minha voz não mudou

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Até então, eu só havia tido duas experiências com escova. Desde que encurtei as madeixas, percebi como os cachos não deixam o cabelo super definido, ou seja, meu corte reto não parecia um corte reto. Até aí tudo bem. O problema foi que, na minha primeira escova, eu fiquei que nem aquele cogumelo vermelho do Mario Bros. Era praticamente um Playmobil humano. Ridículo.

Na segunda vez, levei uma foto da Meg Ryan para a cabeleireira e disse quero-ficar-com-esse-cabelo. Sonho meu… Ela fez uma escova, prendeu aqui, laquê aqui, pomada ali e eu estava pronta. Pronta para ser entrevistada pela Oprah Winfrey. Ridículo mais uma vez. Eu e aquele mega cabelo a la Hebe Camargo.

Dessa vez, lutei com meus medos e cedi à escova mais uma vez – a terceira em três anos! Estava decidida a enfrentar o secador. Acordada pela minha mãe, que me disse que o salão estava dando hidratação de graça, já fui no intuito de ganhar a hidratação e sair com a escova mais brilhante do mundo – que nem aquelas que aparecem rodando na propaganda. Levantei da cama, coloquei uma faixa para domar o estilo shimeji dos meus cachos e fui. Pena que a tal da hidratação de graça era de pele e não de cabelo. Ou seja, lá estava eu com sono, faixa no cocoruto e com uma mulher passando Vitamina C na minha pele que, pelo diagnóstico dela, estava pior do que o aquecimento global. Imagine alguém que só lava o rosto e não passa o filtro e o hidratante e a vitamina e o pós-algo e a base e mais alguma coisa que eu esqueci? Onde já se viu isso? Enfim, acabado o momento pele, desci para o cabelo.

A água quente do salão tinha acabado. Lavar o cabelo foi praticamente entrar numa cachoeira, só que sem sol e sem biquini. Aquela água gelada escorria pela orelha e levantava todos os pelinhos. Faz bem, querida, é água mineral, eu ouvia com uma certa dúvida no coração. Faz bem pra quem? Só se fosse para o cabeleireiro. Enfim, chegamos à parte quente. Bem quente por sinal, principalmente quando você sente o secador queimando sua pele. Esse estágio só é piorado pelo cheiro de cabelo queimado – tão comum nos salões. Quem foi o moço que inventou tudo isso? Dedico aqui uma música para esse moço: Apesar de você amanhã há de ser outro dia, você vai se dar mal, etc e tal, lá lá iá lá lá iá iá.

Resumindo, tive um dia de madame. Hidratação na pele de entrada, hidratação no cabelo e escova como prato principal com mechas vermelhas para acompanhar e unhas feitas de sobremesa. Tudo regado a uma boa Caras e Quem.

Não vou negar que me diverti com o resultado. Desta vez, meu corte não estava reto, mas bem desigual. No primeiro dia, eu parecia uma das cabeleireiras do Soho, com o cabelo bem liso e de mechas vermelhas. Em compensação, no último, meus cachos já davam sinal de vida e o inevitável apelido de Amelie Poulain.

Minha voz não mudou, mas meus cabelos…

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5 Responses to “minha voz não mudou”

  1. Iraê says:

    Hahahahahahaha

    Adorei o épico!

  2. Paula Nigro says:

    Tu é muito louca mesmo.

  3. Anette says:

    Hehehehh, mandei até o link para o Nilton…
    Beijos

  4. aninha says:

    nunca apareco, mas quando venho ADORO!!!

    saudades de vc! beijao!

  5. Daniela S says:

    sensacional o seu texto, adorei! hilarious…

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