quem costuma ser disponível com os outros. E como a Zuleika é simpática, todo mundo que chegava na minha mesa grudava a Zuleika em algum lugar - normalmente na própria
testa. O que essas pessoas não sabiam era que elas passavam do limite da Zuleika, já que nem sempre a gente respeita mesmo o limite dos outros.
Elas não sabiam que, depois do acidente, a Zuleika assumira definitivamente o sexo frágil. Tão frágil que ela deu pra desmoronar sempre que alguém mexia com ela. Sabe como é, ficou traumatizada desde o último relacionamento desastroso. Meu chefe chegou a colar a Zuleika inteira mais vezes, até que eu decidi parar com isso e manter os pedaços da Zuleika aqui na mesa. Eles parecem se dar bem. Devem ter se acostumado a viver desconjuntados.



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