sampa
São Paulo é uma cidade de ninguém. É tão grande, mas tão grande, que parece que ninguém é dono mesmo. Parece que tudo que tem aqui já estava aqui, sei lá como. E aí paulistano tem mania de adotar lugares que sejam abre aspas só seus fecha aspas. É até uma forma de ser um pouquinho mais regional, algo como criar vínculos com aquele pedacinho da cidade.
Eu adoro passar pelo Beco do Batman, na Vila Madalena. Cada dia um desenho novo, uma idéia nova, misturado naquele monte de parede. Fora o gostinho de fazer as curvas vendo detalhe por detalhe. Eu não sei quem pintou aquilo ali. Eu não sei quem projetou aquilo ali. E esses caras também não sabem que eu adotei o lugar. É desse sentimento que eu falo.
Esses dias fui ao Ponto Chic da Av. Paulista. Ponto Chic é a lanchonete com o bauru mais famoso de São Paulo. A combinação de queijos é fora do comum, impossível de ser reproduzida. Ao chegar no Ponto Chic, argumentei que o de Perdizes era mais charmoso, mais antigão, sabe? Mas o mais antigo não é esse, é o do centro, replicaram meus pais. Ora, para mim, que sempre fui ao Ponto Chic de Perdizes, ele é o mais antigo e pronto. Tudo é uma questão de referência, já que paulistano tem mania de adotar a própria referência como lei. Talvez seja a única maneira de deixar a cidade cinza menos impessoal, desmetropolizá-la. Dar um pouco de poesia a isso tudo. Eu adoro o pôr do sol de São Paulo. Acho magnífico. Sempre tem alguém que faz questão de dizer que é tudo poluição. Não me importa. Se a gente não for capaz de enxergar o brilho da cidade, ela é capaz de te engolir bueiro adentro.
Ah, Sampa. Minha boa e velha Sampa. Só minha.



Sabe aue depois de dois meses fora de sampa a saudade bate… ate consigo dizer aue amo essa cidade… beijinhos ma!!!