útil ou deprimente
15Sep07
Situação delicada no hospital. UTI. Chegamos minutos depois de anunciada a falência pulmonar de uma criança. Família inteira lá dentro. Fora essa criança, mais duas no local, ambas entubadas. Enfermeira lacrimeja parada na porta, indecisão. Entramos ou não? Patch Adams chega num hospital e procura a criança que está no pior estado. Quer aproveitar os últimos momentos dela e fazê-los maravilhosos. Eu, num momento de esperança e tentando crer numa forçada ignorância, ainda insisto: a criança reage a algo? Negativo.
Certo ou errado, fugimos.
Entrar lá significaria calentar a família naquela espécie de velório de um ser que ainda pulsa mas não vive. E nessas horas questiono se a presença de um palhaço é útil ou deprimente.



Se fosse eu, velha de guerra, porém uma eterna aprendiz, teria entrado, olhado nos olhos de todos e oferecido um abraço. Algo muito pareceido com isso já me aconteceu. Uma mãe cujo filho já estava com morte cerebral (que vim saber só depois), sentada no lado de fora da UTI, chorava compulsivamente. Olhei fundinho em seus olhos lacrimejantes e ofereci um abraço. Ela aceitou de prontidão. O abraço durou MUITOS minutos. Foi aí que ela botou todo o choro para fora. Me agradeceu muito. Tem horas que um abraço pode dizer tudo. Saí de lá meio sem chão, meio Paula, meio Olívia, mas com a sensação de que tinha feito algo para amenizar o sofrimento de alguém. Sei lá! Prá pensar…
Um beijo.