Monthly archives: September 2007

pra frente e avante

A Lycra está fazendo 100 anos e um monte de comemorações com isso. Dando uma olhada no hotsite, gostei da parte que conta a história do sutiã. Mais precisamente, da mudança da função do sutiã ao longo do tempo:

1907 – achatar os seios

1910 – separar os seios

1920 – achatar os seios e empurrá-los para baixo (tipo, hã?)

1930 – empinar os seios

1940 – empinar os seios

1950 – empinar muito os seios (hahaha)

1960 – moldar os seios e aumentá-los

1970 – tornar os seios mais roliços (?)

1980 – realçar os seios

1990 – realçar e levantar os seios

2000 – valorizar os seios

Difícil entender o motivo de, nos anos 20, alguém querer achatar os seios e empurrá-los para baixo. Isso já é função da gravidade, ninguém precisa ajudá-la a fazer isso. Mas enfim… Pelo menos eu nasci numa época em que o sutiã tem que realçar e valorizar os seios. Por poucos eu não pego o momento de deixar os seios roliços, seja lá o que for isso.

Para 2010, se eu fosse a gerente de funções de sutiã, utilizaria a expressão ‘aconchegar de maneira amável e bonita os seios’.

Ah, no site tem uma área de Promoção 100 anos do sutiã. Tô concorrendo a 3 calçolas e 3 sutiãs. Dos anos 2000, não se preocupe!

útil ou deprimente

Situação delicada no hospital. UTI. Chegamos minutos depois de anunciada a falência pulmonar de uma criança. Família inteira lá dentro. Fora essa criança, mais duas no local, ambas entubadas. Enfermeira lacrimeja parada na porta, indecisão. Entramos ou não? Patch Adams chega num hospital e procura a criança que está no pior estado. Quer aproveitar os últimos momentos dela e fazê-los maravilhosos. Eu, num momento de esperança e tentando crer numa forçada ignorância, ainda insisto: a criança reage a algo? Negativo.

Certo ou errado, fugimos.

Entrar lá significaria calentar a família naquela espécie de velório de um ser que ainda pulsa mas não vive. E nessas horas questiono se a presença de um palhaço é útil ou deprimente.

música da boa

Amigo meu que tá na gringa e anda fazendo uns belos estudos de percussão corporal.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=Rt4t4EJtpAo[/video]

Pedroca, mandou bem.

contrastes

Incêndio no céu e na favela, tudo da janela do trampo.

fogo2.jpg

Incrível como o fogo é, ao mesmo tempo, bonito e perigoso.

theatre du soleil

lesephemeres05.jpg

Depois de muito esforço, filas intermináveis, ligações entre Sesc´s, momentos de tensão, suor e aflição, rolou. Vou ver Les Éphémères, do Theatre du Soleil.

Agradeço ao São Frederico pela graça alcançada.

Paradoxo risolístico

Mais um episódio da incrível técnica de rir sem expressão – ou quase!

Créditos: câmera man, o cara, a moça e risadas extras ao fundo.

Ãpdeite: o vídeo está no YouTube também.

para (mim + vocês) = para nós

pimentinha.jpg

Eu quero um mundo de gentilezas. De sorrisos gratuitos porém sem força. Um mundo com plantas regadas a bolhas de sabão. Um mundo temperado com azeite, sal, alecrim e um pouquinho de vinagre. Um mundo de violinos dançantes que tocam músicas que tocam a gente. Pessoas que dançam e pessoas que tocam. Um mundo que não buzina com força já que isso não adianta nada. Um mundo que sabe porque é importante olhar nos olhos e ser olhado. Um mundo que gira laranja. Um mundo sereno que sorri mostrando os dentes. Eu quero um mundo oferecido como dança. Um mundo que saiba valorizar cada flagrante válido da vida. Um mundo brincante.

Eu quero um mundo que faça massagem na dor. E que chore quando tiver que chorar. Eu quero um mundo que sinta frio só pra ver como é bom o calor. Um mundo que saboreie cada momento do brigadeiro. E da Nutella. Um mundo doce. Eu quero um mundo de possibilidades. Um mundo de doação. Um mundo que consiga unir os diferentes estágios de cada um para chegarmos a algum ponto bacana. Um mundo de olhos que piscam com bochechas levantadas.

Feliz mundo novo. Shaná tová umetuká.

o cravo, o lírio e a rosa

Ser palhaço é reinventar tudo como primeira vez, até a próxima primeira vez.

prazer na ponta da língua

Comer bem é inevitavelmente bom. Sua mente muda de humor, seu corpo indica para o seu cérebro que aquilo é gostoso e o mundo fica mais feliz. Por isso, resolvi listar alguns pequenos prazeres bem localizados em Sampa. Ah, vale lembrar que todos eles têm um ponto em comum, que, aliás, aprendi com uma querida: os ingredientes dos pratos têm um motivo real de estarem lá.

Paad Thai do Mestiço: talharim tailandês com frango, broto de feijão, amendoim, camarão seco e especiarias. Eu nem curto muito broto de feijão avulso, mas ele dá um crocante ótimo no macarrão apimentadinho.

Pato no Sal: pato ao molho de vinho, purê de mandioquinha, cebola caramelada, banana-ouro assada. Lugar moderninho de ótimo bom gosto e sem salto alto. Tudo lá é uma delícia, incluindo o chef de cozinha Henrique.

Bauru do Ponto Chic: rosbife frio, mistura de queijos quente, pepino, tomate, pão francês. Quem inventou a mistura de queijos do Ponto Chic é um ser abençoado. O grupo de queijos se dá tão bem, mas tão bem, que até tenho a sensação de que eles estão sempre felizes em roda cantando Aquarius.

Batata na Batataria: batata suíça recheada com presunto cru com queijo brie, acompanhada de salada de folhas verdes, pêra e brie. Sou suspeita para falar, já que o restaurante é dos-amigo-tudo, mas a batata de lá é sensacional. Aliás, a batata, a cor das paredes e a trilha sonora estão de parabéns.

Picanha invertida do meu irmão: picanha virada ao contrário, recheada com queijo, assada na churrasqueira. Mal ae, mas essa é só para os íntimos mesmo. Fazer a picanha é praticamente um ritual sagrado do irmão que, com seu jeitinho ogro, deixa a picanha deliciosa.

Sushi no Mori: falar de restaurante japonês é sacanagem, já que tem vários bons por aí. No conjunto da obra, fico com o Mori. Tudo sempre fresquinho e com sabores que aguçam sua língua. Mas eu sou louca por shimeji, então não posso deixar de listar o Aoyama, com o melhor shimeji da capital garoense. E no quesito ambiente, o Tanabe leva a medalha, já que é dentro do clube e você pode comer de canga e biquini.

Por enquanto é isso. Engordei uns três quilos só escrevendo o post e, por isso, deixarei as dicas doces para outro momento.

Ô dilíça.

o tal do amor, por patch adams

patch_blog.JPG

Uma palestra e um workshop de, nada mais nada menos, Patch Adams. Sim, aquele mesmo que inspirou o filme com o Robin Williams e me deu de presente uma das cenas que eu mais gosto: a piscina de macarrão.

Conhecer o cara foi um privilégio, uma maneira de ‘ser John Malkovicth’, de entender como funciona a cabeça dele. Sua história de vida não era mistério para ninguém. A diferença é que, ao vivo, ele deixa de ser um filme.

Patch prega que o amor é a base de tudo e que, por isso, devemos pensar mais nele (no amor). Bolar uma estratégia mesmo, pensar como você encara o amor. A interrogação na cara das pessoas era nítida quando ele perguntou o que cada um fazia para cultivar o amor. Difícil, a pergunta era difícil. Até porque costumamos pensar no amor como um sentimento e sentimento por si só acontece. Não é preciso pensar nele para acontecer. Mas se você tirar o amor de dentro desse estigma, como racionalizá-lo? Ou melhor, é possível racionalizar o amor?

Eu mesma não chamaria isso de amor, mas sim de troca. Acho que amor é uma palavra muito cheia de pompa e de coisinhas rosas. Parece que tudo relacionado ao amor é positivo e flutuante. Amor é dor também. E trocar dor é um jeito de chegar ao amor. De chegar a um nível de conhecimento capaz de abstrair o que te aborrece. E quando nada te aborrece, você ama.

“Who is teaching you to complain about things?”. A tradução dessa frase não alcança a amplitude do seu significado. O que faz com que você reclame na vida? O que faz com que você atue mais no campo negativo do que no positivo? Qual é a tua? Enfim, esses foram alguns dos questionamentos do Patch.

Eu não tenho as respostas. Aliás, no momento, eu tenho a imensa vontade de traduzir o que foram as cenas de ontem. Cerca de 300 pessoas, abraçando umas as outras, dizendo eu te amo, fazendo cafuné e contando os mais profundos amores. Tudo isso com uma única condição: duplar com alguém que você nunca viu na vida. Dividir os jargões do amor com desconhecidos é complicado e ao mesmo tempo apaixonante. Falar mesmo e ser escutado de verdade é bom, muito bom.

Tudo que eu sei até agora é que ‘troca’ é o sentido da vida. Resta saber o que – e com quem – você anda trocando por aí.