Monthly archives: November 2007

blogagem social

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O querido Yassuda me convidou para a Campanha Blogagem Social que, aqui em Sampa, tá sendo organizada pela Milena. Acho interessante o início disso tudo, como o próprio Yassuda conta no blog dele:

A história começou assim…

Há alguns meses, o bróder Coelho pediu um free-lance para mim. Aceitei fazer, mas não aceitei cobrar. Não me senti à vontade mesmo e até virei motivo de piadas entre outros coleguinhas. Ele queria pagar, e então, na época, eu tive uma idéia:

“Por que não fazemos assim? Você pega esse dinheiro que você queria me dar e vamos juntos comprar uns brinquedos ou comida para doar em algum centro de solidariedade, orfanato, asilo ou coisa do gênero.”

Acordo feito, tínhamos um problema: não sabíamos para quem doar. Foi aí que estes meses de muito contato com blogueiros me deram um novo estalo: e se todo mundo na blogosfera que quisesse ajudar de fato ajudasse?

Não é a primeira pessoa que eu conheço quem quer ajudar mas não sabe como. Então, quem achou o fato interessante pode e deve entrar em contato com a Milena ou com Graveheart, indicando instituições, colaborando com grana ou presentes e/ou com a sua presença. Porque carinho humano é insubstituível e necessário ao mundo. E se as coisas ocorrerem do jeito que meus miolos estão confabulando, pode rolar uma visita da Cremilda na Campanha da Blogagem Social.

Aproveitando a onda (movimento social) + (divulgação) = um mundo mais ameno, convido vocês também para a Passeata SuperAção, do Movimento SuperAção, que acontece nesse sábado, na Paulista.

O Movimento SuperAção fará mais uma vez a passeata em comemoração ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, a Passeata SuperAção – Incluindo Diferenças em Defesa dos Direitos Humanos.

Será no dia 01 de dezembro de 2007, um sábado pela manhã.

A partir das 10:00hs saindo da praça Oswaldo Cruz, rumo ao Vão livre do Masp onde acontecerão alguns shows na sequência.

Dessa vez, quem me convidou foi a querida Tabata, cujo trabalho pude conhecer na peça O Vale Encantado. Neste caso – sem o nariz vermelho – estarei lá na passeata com minhas lentes e registros. Mais do que isso, estarei lá com a vontade de ter por perto pessoas que, pelos mais diversos motivos, costumam ter histórias interessantíssimas para te contar e te tocar.

receita: bolsa do bafafá

Bolsa do bafafá

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Ingredientes

:: bolsa de feira em versão mini
:: pregador de madeira

Modo de fazer

Compre a bolsa na feira mais próxima. Seu preço costuma estar em torno de 4 conto mas, se você só achar muito mais caro que isso, recomendo uma visitinha à feira da Vila Madá (toda 5ªf, cruzando a Arthur de Azevedo). Ah, a estampa é a gosto, de preferência aquela que você bate o olho e se apaixona.

Como tem gente que cisma em colocar a mão na sua bolsa e pegar o que não deve, tanto gente conhecida como desconhecida, finalize a bolsa com um pregador de madeira. No varal lá de casa tem vários, mas acho que minha mãe não ia gostar muito se todo mundo fosse lá pegar um. Então dirija-se ao varal da sua casa e colha um bem bonito e sem ferrugem. Se o seu varal anda sem frutos, você também pode comprá-los na feira, provavelmente por um preço menor do que aquela moeda de duas cores que a gente tem no Brasil.

Outra opção é pintar o pregador com alguma tinta. Mas cuidado: se você é que nem eu, um ser que ama todas as cores juntas, isso pode ser uma cilada. A linha entre o colorido-fofo e o brega-bagarai costuma ser bem tênue. A não ser que você adore ser identificado sempre pelo layout hippie-vila-madá-ouço-samba-e-maracatu.

O sucesso de boca-a-boca da bolsa é garantido. Desde que comecei a usar, não teve um ser que não comentou sobre a bichinha.

blá blá blá

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Tem hora que todo mundo quer falar e ninguém quer ouvir. Já pensaram quantas palavras foram desperdiçadas nesses momentos?

A diferença disso pra uma guerra é a pólvora e o tipo de perda. Na guerra perdemos os corpos e as almas, nas conversas perdemos as letras e o respeito.

Ilustração do excelente We Blog Cartoons, dica da Fran, mais conhecida como Claudine.

salem 15 anos

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Título: Salem 15 anos

Técnica: Granulação e PB sobre foto digital

2007, Cinemateca, São Paulo

problemas com identidade

Ontem ouvi de uma drag:

- Português te deixa confuso. Não sei mais quando eu sou eu, quando eu sou mim… Menina, isso aí é tudo fruto da clonagem que andam fazendo por aí. 

Hoje tive aula de semiótica com o Landowski.

Não é que a drag tinha razão?

sapateado na rua

[video]http://www.youtube.com/watch?v=TtUg9u1OoRY[/video]

- Garçom, tô babando, me vê um guardanapo, pufavô?

kaliko ‘tré-fofê’

Na internet a gente vira amigo de um monte de gente sem nunca ter cheirado a pessoa. Mesmo mexendo com isso há um tempo, ainda acho esse fator estranho. É um relacionamento que começa sem oi-tudo-bem ou qual-seu-nome. Ele simplesmente começa, sem bater na porta ou pedir licença. É claro que isso tem um lado bom e um ruim, mas este é um momento Poliana, então falaremos do bom.

Amei a arte que essa moça faz. Ela me adicionou como amiga no Flickr e lá fui eu conhecer o que ela estava disposta a me mostrar. Particularmente me encantei com esse tipo de ilustração que ela faz em cima da foto e, claro, agrega um novo significado:

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As outras coisas que ela mostra no site e no blog também são uma graça, mas viajo mais ainda ao navegar por lá, já que os textos são em francês e meu repertório inclui apenas ‘abajur’, ‘penoar’ e ‘escargô’. Ou seja, backgroundless total. Pelo menos no inglês ainda dá: Kaliko, your job is amazing. Congrats and… how cute!

Nos links também tem muita coisa boa, em várias línguas. Tentando a sorte, você pode se deparar com projetos legais como esse de vender carrinhos infláveis nos quais a pessoa pode desenhar.

milek

Ele era o maior adulto que eu conhecia. Para olhar em seus olhos, eu tinha que subir a cabeça como quem busca algo na última estante da biblioteca, aquela que tem livros escritos em línguas difíceis. Ele também falava várias línguas difíceis e se orgulhava de nomeá-las calmamente apontando nove dedos, um por um: polonês, hebraico, russo, idish, espanhol, português, tcheco, esqueci e inglês. Gostava de livros e me deu de presente o hábito de ler antes de dormir. Quando criança, eu não adormecia sem antes ler o gibi do dia, de preferência da Turma da Mônica.

Eu sentava no colo dele, em cima da calça social com vinco amparada pelo suspensório. Me contava dos tempos da Polônia, ah que delícia, quando eles tinham a fábrica de couro. Eu não me lembro exatamente do enredo, mas sempre havia um rio na história. E do jeito que ele sorria ao falar do rio, devia ser um rio bem bonito, perto de casa ou na casa de campo. A família vivia feliz, ele, o irmão, todos empenhados na fábrica de couro que trazia um bom dinheiro. Até que veio guerra. Na guerra, perdemos tudo. Olhava pra baixo, na diagonal, apertava os lábios. Chorava por dentro e às vezes por fora também, até balançar a perna, cantar qualquer coisa em polonês e me oferecer uma mexerica.

Jogávamos tranca por tardes inteiras. Quando éramos somente os dois, ele deixava eu ganhar, até eu reclamar pára e joga direito! Aí ele ganhava uma e, na próxima, a vitória já era minha. Quando jogávamos em quatro, eu queria ser sempre a dupla dele. Primeiro porque ele jogava bem. Segundo porque ele nunca ficaria bravo se eu fizesse alguma besteira no jogo. Tranca é bom, buraco não presta, ele dizia segurando o copo de whisky. E me oferecia o copo para que eu colocasse o dedo mindinho e lambesse o gosto da bebida. O whisky vinha das compras tão adoradas do Free Shop, daquela época em que valia a pena comprar Crest, Lindt e Red Label na passagem pelo aeroporto. Quer dizer, se valia a pena mesmo eu não sabia, mas pela quantidade que era trazida, acho que sim.

Eu gostava também de pentear seu cabelo com o pente fino habitante do espelho do banheiro. Eu devia gostar disso porque era algo impossível de fazer com o meu cabelo sarará-cheio-de-nó. Imagine só passar um pente nele. Era um prazer silencioso cultivado a dedo, tanto em seus cabelos brancos como na minha coleção de pôneis.

Passei um conjunto de tardes ajudando-o quando seu rim já não conseguia mais cuidar dele. Numa quarta-feira, quando eu já batia na altura de seus ombros, fui embora de sua casa à tarde. Ele dormia no sofá e parecia estar doído. Me despedi com um beijo longo sem que ele acordasse. Mesmo que estivesse sofrendo, tive a sensação de que o que ele queria naquela hora mesmo era dormir.

Nessa noite, ele sonhou pra sempre.

Se meu avô estivesse vivo, hoje ele faria 97 anos.

santiago

Fred Astaire é Tony Hunter, sapateador em fim de carreira que embarca para Nova York na esperança de ressuscitar sua sorte com um musical da Broadway. Mas o diretor da montagem é um ególatra, e a parceira de Tony (Cyd Charisse) é uma dançarina com formação clássica, que esnoba o colega autodidata. <fonte>

(voz em OFF diz algo assim): Os dois caminham na direção de um jardim, sem olharem um na cara do outro. A partir de um gesto lindo e gratuito, iniciam um diálogo íntimo, terno e sem voz audível.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=duLFwcsc6Nc[/video]

Se fosse costume aplaudir filme de pé, esse seria o trecho de Santiago em que eu reverenciaria João Moreira Salles.

e o bambu?

Qual a semelhança entre a Edith Piaf, o Miguel Falabella e o guardinha do Parque da Água Branca? Hein, hein?

Os três são muito chatos.

A Edith Piaf é uma mulher chiliquenta que achava que podia tratar todo mundo mal. Não sei de onde vem esse lance mimado dela, já que a pessoa sofreu a vida inteira. E nada justifica descontar nas pessoas o que elas não te devem. Além disso, dá depressão vê-la na tela. Já não é simpática, ainda faz aquela sobrancelha pra baixo que-nem-de-desenho. Complicado surgir algum estímulo positivo.

O Miguel Falabella destrói qualquer concepção artística de teatro. É um dos o principal de Os Produtores, mas não parece estar muito preocupado com isso. Durante a peça, ele encarna o Caco Antibes e fica fazendo piadas com a pessoa dele, deixando o personagem totalmente de lado. Fora que ele não sabe olhar para o público e se mantém no pedestal das piadas prontas. Ah, esqueci, é assim que se faz TV. Garçom, vê um VideoShow pra ele, pufavô?

Por fim, coloquei na ala dos chatos o guardinha do Parque da Água Branca. Hoje ele me tirou do balanço, alegando que era apenas para crianças abaixo de 10 anos. Tudo que eu consegui fazer foi resmungar Que chato e sair andando. O cara parecia tão frígido que achei que seria inútil explicar para ele que, naquele momento, eu tinha menos que 10 anos.