angulação
Ela estava lá parada, num desnível do chão. Mas só quando me virei para ir para outro lugar, notei sua presença. Estava tirando uma foto que, provavelmente, me incluía. Apoiou a máquina no chão, conseqüência da pouca luz do local. Percebi a frustração quando eu saí do lugar. Tudo aquilo que ela estava calculando para que ficasse dentro do quadro se moveu antes que ela pudesse chegar ao seu objetivo. Compartilhando seu momento merda-perdi-a-foto, me ofereci para voltar à pose inicial. Clique feito, beijo, tchau.

Ao ver o resultado, gostei bastante. Acho que o que mais me pegou foi o fato de ser um ângulo meu que eu nunca conseguiria ver sozinha. É impossível você ver suas pernas nessa perspectiva. Não adianta olhar no espelho, sua visão sempre será de cima para baixo. Não adianta agachar, já que suas pernas não ficarão retas. É uma visão mais do que externa, algo que só poderia ser indicado por outro. Ou talvez um ângulo que ainda não tinha passado pela minha cabeça.
Adoro a frase de Walter Firmo que diz que fotografar alguém é conhecer uma pessoa. Mais ainda, é conhecer essa pessoa do jeito que você quer conhecê-la. Praticamente montar o ideal do ser e se apoiar nisso.
O problema disso tudo? Se deparar com um álbum de fotos da pessoa que não faça o seu estilo de olhar.
Ah, tomei a liberdade de cortar a foto para ornar mais com o layout do blog. Mas vejam a foto inteira! Camila, muito obrigada pela foto e pelo momento reflexão-viagem-crise-existencial.



Bela foto, bela reflexão!
saudades!
que bom que eu te vejo logo mais, né?
beijossss!
Nice boots!
Kisses, darling.
Cara Mawá,
Escreva mais. Muito legal a foto, muito legais as suas sacações. Você lê autores que não conheço, à exceção de Cora Coralina, Bergson… sou uma imbecil que não sabe inglês. Bjs,