Monthly archives: October 2007

perfil: fui tagueada

Eita, tagueada pelo Daniel! Então vamos lá (ô post comprido!):

Último livro comprado

  • :: Cuba por Korda, Alessandra Silvestri-Lévy e Christophe Loviny: fotos e textos do país de Fidel

Estou lendo agora

  • :: ando exatamente na entressafra. Acabei Dez mil, de Andrea Kerbaker e tô na dúvida se começo Adam, filho de cão, de Yoram Kaniuk, O Riso, de Henri Bergson ou The new rules of marketing and PR, de David Meerman Scott. Update: escrevi um pouco desse post ontem e deixei o restante pra hoje. Nesse meio tempo, já comecei um outro livro: Ex-libris, Anne Fadiman. Como vocês podem ver, a escolha do livro costuma ser bem impulsiva

Número de livros que eu tenho

  • :: 117. Mas se você me der um livro amanhã, ficarei com 118. Que tal?

Três livros que significam muito para mim

  • :: No one belongs here more than you do, Miranda July: singelezas que só a Miranda é capaz de colocar em letras
  • :: Charlie Chaplin, o próprio: autobiografia de um moço de muito valor e sensibilidade com o mundo
  • :: Meninos verdes, Cora Coralina: é o primeiro livro que me lembro de ter lido e viciado, ainda criança. Tenho até hoje a imagem dos meninos verdes na cabeça

Últimos filmes que vi

Filmes que significam muito para mim

Último “cd” que eu comprei

Música que está ouvindo agora

Três músicas que significaram muito pra mim

Bebida favorita

  • :: com sol, chá verde
  • :: com lua, cachaça

Entidade favorita

  • :: a que mistura o bom humor e a singeleza

Férias favoritas

  • :: a próxima, que inclui Cuba e Recife. Chato, né?

Vício favorito

  • :: pessoas (conversar, abraçar, fotografar, cheirar, conhecer)

Pronto, minha parte acabou. Agora eu queria saber tudo isso aí desse povo aqui:

Mas já aviso que esse post dá trabalho. E olha que eu nem falei de Metamorfose, Samba e amor, Cantando na Chuva, Sabiá, MAUS, Dream a little dream, Waking Life, eita mundão grande cheio de coisa boa… Essa lista é praticamente uma obra a la Merz.

ingenuidade

Ingenuidade é desejar profundamente um Suflair Alpino derretendo na sua boca e comer uma maçã para tentar enganar sua mente.

- Garçom, me vê uma piscina de brigadeiro, pufavô?

prazer, garota enxaqueca

O bacana da Ingresso rápido é que, ao adquirir um ingresso de 10 conto, você paga R$6,50 de taxa. Aí, depois de pensar mil vezes antes de aceitar essa taxa nonsense – você paga taxa de entrega para você mesmo retirar o ingresso na bilheteria – você finalmente acredita que aquilo é mais prático. Aí você clica em encerrar compra e tem que redigitar seus dados pessoais, porque o banco de dados deles deve ter Alzheimer. Não satisfeitos em te deixar bravo, eles fazem você espumar, já que é levado a uma sequência de pop-ups frenéticos. Uma vez percorrida a procissão dos pop-ups, você chega numa tela Falha na compra. E só, sem mais nenhuma satisfação, sem um Clique aqui para mais informações ou para refazer a sua compra. Aí você tenta de novo, testa outro navegador para ver se é esse problema e nada resolve. A ponto de desistir do show, você lembra que viu em algum lugar que havia outros locais de venda. Vai até o site e respira aliviado: os pontos de venda estão abertos de segunda à sábado, das 14h às 21h30. Você então chega no ponto de venda na segunda às 20h45, com fome a cólica, e tem que ouvir do cara que o mocinho do Ingresso rápido está de folga hoje.

E cada vez que eu ouço a palavra Ingresso rápido fico pensando se foi algum humorista que deu o nome à empresa. Ô serviço porcaria, viu. Me recuso até a dar o link deles, não quero nenhum tipo de ligação com esses caras.

Saudade da época em que meus amigos faziam shows menos mainstream e eu só ligava e pedia para deixarem o ingresso na portaria.

círio de nazaré

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E de repente aquele monte de gente surge pela Presidente Vargas. Começa devagar, uma promessa aqui, uma cantoria ali, o que eu prometeria se estivesse no lugar deles? O Círio de Nazaré é sempre no segundo domingo de outubro e por algum elemento de sorte do universo eu caí em Belém do Pará exatamente nesse dia. Nesse dia que é mais importante que o Natal, nesse dia que recebi o convite amável de um moço no avião, oferecendo a casa do sogro. A gente reúne a família inteira, vê a procissão pela janela. É bem bonito, sabe, todo mundo em casa, eu, minha mulher, meus filhos, meu sogro, vendo a santa passar. Obrigada – agradeço o convite – é bom pensar que às vezes podemos confiar em estranhos. No que será que os 2,7 milhões de estranhos do Círio de Nazaré confiam? O que eles prometem? A dor e o sofrimento parecem ser o meio de demonstrar tudo, colocar em público a força que oferecem para que as promessas sejam cumpridas. Uns ajoelham, outros levam velas em forma de pé-cabeça-braço, outros levam miniaturas de casas e barcos, outros levam cruzes. Alguns levam somente o coração apertado e cheio de fé.

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No Les Éphémères a criança pergunta à avó o que é fé. A avó fica muda, entra a trilha, acaba a cena. Fé é o que eu vi lá. É a cena dantesca de corpos e mais corpos migrando num passeio brutal e quente. É ver na sua cara mais um Jesus da vida, carregando a cruz como se tivesse traído a nação inteira com o culto a mais de um santo. É a senhora que caminha aquilo tudo com o punho no coração e o olhar no horizonte. E pensar que ela deve fazer aquilo desde que se conhece por gente. Acho que a gente faz promessa para se conhecer como gente. Mas, afinal, é possível pagar de algum jeito? Martírio é um jeito de quitar dívida? O amor só é bom se doer?

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Círio tem origem na palavra latina Cereus, que significa vela grande. Velas grandes se confundem com macas durante a procissão. Corpos desistem desafiando o cérebro e desmaiam. As macas liberam o caminho para que as velas continuem seu rumo à basílica. Completar o caminho é o objetivo, seja segurando a corda, seja jogando água nas pessoas que seguram as cordas, seja com seu modo próprio de demonstrar o boleto da promessa pago e assinado embaixo, com registro em cartório.

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As cenas parecem dar tapas na cara, hey, o que você está fazendo aqui? Você acredita nisso ou não? Zero-um, vai pedir pra sair, zero-um? A procissão segue, a lente registra, a santa passa. Aprendo mais uma palavra – berlinda – a carruagem que leva a imagem da santa e, por isso, está no centro e chama atenção. É, faz sentido. Talvez uma das únicas coisas por lá que faz sentido de maneira racional. O restante, só sentindo mesmo.

diálogo de domingo

- Eles são gêmeos?

- Não, são chineses.

auditório do ibirapuera

Viciei.

nothing more than feelings

Várias vezes eu me pego pensando o que é sensibilidade. Acho que muita gente confunde sensibilidade com olhar alternativo. Bastou você chamar a atenção para algo diferente que já mandam um nossa, que sensibilidade. Tenho lá minhas dúvidas. Com certeza uma cabeça aberta amplia as opções, mas não acho que pare por aí. Se eu pudesse classificar a sensibilidade, pensaria em capacidade de transformar um objeto em sujeito. Flagrar algo e conseguir comunicar o que esse algo tem de especial-diferente-inusitado-bonito.

Momento nostalgia, lendo antigos testimoniais na comunidade mais azul da internet e me deparando com trechos sensíveis como esse:

Ela tem uns 300 cachecóis
Ela vê tudo quadrado
Ela tá nas top 3
Ela fica 10 anos sem sapatear e continua apavorando
Às vezes ela se chama Cremilda
Ela convida pra umas peças mala
Ela convida pra umas festas animais
Ela vai pra praia comigo às 4 da manhã
Ela se atrasa
Ela entra no carro e demora uns 10 minutos pra ligá-lo (até tirar a trave, pegar a chave na bolsa, colocar a bolsa no chão do passageiro, enfiar a chave no contato e girar… ih!! demora…)
Ela invade festas de Natal em família
Ela manda umas msgs que eu não entendo
Ela tem o melhor blog da Internet
Ela sempre tem um CD novo pra me mostrar
Ela sempre tem uma visão nova da situação pra me mostrar
Por essas e outras, ela é imprescindível na minha vida…

A pessoa (a propósito, também imprescindível na minha vida) simplesmente te resume com detalhes muito simples.

sonho

Porque um palhaço pode tudo.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=TGvMyd-Vv7I[/video]

Animação feita por Jacopo Armani, na qual um bobo da corte incorpora o rei. Incorporado do novo blog dos queridos Baunilha e Merigo, o Smelly Cat.

se tá na chuva, é pra se molhar

Ação de rua para a Jontex. Simples e genial. Entra pra série por que é que eu não pensei nisso antes? (saravá Itamar!)

jontex2_1.jpg

Via Marketing Alternatif, um blog irado mas que só fala francês. Por isso, eu acabo gostando só das ações que consigo captar na figura, já que as outras eu não entendo o texto.

entrega

Macedo é garçom do restaurante Oceanic, no Macapá, de frente para o Rio Amazonas, esquina com o Sesc Macapá. Macedo saiu da terra dele para conhecer o Macapá e acabou ficando 4 anos. Só voltou à sua terra para apresentar a esposa à família. Macedo ama o Macapá, sua esposa e seu trabalho.

É tão bonito quando as pessoas apostam em algo, sem pensar se há coisa melhor no lugar anterior ou no próximo lugar. Isso é entrega. 

Post escrito e baseado em reflexões, devaneios e na cena de La mala educación maravilhosamente interpretada pelo lindo-gostoso-sonho-de-consumo Gael García Bernal:

[video]http://www.youtube.com/watch?v=IstMW8y54yI[/video]