Monthly archives: June 2007

sensibilidade e treino

Uma das cenas mais lindas que já vi ao vivo.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=wx2iL0lY2GM[/video]

Slava Snowshow.

lindas e irregulares

Uma das coisas que mais assustam num ambiente de hospital é a irregularidade física dos pacientes. Entendam por irregularidade aquilo que a-gente-não-vê-toda-hora. Partes inchadas, cicatrizes, roxos, sangue seco, pedaços costurados. Tudo isso faz parte da rotina de um médico, que acaba se acostumando com a cena. É o trabalho do cara, nada mais o impressiona.

Mas como palhaça de hospital, ando meio anestesiada com o cenário. Se antes havia uma certa aflição ao ver isso – e até uma vontade de não olhar para a criança, agora fico cada vez mais ligada: como perceber as reações de um corpo que não está no seu estado regular? Estou lá, com o nariz vermelho, convidando a pessoa a viver um momento gostoso. Se estivesse lidando com uma pessoa saudável, a resposta positiva a esse convite seria muito simples. Ela sorri. Mas com pessoas hospitalizadas, a história muda. Ela pode estar com o rosto inchado e não conseguir sorrir. Ela pode ter perdido os movimentos faciais e não conseguir mexer o rosto. Ela pode ter problemas nos olhos e não conseguir te olhar. Resumindo: a resposta não é tão óbvia. O palhaço tem que ficar atento a qualquer sinal corporal. Um olho que abriu um pouquinho mais do que o normal, um pé que balançou a ponta do cobertor ou um som esquisito que saiu lá da garganta da criança. Todas essas podem ser formas de demonstrar a felicidade que os dominou. E que deixa de lado qualquer irregularidade física.

Não sei se esse texto vai fazer muito sentido para vocês, mas ontem, ao sair do hospital, fiquei com imagens lindas na cabeça. Lindas e irregulares.

a bagaceira de val pinheiro

Alucinógeno. Eu não consigo encontrar outra palavra para o espetáculo Bagaceira – A dança dos Ancestrais. Feito por Val Pinheiro e Cia Vatá, o show envolve sapateado, corpos brincantes e desafiadores, música ao vivo, cultura popular brasileira e mais algumas coisas que eu não sei nem explicar.

Estão em turnê nacional e a passagem por Sampa foi bem breve. Mas pelo menos deu para matar as saudades de Val e ter o prazer de conhecer toda a galera do Ceará. E para vocês, deixo o gostinho do espetáculo virtualmente (para os sapateadores-leitores, reparem no passo ‘segredo’ da Val):

[video]http://www.youtube.com/watch?v=GGFPNtbIaLI[/video]

Outra coisa bacana que a Val faz é publicar os work-in-progress dos espetáculos dela. Para quem se interessa por construção, criação e evolução, é um prato cheio.

pensamentos

Se pudéssemos traduzir as grosserias online em offline, todo mundo já estaria no hospital.

Bizarro isso. É quase que nem buzina. Enche o saco de todo mundo (mesmo dos não-envolvidos), deixa o clima pesado e não resolve nada.

Bom dia pra vocês.

parada gay 2007

drag_lingua.jpg

Eu adoro fotografar a Parada Gay por alguns motivos: cores, atitudes e essa paixão que drags têm pela câmera.

Prato cheio para fotógrafos flagrarem a vida.

vitórias

Leucemia. Transplante de medula óssea. Quimioterapia. Esse vocabulário é rodeado por arrepios e incertezas, pois parece que você nunca sabe se é realmente o fim – da vida ou da doença. E há 14 anos atrás, papai teve que lidar com tudo isso. Eu era pequena e não entendia a gravidade da situação. É um bichinho que faz mal e que está dentro do papai, era tudo o que eu captava de informação. Além do fato de que meu pai não estava mais morando em casa – e ainda por cima levara minha mãe junto.

14 anos depois é lindo ver como meu pai vê a vida. O jeito como percebe as coisas, como reage e como planta suas sementes. Sim, eu sou meio embasbacada por ele – fazer o quê? O cara é muito bacana. Impossível não gostar.

E já que a gente conta a idade dele a partir do transplante, ele agora está entrando na adolescência. Ainda bem que a gente não vai ter que aturar crises de espinha, portas de quarto fechadas e som alto. Mas acho que ele curtiu o presente desse ano: um pacote com uma Playboy e uma Sexy. Bem adequado à idade.

desenvolver

Pensamentos conjuntos do feriado concluíram que é necessário desenvolver. Mas desenvolver no sentido de des-envolver, soltar-se, livrar-se, desapegar-se. Tirar o envolvimento para ao menos diminuir o sofrimento com isso. Se não é possível o relacionamento, não se envolva. Proteja-se.

Mas se des-envolver é o sentido de desenvolver, meu conceito de desenvolvido ficou confuso. Desenvolvimento significa soltar, livrar, desapegar? Sei não. Se for assim, sub-desenvolvido deve ser o jeito que a maioria das pessoas vive. Daquele jeito enrolado.

Tô cada vez mais confusa.

diversão de quinta

Dia de ontem.

Considerações: andar na bike de dois pode ser difícil no começo, mas a diversão é garantida. Se você estiver com as suas amigas e cantando que nem imbecil, é mais divertido ainda. Ah, prefira dias de sol e cuidado para não matar criancinhas que não entendem a diferença entre a ciclovia e a pedestre-via. E já deixo avisado: aquela bike de quatro lugares é, na verdade, apenas um cenário. Ela não está lá para ser alugada, somente para tirar fotos. Frustrou minha infância. Mas um dia eu arranjo uma dessas para dominar o mundo.

Mais fotos no meu Flickr.

enduvidada

A pergunta que não quer calar: por que as mães só compravam ceroulas brancas, que aparecem muito mais quando você paga um cofrinho?

Aliás, por que as mães insistiam em chamar as ceroulas de minhocão?

Por quê? Por quê? Por que, hein, moço que colaborou com o raciocínio? 

em tempos de guerra

Não custa sonhar, né? Bem que o mundo poderia ser assim.


Absolut-Boum
Colocado por roycod

Via Buzz is media.